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O Rio dos anos 20 através das ilustrações de J. Carlos

acervo: Memória Gráfica Brasileira

Chargista, ilustrador e designer gráfico. Considerado um dos maiores representantes brasileiros do estilo art déco, J. Carlos também fez esculturas, foi autor de teatro de revista e letrista de samba. O talento foi reconhecido até mesmo por Walt Disney que, quando de visita ao Brasil, tentou, sem êxito, levar o artista para Hollywood.

José Carlos de Brito Cunha nasceu no Rio de Janeiro em 1884, mesma cidade onde faleceu em 1950. Além do traço e cuidado na diagramação, o que chama a atenção nos seu trabalhos é o fato de serem uma crônica visual do período em que foram produzidos. São memórias importantes da política, sociedade e costumes brasileiros da primeira metade do século XX.

Desenhista incansável, produziu, em 40 anos de carreira, mais de 50 mil desenhos, registrando as profundas transformações pelas quais passaram o Brasil e o mundo, da República Velha ao Estado Novo, a Revolução de 1930, duas guerras mundiais, mudanças urbanísticas e novos hábitos no Rio de Janeiro. Viu serem erguidos arranha-céus, a chegada do automóvel, do cinema, da televisão e o surgimento de novos costumes, como famílias frequentando a praia ou torcendo em estádios de futebol. Grandes mudanças que J. Carlos eternizou em seus desenhos.
Instituto Moreira Sales

Como a maior parte de sua carreira se deu na imprensa, poucos são os originais. As revistas feitas em papel frágil são de difícil preservação e encontravam-se em decomposição. Porém, um acervo precioso encontra-se disponível gratuitamente na internet! Foram digitalizadas duas das publicações mais importantes no cenário nacional da época – O Malho e a Para Todos – entre 1922 e 1930, período no qual foram dirigidas pelo grande designer. 58 mil páginas foram digitalizadas, a partir dos exemplares vindos da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, ou doados por Eduardo Augusto de Brito e Cunha, filho de J. Carlos. Patrocinado pela Petrobras, o projeto foi executado entre 2005 e 2007 pela fotógrafa, professora da PUC-Rio e designer Julieta Sobral e pelo caricaturista Cássio Loredano. Todo o material digitalizado foi doado à Biblioteca Nacional. Abrigado no portal Memória Gráfica Brasileirao site jotacarlos.org permite folhear todas as edições das duas revistas.

Vamos apreciar aqui algumas de suas capas da Para Todos. Elas trazem a melindrosa carioca de J. Carlos, um retrato da transformação da silhueta feminina durante a Era do Jazz, a emergência da menina moderna, antenada com a moda e vítima do consumismo. Assim como o cinema brasileiro da época, a veneração por Hollywood aparece na direção de arte das capas que reproduzem o modelo americano (incluindo o insensível blackface).

Inspirador!

Bônus: O projeto J.Carlos em Revista compreendeu ainda a realização de dois livros construídos a partir do conteúdo do material digitalizado: O Vidente Míope e O Desenhista Invisível. Este último tem importância especial para nós, criativos, já que traz uma análise da faceta menos explorada de J. Carlos, exatamente sua atuação como designer gráfico. Os textos são da maravilhosa Julieta Sobral com que tive o prazer de ter aulas durante minha graduação na PUC :)

 

Imagens: J. Carlos em Revista, disponíveis em http://www.jotacarlos.org
Citação: http://www.ims.com.br/ims/explore/artista/jcarlos

 

 

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