Artes

O autorretrato fotográfico nos tempos das selfies

Arno Minkkinen, Mouth of the river, 2014

Você faria uma ‘selfie’ pendurado num penhasco por alguns minutos até conseguir registrar a cena? Ou se enterraria na neve, por outros tantos minutos, para conseguir o ângulo fotográfico perfeito? Ou então mergulharia num lago prendendo a respiração por longos minutos até conseguir fotografar parte do seu corpo na paisagem? Parece um tanto arriscado e sofrível fazer uma ‘selfie’ nestas condições, pois afinal é tão simples e fácil fotografar-se em momentos ordinários da vida, por que aventurar-se nos extraordinários?

Pois o fotógrafo finlandês-americano Arno Rafael Minkkinen gosta de aventurar-se pelos momentos extraordinários da vida. Testando os limites do corpo e da imagem fotográfica nos encaminha por um universo incomum e imaginário. Segundo ele algumas de suas imagens “podem parecer simples, mas em realidade provam os limites de um corpo humano e sua capacidade e disposição ao risco.”

Fosters Pond, 2000

Há praticamente 40 anos ele realiza autorretratos experimentando uma série de cenários, onde a simbiose entre seu próprio corpo nu e a natureza é a principal fonte de inspiração.  Concebe suas fotos sem manipulações, sobreposições ou recursos de pós-produção e até 2012 utilizava uma câmera analógica, ou seja, depois de longa exposição em determinada posição, ele só veria o resultado após a revelação do negativo, então tudo deveria ser pensado e milimetricamente calculado para atingir o resultado esperado, pois como diz ele “tenho nove segundos para entrar em cena, ou se estou usando um cabo de disparo à distância, posso pressioná-lo e tirá-lo de cena sabendo que nove segundos depois a câmera irá disparar.” Raramente o rosto do fotógrafo aparece nas fotos, isso só acontece quando ele quer evidenciar sua presença como criador das imagens do seu próprio corpo frente à natureza. O que interessa a ele é retratar o seu corpo nu significando o corpo de um ser humano em sua natural humanidade.

King of Fosters Pond, 2013

“…não há manipulação de nenhum tipo, não há dupla exposição ou negativos sobrepostos. Felizmente comecei décadas antes da invenção do Photoshop. O que você vê na imagem é exatamente o que aconteceu.”

Grand Canyon, 1995

“Se você vai ficar debaixo da neve, fique debaixo da neve. (…) considere a realidade como colaboradora na invenção da imagem, não sobreponha múltiplas imagens para criar impressões.”

Fosters Pond, 1996

“Crie em signo de igualdade entre a natureza e a nudez.”

Continental Divide at Independence Pass, Colorado, 2013

“Só a câmera sabe o que aconteceu. Você não saberá até ver o negativo e fazer o positivo. O mistério seguirá sendo um mistério, nas boas imagens.”

Maroon Bells Sunrise, Aspen, Colorado, 2012

“Os artistas que acreditam que controlam tudo controlam o que sabem. Artistas que permitem que forças externas intervenham são como canoas que correm pelas corredeiras. As rochas estão lá. Se você luta contra elas, você voa pela proa. Se você permitir que a corrente o leve, você pode passar facilmente. A cada curva uma dádiva rara.”

Esses são alguns dos ‘conselhos’ que o fotógrafo nos dá no seu site quando explica “Como trabalhar da maneira que eu trabalho”. Que tal arriscar na sua próxima ‘selfie’…?

http://www.arno-rafael-minkkinen.com

 

 

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