Design

A Grid como Princípio de Construção Projetual

A introdução do conceito da grid constitui resultado do desenvolvimento mundial pós-guerra. Nesta época a demanda na área de publicidade foi tão grande que era necessário instituir e desenvolver um design racional e funcionalista, poupando recursos materiais e tempo. A maior parte dos designers funcionalistas deste período trazia uma ideologia da escola alemã Bauhaus, introduzida em 1919 sob direcção do arquiteto Walter Gropius, introduzindo na década vinte um o conceito de ordem e racionalismo, com intuito de colocar funcionalidade e clareza em projetos.

Fonte: knaufmag.pl

Nos meados dos anos de 1950, o Estilo Internacional já havia se firmado como metodologia do desenho na Europa e nos Estados Unidos. Os principais professores, como Emil Ruder, Armin Hoffman e Josef Muller-Brockman, pregavam a superioridade universal de suas soluções minimalistas, rigidamente controladas pelo sistema grid, adotado como uma forma eficiente para unificar todos elementos inseridos dentro destes sistemas de identidade visual das grandes empresas multinacionais e entidades empresariais. (Bomeny:2009)

A grid é uma estrutura projetual, técnica e funcional que auxilia (na área de design gráfico) os profissionais na composição ordenada e racional dos elementos que compõe a peça, proporcionando assim maior equilíbrio visual, organização e uso correto de espaços.

A grid funciona como um princípio ordenador da informação, de maneiras que se coloqueo que é necessário com base numa estrutura “fantasma” existente por detrás dos restantes elementos. A grid é como se se tratasse da estrutura de um edifício onde depois são montados os blocos para construção, em design gráfico os blocos são os elementos colocados e estruturados para tornar a comunicação mais simples compreensível e impactante; as formas, as linhas, as imagens, o texto, a cor, colocados de tal forma que sigam um esqueleto pré-definido. Com base nesse princípio, chega-se a um resultado comunicacional mais objetivo, impessoal e sem interferência dos sentimentos do designer, afastando o projeto (geralmente) do uso de técnicas persuasivas com um intuito mais comercial. Não que implique isso que os projetos em que é aplicada a grid não são comercializáveis, pois, historicamente o design surgi numa base de resolução de problemas e comercial, daí que até nos dias de hoje a maior parte, se não todos projetos tem uma finalidade comercial.

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Na sua tese de mestrado Maria Bomeny, afirma que o uso da grid dominou no princípio o design europeu e americano:

“(…) transformando-se em uma maneira eficiente de unificar os programas de comunicação das grandes entidades empresariais. Tais empresas conseguiram se beneficiar desses aspetos de unificação e otimização dos custos por meio dos sistemas de identidade baseados no grid, agilizando o processo pelas fórmulas pré-estabelecidas.

Apesar do uso mais recorrente em design editorial, a grid é também usada em outras áreas de design, nos seus variados projetos; nos elementos da identidade visual institucional, nas embalagens, no webdesign, no design de CD’s, sinais, entre outros.

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Composição básica da grid

– Margem: espaço geralmente reservado, a não ser ocupado por nenhum dos elementos que fazem parte do projeto.

– Guias: linhas de orientação para o ordenamento das partes da peça. Ajudam a controlar se há ou não elementos fora do definido.

– Módulo: unidade que compõe a malha construtiva.

– Colunas: espaços verticais, onde são inseridos texto e imagem em causa.

– Marcador: elementos que auxiliam na navegação do documento, pode ser a numeração do documento, cabeçalho ou rodapé.

Fonte: Autor

 

A Grid como Princípio de Construção

A grid é um princípio para organização dos elementos, é essencial para a composição espacial em design gráfico e até na forma como organizamos o quarto a mesa, a cama. Na construção do projeto gráfico é preciso, antes, estudar o que será incluso, entre imagens, texto, formas, efeitos, para saber como constituir a grade que o ajudará a ter resultados visualmente mais equilibrados.

A grid, como um princípio de construção permite que tudo que estiver na página se relacione entre si, por causa da linhas que os orienta, essa relação dos elementos cria uma harmonia visual e facilita a comunicação, cria uma intimidade entre diferentes elementos tornando o trabalho simples e atrativo.

As revistas, os jornais, os livros são o mais puro exemplo do uso da grid para manter a identidade da publicação, há elementos da grid que se mantém e transmitem o mesmo conceito em todas páginas, mantendo uniformidade, organização e sensação de limpeza no projeto em várias edições. Os softewares de paginação tornaram-se um grande auxílio para criar uma grid uniforme para projeto mais exigentes relativamente a uniformização e padronização do conceito visual.

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A grid não é uma cela: atualmente designers podem usar a grid e mesmo assim adicionar a sua criatividade para tornar a peça mais atrativa e persuasiva. O uso da grid não significa necessariamente um total abandono do recurso a criatividade. É importante o conhecimento dessa base de composição, que ajudará a ter resultados mais harmónicos, mas um toque criativo eleva o nível do trabalho diferenciando-o com os outros.

Como um princípio construtivo a grid é muito mais que uma estrutura por detrás do resultado que pode se ter. É um pensamento do profissional, ou do design (como uma vasta área), se assim quisermos, uma filosofia de composição em que a grid está de corpo e alma pronta para auxiliar na forma de ordenar elementos. Os designers, por vezes procuram organizar objetos na mesa com recurso a um pensamento baseado na grid, sem necessitar de ter linhas orientadoras visíveis, as vezes olham para informações e facilmente detetam a falta de uma estrutura coerente que podia ajudar a compor o texto e imagens em uma página. Há designers que começaram com o uso da grid sem nunca ter ouvido falar dela e só depois relacionaram a sua experiência prática com estudos teóricos, mas o princípio da grid como base construtiva esteve sempre lá, presente para orientar um pensamento, para obtenção de resultados harmoniosos e funcionais, para compor peças hierárquicas e equilibradas. A grid está sempre presente, e mesmo quando é para desconstruir a ideia de composição recorrendo a grid, é importante estudar e conhecer muito bem como funciona esse princípio e só depois estaremos prontos para desconstruir.

 

Bibliografia  

Bomeny,  M.H.W.. O Panorama do design gráfico contemporâneo. Tese para obtenção do título de Doutor. Faculdade de Arquitectura e Urbanismo de São Paulo – FAUSP. 2009. 204p.

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