Cinema e Séries

Piratas do Caribe 5 é a redenção da série

Você pode até não gostar de Johnny Depp, mas vai ter que tirar o chapéu para o novo filme da saga Piratas do Caribe 5 – A Vingança de Salazar (Pirates Of The Caribbean – Dead Men Tell No Tales, EUA, 2017). Diferentemente da decepção que foi o quarto capítulo e a degradação natural do enredo, o quinto longa dá fôlego à história ao se voltar novamente para a trama original, que encantou o público em 2003, com A Maldição do Pérola Negra.

Quando o primeiro filme foi lançado, há 14 anos, pode-se considerar que Johnny Depp encenou o papel de sua vida, aquele pelo qual o ator ficaria marcado e que a crítica insiste (com razão) em dizer que seu intérprete ainda não conseguiu se separar do Capitão Jack Sparrow.

A saga foi muito bem aclamada durante as primeiras investidas cinematográficas, contudo, o teor do terceiro e especialmente do quarto filme afastaram os fãs da série, pois a tentativa de continuidade e expansão a todo custo não agradaram. Com base nisso, temos um novo Piratas do Caribe que volta ao seu eixo central, aquele em que Geoffrey Rush, Orlando Bloom, Johnny Depp, Kevin McNally e de quebra, o navio Pérola Negra e o macaquinho Jack transitam com familiaridade e cativam a atenção do público imediatamente.

Visita a Will Turner

Para essa nova aventura, temos Henry Turner (Brenton Thwaites) caçando Jack Sparrow para conseguir quebrar a maldição que mantém seu pai, Will Turner (Orlando Bloom), preso ao Holandês Voador por todos esses anos. A única forma de livrar Will do fundo do mar é possuindo o Tridente de Poseidon, artefato que domina os mares e as feitiçarias aquáticas.

Em meio a essa busca, o público é apresentado à órfã Carina Smyth (Kaya Scodelario), uma astrônoma acusada de feitiçaria que ajuda o jovem Turner a localizar a relíquia marinha, a mesma procurada por Sparrow, Barbossa e o temido Capitão Salazar (Javier Bardem), que busca vingança contra Jack Sparrow por ter sido aprisionado em uma ilha enfeitiçada anos antes.

Capitão Salazar nos bons tempos.

A presença de Javier Bardem no elenco foi extremamente acertada. Bardem se misturou aos capitães já conhecidos e conseguiu emanar perigo e inteligência no seu vilão, que vem acompanhando de um time de mortos (destaque para os efeitos especiais) que aterrorizam o mar. A maquiagem do personagem está impecável, e quando somado aos efeitos especiais, a sensação que temos é um Salazar que flutua na água ao invés de andar pelo convés do navio.

Maquiagem e efeitos especiais oferecem um excelente resultado.

O filme ainda conta com uma participação ilustre. Depois do guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, dar vida ao pai de Jack Sparrow, chegou a vez do músico Paul McCartney dar vida ao tio de Jack, preso na mesma cidade e que ajuda brevemente o sobrinho a se safar de mais uma condenação fatal.

A história consegue manter o tom leve e o humor na maior parte do tempo. É inegável que em algumas cenas houve uma tentativa malsucedida de encaixar graça onde não tinha, mas o ritmo da história não é maculado por esses deslizes.

Mais um Turner atrás de Jack Sparrow.

Afora o brilhantismo e a entrega do elenco ao filme, no quesito técnico o novo Piratas está louvável na edição de som, efeitos especiais, coloração e uso do 3D. A trilha sonora recomenda a todo momento o tema original de 2003, que acompanhou a evolução dos longas, mas que agora é rememorada com uma intensidade acentuada, nos fazendo lembrar a toda hora o motivo pelo qual nos apaixonados pela história há mais de uma década atrás.

A volta do Pérola Negra.

A Vingança de Salazar devolveu a grandiosidade e o espírito impetuoso que haviam se perdido nos últimos longas de Piratas do Caribe. Geoffrey Rush ganha espaço para aprofundar o que o público sabe sobre Capitão Barbossa. A conquista do título de capitão pelo protagonista é esclarecida, e até a origem dos seus adereços ganham explicação. A tripulação do Pérola Negra reconquista o mesmo destaque cômico do primeiro filme. Novos rostos reforçam a equipe já prestigiada do elenco original e garantem um desfecho vibrante (atenção para a cena pós-crédito!).

É certo dizer que o quinto filme será decisivo para a continuidade da história, que flerta a todo momento com o encerramento, mas deixa espaço para o futuro. Se este for o último, então a missão foi belamente cumprida; se não for, o mesmo nível de competência deste quinto deve ser mantido para o próximo.

Nesse mesmo sentido, encontra-se o destino de Johnny Depp como ator aclamado. Após as denúncias que implodiram seu casamento em 2016, o ator viu seu prestígio esvair de Hollywood com a mesma velocidade que Sparrow seca uma garrafa de rum. Até agora, nem o segundo filme de Alice do diretor Tim Burton, nem a aparição na saga Animais Fantásticos fez com que Johnny pudesse voltar a ser recebido confortavelmente pelo público geral. Sua manutenção em Hollywood depende, nesse momento, das artimanhas de Jack Sparrow, já que o ator vem colecionando fracassos de bilheterias em seus últimos trabalhos.

É interessante observar que o emaranhamento existente entre ator e personagem, ditas no início do texto, hoje condenam ambos ao mesmo destino. Homens mortos não contam histórias e caberá a Johnny Depp e Jack Sparrow manterem-se vivos para continuarem contando as suas. A carreira de Depp e a continuidade de Sparrow nos cinemas estão, literalmente, no mesmo barco. E incumbirá a Piratas do Caribe 5 definir se a fábula e seu protagonista afundam de vez ou receberão a ajuda do Tridente de Poseidon.

Assista ao trailer:

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