Design

Aloísio Magalhães: o pioneiro do design gráfico brasileiro

Fernando Henrique Cardos, famoso FHC, em pleno ano de 1988 assina o decreto que instituía o dia 05 de novembro como o Dia Nacional do Design. A grande pergunta é: por que essa data em específico?

Em 1927, mais especificamente no dia 05 de novembro, nascia na cidade de Recife em Pernambuco, Aloísio Barbosa Magalhães. Pintor, designer, gravador, cenógrafo, figurinista. Considerado um dos pioneiros do design gráfico brasileiro – quando mal sabíamos o que isso significava. Em 1950, Magalhães forma-se em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Nessa mesma época participava do Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP), onde exercia as funções de cenógrafo e figurinista, além de ter sido responsável pelo teatro de bonecos.

Entre 1951 e 1953 ia rumo a Paris estudar museologia, com bolsa concedida pelo governo francês. Ao final do estudo, voltou ao Brasil em 1953, mas logo saiu novamente, agora em rumo aos Estados Unidos para se dedicar, com bolsa do governo do próprio governo local, ao estudo das artes gráficas e a programação visual.

Ao voltar para o Brasil em 1960, abriu seu escritório de comunicação visual, tornando-se um dos pioneiros do segmento no país, passou assim a realizar projetos para empresas e órgãos públicos. Três anos depois, colaborou na criação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), a primeira instituição a oferecer um curso de design de nível superior no Brasil – com um modelo fortemente influenciado pela Escola de Ulm, uma escola de design alemã diretamente influenciada pela Bauhaus.

Após esses acontecimentos, criou em 1964 o símbolo do 4º Centenário do Rio de Janeiro, seu primeiro trabalho de grande repercussão pública. No total, Aloísio desenvolveu aproximadamente 179 marcas, segue abaixo algumas que se destacam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Além do desenvolvimento de identidades visuais, nosso pioneiro também desenvolveu, começando em 66, desenhos para notas e moedas brasileiras.

No ano de 1966, Aloísio Magalhães desenvolveu o layout da nova moeda brasileira, após seu projeto ter sido selecionado no concurso para tal. Essa obra de Magalhães rendeu muitos elogios devido à inovação que ele utilizou na moeda, pois ele se utilizou do efeito moiré, que é um desalinhamento reticular, para assim, gerar um efeito óptico de difícil reprodução.

E quando houve o redesenho da moeda, ele participou inovando mais uma vez, intervindo na funcionalidade da cédula. Percebeu que a grande dificuldade era o fato do dinheiro possuir o lado de cima e de baixo e assim reconhecer o seu valor. Então propôs que as notas possuíssem espelhamento (característica de vários de seus projetos), portanto, a moeda não tinha mais a distinção de lado de cima ou de baixo. Independente da posição que fosse visto, teria a mesma leitura. [1]

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia 13 de Junho de 1982, Magalhães faleceu em Pádua, na Itália, vítima de um derrame cerebral quando tomava posse como Presidente da Reunião dos Ministros da Cultura dos Países Latinos.

É muito comum no ramo do design gráfico, supervalorizarmos designers estrangeiros e esquecermos daqueles que fizeram história em nossas terras tupiniquins, sendo assim, espero que esse texto tenha ajudado a ampliar nossa visão e nos mostrar que existiram e existem grandes exemplos conterrâneos a serem seguidos em nossa profissão.

“A desordem é apenas aparente. De fato, sinto uma enorme fascinação por este mundo de combinações e invenções em que as linhas, as cores, os espaços vivem por si. Um mundo novo, livre e rico. Um mundo que pode realmente nos desnortear com sua exuberância. Mas a liberdade e a invenção têm que pagar também o seu preço, conforme disse anteriormente. E se você prefere o real, confesso que, diante dele, prefiro o que é possível. Como pintor, sinto prazer diante dos elementos do quadro e penso quase que fisicamente em termos de tela e tinta. É com isto que se constroem os quadros. A admissão das formas como possíveis – e não como reais – aumenta no meu caso particular, a alegria da criação, a sensação de aventura que deve presidir ao nascimento de qualquer obra de arte. E se o mundo do possível me dá isso mais do que o mundo do real, deve ser fiel aos seus rumos, que são imprevisíveis mas não caóticos. Oferecem eles, a troco de seus perigos, a segurança presente em todo o retorno. Porque depois de realizado, o quadro assim entendido lança, no mundo da arte e mesmo na vida, formas trazidas ao real do desconhecido, criando terrenos seguros no lugar onde nos aguardava antes somente aquilo que era obscuro, informe e instável”. [2]

 

[1] http://www.revistacliche.com.br/2012/11/aloisio-magalhaes/
[2] MAGALHÃES, Aloísio. Aloísio Magalhães. In: _______. Aloísio Magalhães: pintura e arte gráfica. Rio de Janeiro: MAM, 1958. p. 6.

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