Design

Empresa Júnior: um passo para o designer empreendedor

Créditos: Visual Hunt

Caso você nunca tenha ouvido falar sobre Empresa Júnior (EJ), a definição que você encontrará com mais facilidade será essa:

“Empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos e com fins educacionais formada exclusivamente por alunos do ensino superior ou técnico, regulamentadas através da Lei 13.267/16. (BRASIL JÚNIOR, 2016)”

No entanto, essa é uma definição muito técnica. Ao buscar mais informações para construir esse artigo, me deparei com uma definição mais explicativa e também mais fácil de se entender o que é uma Empresa Júnior. O administrador Gustavo Periard, define da seguinte forma:

“Uma associação civil sem fins lucrativos, formada e gerida por alunos de um curso superior, cujos principais objetivos são: fomentar o aprendizado prático do universitário em sua área de atuação; aproximar o mercado de trabalho das academias e os próprios, além de uma gestão autônoma em relação à direção da faculdade ou centro acadêmico. Com a elaboração de projetos de consultoria na área de formação dos alunos.”

As empesas juniores possuem basicamente, três perfis de clientes, são eles:

  • Alunos: Que usufruem da empresa para realizar troca de conhecimento entre os membros e parceiros externos para se desenvolverem de maneira profissional, pessoal e acadêmica. Também aproveitam esse período para conhecer na prática o mercado local em que provavelmente irão atuar;
  • Empresas, Empreendedores e Indústrias: Que se beneficiam com os projetos e serviços oferecidos pelas EJs, cuja a principal característica é a alta qualidade dos serviços prestados, garantido não apenas pela orientação dos professores, mas também pela organização e orientação que o MEJ possui;
  • Universidade: Que são favorecidas pelo retorno em imagem institucional, garantido pela divulgação que as EJs necessariamente fazem ao seu nome. Também são reconhecidas por diminuírem o distanciamento existente entre o mercado e a academia, pois as EJs buscam parceiros para realização de novos projetos ou até mesmo para capacitação de seus membros.

Outro ponto extremamente interessante sobre as empresas juniores é a rotatividade dos membros. Devido a organização e alinhamento que o Movimento Empresa Júnior (MEJ) possui as EJs conseguem facilmente mudar todo o corpo diretor da empresa e manter o padrão de qualidade em seus serviços e projetos.

Tive a oportunidade de fazer parte do MEJ durante minha graduação e juntamente com alguns amigos fundamos no ano de 2013 a Degrau – Evoluções Criativas, empresa júnior de Design da Universidade Federal da Paraíba, e posso afirmar o quão gratificante foi participar de uma EJ e conhecer o mercado local, pois antes e até mesmo durante minha participação na Degrau eu possuía dúvidas sobre entrar no mercado local de design como empreendedor e após sair tive a certeza de que queria empreender no mercado local.

A Degrau é uma Empresa Junior federada à PB Júnior – Federação Paraibana de Empresas Juniores que consequentemente responde a Brasil Júnior – Confederação Brasileira de Empresas Juniores, a instância que representa as empresas juniores brasileiras.

A atual Diretora Presidente da Degrau, Cristiane Olímpio, enfatiza a importância de estudantes de Design participarem de empresas juniores:

“A importância em participar da Degrau consiste no intenso aprendizado e absorção de conhecimento fora de série. Uma aplicação do conhecimento da sala de aula de maneira mais integrada e aproximada da vida real (o mercado de trabalho). Vejo uma Empresa Júnior como laboratório, um espaço de experimentações e autoconhecimento, já que na prática tudo é diferente, trabalhando podemos compreender como as coisas funcionam e saber se condiz com o que almejamos para o nosso futuro. Além do mais, podemos desenvolver e descobrir interesses paralelos no mundo empreendedor que o ecossistema “júnior” oferta.”

Atualmente, já existem cursos de Design no Brasil que possuem empresas júniores. No entanto, acredito que precisamos difundir o conceito de empresas júniores para que possamos ampliar o número de cursos de Design com sua empresa júnior. Não consegui o número exato de empresas juniores de Design existente, mas de acordo com a Brasil Júnior, o Brasil possui 444 empresas juniores de diversas áreas de atuação, então ainda podemos alcançar muitos cursos de Design pelo Brasil.

Como a própria Cristiane coloca em sua fala, a EJ é um laboratório para que pratiquemos aquilo que nos é ensinado e isso foi muito importante para o meu aprendizado e também decisão de juntamente com meus sócios abrirmos a Sabiá – Design Colaborativo.

Sabemos que existe um “abismo” entre o mercado e academia e que na maioria das vezes o choque que tomamos quando temos o primeiro contato com o mercado é muito grande. Dessa forma, vejo nas empresas juniores o local para que possamos tomar esse choque ainda como estudantes e nos prepararmos melhor para o que vamos vivenciar.

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