Cinema e Séries

Liam Neeson acuado em O Passageiro

3 filmes de Busca Implacável não foram suficientes para as pessoas aprenderem a deixar a família de Liam Neeson em paz. O incômodo da vez é O Passageiro (The Commuter), do diretor espanhol Jaume Collet-Serra (A Órfã, Casa de Cera), profissional que repete a parceria com Liam Neeson vista em Desconhecido (2011), Sem Escalas (2014) e Noite Sem Fim (2015). O roteiro parte dos dois estreantes no ramo, Byron Willinger e Philip de Blase e demonstra como uma história aparentemente banal é capaz de crescer em tela ao ponto de pregar o espectador na cadeira.

Michael MacCauley é um ex-policial que vende seguros e leva uma vida comum de subúrbio e passa algumas horas de seu dia no trem de ida e de volta para casa (o chamado movimento pendular). No dia que recebe a notícia da demissão, a volta para casa sofre uma reviravolta quando uma mulher misteriosa lhe oferece uma proposta não muito ortodoxa a bordo do trem. A medida que a viagem segue, Mike percebe que foi envolvido num jogo perigoso e muitas vidas correm risco, especialmente a de um passageiro que ele terá de descobrir quem é. Enquanto não cumpre o objetivo de Joanna (Vera Farmiga), sua família é observada e Mike talvez não volte a vê-los.

Em pleno 2018, a fama dos personagens de Liam Neeson compõe o melhor cartão de apresentação possível. O ator dá vida a homens destemidos que sempre sabem o que fazer na hora do perigo. O interessante desse filme é que o currículo de Neeson parece pesar sobre ele. Na trama, Michael é ex-policial que tem de reativar os instintos de perseguição, espionagem e defesa para sair vivo do trem. Joanna controla seus atos a distância e os telefonemas o instigam a continuar caçando um alvo desconhecido. Mike apanha, erra, é trapaceado, cai e chega bem próximo da morte várias vezes.

Esse tipo de atuação para o ator é, no mínimo, peculiar. O diretor parece estar brincando com uma plateia desacostumada a ver a figura de Neeson em desvantagem sobre o oponente. O mesmo não se pode dizer de Vera Farmiga (Invocação do Mal). A atriz precisa de pouquíssimas aparições para demonstrar quão poderosa sua Joanna é. Patrick Wilson (Invocação do Mal) também dá as caras no longa e é o responsável por trazer o lado mais fraco de Michael à tona.

Nesse interim, o roteiro consegue surpreender o público e não soa tão mais do mesmo; considerando que o longa vem sendo muito comparado à Sem Escalas (2014), filme que narra as adversidades enfrentadas por Liam Neeson a bordo de um avião com um assassino dentro e que também foi dirigido por Jaume Collet-Serra, como dito alhures.

Um detalhe que puxa a qualidade de O Passageiro para baixo são os efeitos especiais. O enredo precisa desse departamento em cenas que, embora poucas, são fundamentais ao clímax do filme, e a precariedade das sequências computadorizadas chega a tirar a plateia do foco da trama para analisar quão amador foi o resultado visto nas telas. Ainda assim, esse quesito é uma exceção, já que a maior parte da trama só utiliza o cenário composto por vagões sucessivos e uma paleta de pessoas comuns vivendo suas vidas normais em um cenário urbano até o dia em que se veem enrascadas em um trem que talvez não chegue ao seu destino.

Para uma história que começa apresentando a vida comum de um homem de 60 anos, o filme consegue ascender exponencialmente até se tornar um excelente suspense regado a muita ação. Personagens se desenvolvem com naturalidade e o protagonista dá show ao ir aceitando a situação e aprendendo a lidar com ela da melhor forma possível. É certo que Michael fará de tudo para chegar em casa vivo e essa jornada vale a pena ser vista nas telas.

O filme é uma boa pedida para quem curte ação oferecida de forma aparentemente inofensiva, mas que ganha proporções não imaginadas ao fim da projeção. Aos mais visuais, os créditos finais são mostrados como seguindo uma linha férrea com paradas e trilhos ramificados; é apenas um detalhe, mas um sinal de capricho que vale a informação.

O Passageiro estreia na quinta-feira, 8 de março. Confira o trailer no link abaixo:

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