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Tempestade – Planeta em Fúria | um lembrete sobre o real perigo para a humanidade

No ano de 2019, as enchentes, furacões e secas em escala poderão levar a humanidade ao colapso acaso não haja cooperação internacional no sentido de cuidar do clima no planeta. Pensando nisso, o engenheiro Jake Lawson (Gerard Butler) cria uma rede de satélites capazes de regular água, pressão e temperatura, fazendo com que nuvens pesadas sejam aniquiladas e regiões áridas sejam resfriadas para equilibrarem a temperatura na terra. Parece que a humanidade foi salva, mas não é exatamente isso que ocorre. 3 anos depois, afastado de seu programa, Jake é reconduzido ao cargo para reparar uma sequência de falhas catastróficas na malha tecnológica que está protegendo o planeta.

Em Tempestade – Planeta em Fúria (Geostorm), do diretor Dean Devlin (produtor das sequências Independent Day), o fim do mundo está orquestrado nas mãos do próprio ser humano, que o faz por razões pessoais, políticas e de ego. A ameaça soa muito mais real do que uma invasão alienígena, mas os efeitos devastadores são semelhantes.

Detentor de um apelo visual muito forte, o longa se apoia nos efeitos especiais para oferecer imagens em uma proporção nunca vivenciadas pelos habitantes da terra, até então. Enchentes dominam metrópoles, assim como geadas e calor em excesso, transformando em ruínas cidades conhecidas mundialmente. Para isso, some-se ao extenso uso dos efeitos visuais uma mixagem de som digna do Apocalipse. As imagens de variadas nações sofrendo os percalços do clima não deixam de soar como avisos ao público, que naturalmente compara as cenas fictícias com a realidade de furacões, degelo das calotas polares e secas severas, constantemente noticiadas pelos jornais mundo afora.

Entretanto, há que se reconhecer que as tragédias climáticas são apenas o pano de fundo para os dramas vivenciados pelos personagens. O material humano foi bem elaborado e a profundidade emocional dos personagens dividem o protagonismo juntamente com os problemas climáticos. Jake Lawson se ressente pelo fato de ter despendido todo seu tempo no projeto do dutch boy (apelido da rede de satélites), que levou sua esposa a desistir do casamento. Nesse mesmo projeto, depois de se insubordinar a um senador, Lawson perde o cargo de diretor para seu próprio irmão Max, que é o estopim para o total afastamento de ambos, que passaram toda sua vida em um liame de mágoas recíprocas.

O enredo tece relações delicadas a todo momento, seja no âmbito familiar, profissional, afetivo ou político. O filme é avaliado de forma positiva por seu elenco multicultural e racialmente diversificado. Para o dutch boy, constam representantes da Ásia, América Latina, Europa e EUA. Brasileiros se sentirão especialmente representados com a cena de congelamento das praias cariocas em razão de uma pane no satélite brasileiro.

Afora a representação étnica, abre-se um parêntese especial para o empoderamento feminino muito bem traçado neste filme. A atual dirigente do dutch boy é a alemã Ute Fassbinder (Alexandra Maria Lara), e as piadinhas sobre o fato de o protagonista ter sido substituído de seu cargo espacial por uma mulher não passam despercebidas. Mesmo que a inexpressividade da atriz prejudique um pouco as cenas dramáticas, seu posto está garantindo o girl power fora da terra. O mesmo prestígio vale para Sarah Wilson (Abbie Cornish), a guarda-costas do presidente dos Estados Unidos que namora Max Lawson e ajuda o cunhado em sua missão previamente sabotada pela atividade humana. A cena de Sarah salvando a vida do presidente dirigindo um carro autodirigível deve estar no rol das fugas espetaculares de Hollywood, com um adendo de que é uma das poucas onde os homens estão no banco do carona e a mulher é a quem assume o volante.

A larga experiência dos veteranos Ed Harris e Andy Garcia, respectivamente Senador Leonard Dekkom e Presidente Andrew Palma, também potencializam a atuação sutil, de quem deixa rastros quase imperceptíveis e transmitem longas mensagens através de um simples olhar. A dupla representa a temática política por trás das conspirações e levantam questões éticas acerca do poder de representar toda uma coletividade e de ser parte de um mundo prestes a ruir acaso não procure dar as mãos. O dever ambiental é acentuado quando se fala de dirigentes globais e a trama não deixa esse assunto passar em branco.

Dessa forma, o resultado na tela é uma obra que consegue misturar toda a grandiosidade cinematográfica de longas do gênero, como Terremoto (2015) e O Inferno de Dante (1996), junto com a emoção em meio à tragédia, tais como O Dia Depois de Amanhã (2004) e O Impossível (2012). A obra consegue agradar tanto ao público que procura um bom drama, como também quem curte efeitos especiais avassaladores. As cenas da vida dentro de uma estação espacial possuem alta qualidade no que se refere aos detalhes da paisagem cósmica e da vizinhança dos satélites e os conflitos que mesclam dramas familiares e dever ético cumprem seu papel para além do que é visto nas telas.

No final das contas, o longa entretém públicos diversificados e cumpre a função cinematográfica de representatividade, sentimento de pertença em relação à terra e uma dose saudável de humor.

Tempestade: Planeta em Fúria estreia em 19 de outubro. Confira o trailer:

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