Cinema e Séries

Kigsman está de volta!

Depois de uma primeira empreitada bem sucedida em 2015, a Alfaiataria mais enigmática da Inglaterra entra em ação novamente e ganha reforços estrangeiros. Em Kingsman: O Círculo Dourado, é dada continuidade ao longa Kingsman: Serviço Secreto, estrelado por Taron Egerton, Colin Firth e Mark Strong. Para quem não acompanhou o primeiro filme, a história gira em torno de um serviço secreto inglês que opera disfarçado de alfaiataria tradicional, onde seus membros possuem aparato tecnológico de ponta para dar cabo à serviços antiterroristas e todos possuem codinomes. Harry Hart/Galahad (Colin Firth) é o responsável pelo treinamento do jovem Eggsy (Taron Egerton), que entra precocemente em atuação para evitar a destruição do mundo comandada por Valentine (Samuel L. Jackson). Embora o desfecho seja positivo, Harry Hart, o mentor de Eggsy, falece.

Nesta continuidade, temos uma evolução visível nas telas. Tanto Taron Egerton cresceu como ator, como seu Eggsy finalmente incorporou devidamente o espião inglês de modos refinados. Nem ator, nem personagem soam estranhos ao ambiente recheados de grandes nomes. Some-se a isso a qualidade das cenas de ação do protagonista, que ficaram mais ousadas em relação ao primeiro e ganharam maior aparato tecnológico, se é que isso era possível. Para compor o cenário, efeitos especiais e sonoplastia comungam a mesma qualidade e garantem o divertimento da plateia. Se no primeiro longa o grande diretor Arthur foi interpretado por Michael Caine (que também sofreu uma emboscada na trama), agora temos Michael Gambon na incumbência de dar continuidade à gerencia da Alfaiataria de faixada que movimenta os túneis de Londres.

O interessante desta obra é que, diferentemente da maioria das sequências que tentam inovar demais no roteiro e perdem a maestria originária, Kingsman: O Círculo Dourado preserva toda a fidelidade que cativou o público no primeiro filme. Praticamente, ninguém do elenco original foi esquecido, por menor que seja a participação. É bom para quem está conhecendo e melhor ainda para quem já conhecia. A forma como isso se vislumbra na tela é que todas as situações pendentes no final do primeiro filme foram mantidas em sua essência. Os desdobramentos são nada menos do que pontas soltas do passado.

A novidade fica a cargo da expansão dos negócios para os Estados Unidos, onde a Statsman, uma unidade semelhante com a Kingsman opera seu serviço oculto através de uma fábrica de bebidas alcoólicas em Kentuchy. Depois de um atentado que destruiu a sede inglesa, Eggsy e Merlin partem em busca de ajuda dos primos norte-americanos para investigarem uma estranha alergia azul que está assolando a população e encontram uma presença familiar.

Nesse ponto, a qualidade do primeiro longa não se mantém. Poppy, a nova vilã interpretada por Julianne Moore, soa caricata e risível, não dá para leva-la a sério, simplesmente. Mesmo que a premissa de vilania seja interessante, qual seja, o contágio de uma paralisia através das drogas ilícitas, tais como cocaína, maconha e LSD, os métodos empenhados por ela para coagir funcionários e o seu estilo de vida reclusa em uma reserva florestal construída com a cara dos anos 50 não ficou sequer aceitável. Diferentemente da maldade excêntrica que caiu muito bem em Samuel L. Jackson no primeiro longa, as loucuras de Poppy, a traficante fofinha que administra o Círculo Dourado, ecoaram forçadas ao extremo. Soa até estranho vindo de Julianne Moore, uma atriz multifacetada e talentosa, que sempre entrega atuações fortes e convincentes, bem destoante da sua Poppy.

Já um fator do roteiro que merece destaque recai na crítica bem construída que o filme faz aos costumes norte-americanos. Tanto a Statesman como o comportamento do Presidente da República que dialoga com Poppy e tenta girar a situação caótica a seu favor, são artimanhas bem elaboradas do life style estadunidense e garantem bons momentos ao filme. As alfinetas ao atual ocupante da Casa Branca ficam bem visíveis. E enquanto a Kigsman disfarça seu aparato bélico em guarda-chuvas, maletas, relógios e óculos tipicamente britânicos, a Statesman faz o mesmo através de bolas e tacos de baseball e laços country; sem falar no excesso de álcool que domina o cenário do novo serviço secreto, comandado por Jeff Bridges, Channing Tatum, Pedro Pascal e Halle Berry.

Uma surpresa do longa é a presença de Elton John no elenco. O cantor aparece como ele mesmo e vive refém na ilha de Poppy, sendo obrigado a realizar apresentações particulares para sua sequestradora e algumas outras bizarrices. O resultado saiu melhor do que o esperado e mostrou que o astro não tem medo de pôr sua imagem à prova.

No fim das contas, é certo que Kingsman: O Círculo Dourado agradará à maioria do público e é uma ótima opção para o último fim de semana do mês (sua estreia é em 28/09). O longa sabe preservar o que funcionou bem no primeiro e consegue dar continuidade à obra sem estrinchar seu roteiro requintado, bem-humorado e maldoso ao mesmo tempo. Ponto para o diretor Matthew Vaughn, que acertou a mão tanto em 2015 como em 2017 e mesmo garantindo que não quer ser ganancioso, já vislumbra o terceiro filme e um spin off para a série.

Confira o trailer:

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