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Lições não escritas sobre a vida de um designer – Parte 02

Olá, pessoas!

Há algumas semanas escrevi a parte 01 desse artigo. Pra mim, um dos melhores textos que já escrevi. Se alguém não viu ainda, recomendo que veja o primeiro artigo. Mas caso não queira, vou fazer um pequeno resumo aqui. Basicamente, o primeiro artigo aborda situações e recomendações para a vida de um designer. Claro que não é nada de outro mundo, mas é a minha percepção das coisas e como elas podem ajudar vocês na carreira.

Hoje veremos o fim de todas essas lições.

#01 – CAMINHAR SOZINHO PODE SER UM RISCO DE ‘NÃO EVOLUÇÃO’

Muitos criativos não conseguem trabalhar em parceria. Preferem trabalhar sozinhos e na maioria das vezes, se tornam independentes por causa disso. A frustração de muitas parcerias é o principal motivo de não querer se juntar com outros profissionais. Quem nunca teve treta com um programador em algum projeto? Acho que talvez, esse seja a parceria de mais problemas pra nós, e mesmo considerando a possibilidade de trabalhar com alguém, esse risco é realmente palpável.

Imagem: Fotolia da Adobe

Trabalhando sozinho, temos liberdade para fazer as próprias escolhas e autonomia para mudanças radicais: mas onde será que isso leva? A faculdade é um ‘teste de fogo’ pra quem não gosta de trabalhar sozinho. Os muitos projetos são, em sua maioria, em dupla ou em grupo, forçando-nos a interagir e ouvir opiniões contrárias sobre o assunto. Ás vezes é irritante e chato, outras vezes é enriquecedor e fortalece o aprendizado. Nem sempre temos opiniões certas e ouvir outras pessoas é muito importante.

Na vida de freelancer, por tanto se trabalhar sozinho (em muitos casos), não existe evolução dos profissionais. Já que ele/ela já sabe os seus gostos, estilos… se cria uma ‘estagnação’ sobre as capacidades de criação. Claro, cada projeto é uma abordagem diferente, mas como não existe um feedback de outra opinião, as coisas são muito do mesmo e parece ser bem ‘absoluto’. Tá dando pra entender? Nem todos são assim, mas é um ponto a se considerar se você trabalha sozinho: será que você está evoluindo?

Estabelecer parcerias criativas é algo necessário! Eu tenho parcerias com desenvolvedores, jornalistas, marqueteiros e arquitetos e as coisas funcionam. Cada um sabe o seu lugar e o que pode complementar. Além disso, você conhece a percepção de outras pessoas, e compreende que a sua não é soberana, saca? Minha dica é que vocês estabeleçam parcerias com outros profissionais e designers também. São infinitas as possibilidades criativas.

Quando se trabalha em empresa/em conjunto, estamos sempre evoluindo. Isso é um fato que não dá pra negar.

Imagem: Fotolia da Adobe

#02 – SOMOS IMPOSTORES. PELO MENOS AS VEZES

Todo mundo passa por situações que nos fazem questionar se estamos realmente melhorando o nosso design, se estamos no caminho certo, se estamos fazendo a coisa certa… Todo mundo já se sentiu mal quando vê algum criativo falando sobre algo que você nunca ouviu na vida. Todo mundo já levou uma crítica que lhe fez questionar suas habilidades. Até eu quando comecei a escrever aqui e em outros lugares, me questionei se tinha realmente conhecimento pra isso.

Imagem: Fotolia da Adobe

Mas esse é o grande lance. Todo mundo já se sentiu ou se sente assim. Não importa se é um grande profissional ou um iniciante. Nós nos perguntamos se realmente podemos ter sucesso, especialmente quando estávamos apenas começando. Todos lutam. Nem sempre admitimos publicamente, mas com confiança e experiência, posso perceber isso hoje.

Questionar-se é parte da condição humana. E, no entanto, conseguimos esconder esse fato atrás de postagens, fotos, por trás de sorrisos e artigos tranquilizadores que pretendem sucesso. A nossa cultura valoriza a perfeição sem esforço. Na verdade, até mesmo inconscientemente, preferimos pessoas que parecem ser talentosas sobre aqueles que trabalham arduamente.

E se tratando de design, é difícil separar o que as pessoas dizem sobre o seu trabalho com o que pensam de você como designer.

A própria revelação ajuda a eliminar o fardo da pretensão. A segunda coisa que ajuda é reconhecer que cada designer é diferente, e que a única competição que vale a pena se envolver é entre você e o seu consciente.

Devemos nos inspirar e aprender com aqueles cujas habilidades são mais fortes do que as nossas em uma dimensão específica, mas não nos tornando como ‘abaixo de ninguém’. Se eu estiver melhor hoje do que na semana passada, mesmo que não seja tão bom quanto ‘Fulano’, já é um progresso, e isso vale a pena celebrar.

#03 – DESIGN BOM É DESIGN ÓBVIO

Um bom design deve ser obviamente bom para as pessoas que se destinam. Eu tinha uma ideia em mente que a avaliação do trabalho de design deveria ser deixada aos designers. Afinal, somos os especialistas, e assim, quando o público geral vinha com suas opiniões, eu ouviria sem entusiasmo. Eles não têm todo o contexto, eu pensaria. Eles não conhecem o histórico desta discussão.

Infelizmente, o que não consegui levar em conta foi que as pessoas cuja avaliação é a mais importante são as pessoas para as quais você está projetando.

professional creative graphic designer desk

Claro que o contexto e história são muito importantes para as construções, mas no fim do dia, o sucesso de um projeto não depende unicamente de nós.  Se você pudesse acenar uma varinha mágica e tornar a solução perfeita na sua cabeça uma realidade, eu aposto que haveria muita discussão necessária. Dessa forma, mostraríamos exatamente o que ele queria. Afinal, parte do trabalho é ler e entender o usuário e a necessidade.

Nós, os criadores, somos os únicos que complicam a discussão, porque as restrições que enfrentamos nos impedem de chegar ao ‘perfeito’. Não há nenhuma API de leitura mental atualmente disponível, infelizmente. Então, à luz dessas realidades, muitas vezes estão em discussões e análises sobre qual caminho é o melhor/menos ruim.

No final do dia, as pessoas para as quais estamos projetando não têm nenhum desse contexto, história ou compreensão das restrições que enfrentamos. E ainda assim, eles continuarão a julgar. A única coisa que importa é se o seu design funciona para resolver o problema que você pretende resolver.

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Como falei, essa série foi um dos meus melhores artigos. Muito feliz por ter descrevido algo que realmente sinto.

Se tiver algo à complementar, fala aí nos comentários. Vamos trocar ideia!

Abraços e bons pensamentos.

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