A inteligência artificial deixou de ser um conceito distante e passou a ocupar um espaço concreto dentro das casas brasileiras. Máquinas que entendem tecidos, geladeiras que influenciam hábitos alimentares e interfaces que simplificam decisões fazem parte de uma nova geração de eletrodomésticos pensados não apenas para funcionar, mas para cuidar da rotina e muito mais: das nossas memórias.
Para entender como tecnologia, design e experiência do usuário se conectam nesse cenário, conversamos com Edianne Menezes, Gerente de Home Solutions da LG Brasil. Em nossa entrevista, ela detalha como a LG vem aplicando inteligência artificial, UX e design estratégico em lavadoras, geladeiras e no ecossistema da casa conectada.

1. A inteligência artificial como “cérebro” da lavagem
Design Culture — A linha Lava e Seca VC (VC2, VC4 e VC5) incorpora a tecnologia AI DD™?. Como essa inteligência artificial interpreta diferentes tipos de tecidos e níveis de sujeira?
Edianne Menezes —
“A AI DD™? funciona como o cérebro da nossa máquina de lavar. Ao iniciar o ciclo, ela não apenas mede o peso da carga, mas também realiza movimentos sutis no cesto para detectar a maciez e a textura dos tecidos. Esses dados são cruzados, em tempo real, com um vasto banco de dados de mais de 20.000 padrões de lavagem. Com base nessa análise, a IA seleciona a combinação ideal dos nossos 6 movimentos de lavagem (6 Motion) para aquela carga específica, garantindo a máxima performance de limpeza com o mínimo de desgaste para as fibras.”
2. A máquina aprende com o usuário?
Design Culture — Podemos dizer que a máquina “aprende” com o comportamento do usuário?
Edianne Menezes —
“Essa é uma ótima pergunta. Mais do que aprender com um único usuário, a AI DD™? já vem ‘formada’ com um vasto conhecimento prévio. É como se ela já tivesse feito um doutorado em tecidos antes de chegar à sua casa. Ela aplica todo esse ‘big data’ de 20.000 padrões para tomar a melhor decisão para cada lavagem individual. A ‘aprendizagem’ dela é a aplicação desse conhecimento massivo à realidade única de cada carga de roupa que você coloca nela.”
3. Interface simples para tecnologia complexa
Design Culture — Como o design da interface comunica essa tecnologia avançada de forma simples e intuitiva para o consumidor?
Edianne Menezes —
“O melhor design de interface, neste caso, é aquele que quase não se percebe. A beleza da AI DD™? está em simplificar, e não em complicar. Nossa interface, com um painel Touch LED limpo e direto, foi pensada para que o usuário precise fazer o mínimo. Ele escolhe um ciclo base, como ‘Algodão’ ou ‘Mix’, e a tecnologia assume a complexidade a partir daí. A mágica acontece ‘por dentro’, e o resultado é visto na roupa limpa e bem cuidada, e não em um painel cheio de botões.”
4. Automação inteligente com controle humano
Design Culture — Existe um equilíbrio entre automação e controle manual? Como vocês pensaram essa experiência de uso?
Edianne Menezes —
“Totalmente. Nossa filosofia é a da automação inteligente com controle opcional. A AI DD™? sempre oferecerá o que consideramos o caminho ideal para a melhor lavagem e proteção. No entanto, o poder de escolha continua com o usuário. Ele pode, a qualquer momento, ajustar manualmente a temperatura, a velocidade de centrifugação ou adicionar funções extras. Pensamos na experiência como uma parceria: a máquina oferece sua expertise, mas o usuário é o mestre da sua lavanderia.”
5. Cuidado com tecidos delicados e peças afetivas
Design Culture — De que forma a tecnologia ajuda a preservar tecidos delicados, como fantasias e abadás, especialmente após o Carnaval?
Edianne Menezes —
“É exatamente aí que a AI DD™? brilha. Ela consegue diferenciar a robustez de um abadá de algodão da delicadeza de uma fantasia com lantejoulas e tecidos sintéticos finos. Para o abadá, ela pode aplicar movimentos mais vigorosos para tirar manchas de suor e bebida. Já para a fantasia, ela escolherá movimentos suaves, como o de oscilação, que limpam sem causar o atrito que poderia danificar os apliques ou o tecido. É um cuidado personalizado que garante que a roupa da festa sobreviva para a próxima.”

6. Eletrodomésticos também cuidam de memórias
Design Culture — A campanha sugere que a tecnologia cuida das “memórias afetivas” do Carnaval. Como vocês enxergam essa conexão entre eletrodomésticos e emoção?
Edianne Menezes —
“Nós enxergamos essa conexão como o centro da nossa razão de existir. Um eletrodoméstico não é um objeto inanimado na casa; ele é um cuidador silencioso da nossa rotina e, por extensão, das nossas memórias. A mancha de vinho em uma camisa não é só uma mancha, é a lembrança de um jantar feliz. A fantasia de Carnaval não é só um tecido, é a materialização da alegria daquele dia. Quando projetamos uma tecnologia que cuida dessas peças, estamos, em essência, projetando uma forma de preservar essas memórias.”
7. Brasil como referência de uso real
Design Culture — O desenvolvimento desses produtos considerou hábitos específicos do consumidor brasileiro?
Edianne Menezes —
“Sim, sem dúvida. O consumidor brasileiro tem particularidades que levamos muito em conta. A necessidade de lavar itens volumosos, como edredons de casal, nos levou a investir em modelos de alta capacidade, como os de 14kg e até 18kg. Além disso, a intensidade de uso e as manchas típicas de um clima tropical influenciam a calibração dos nossos ciclos.”
8. Design como alívio da carga mental
Design Culture — Como o design pode transformar tarefas domésticas em experiências mais leves e inteligentes?
Edianne Menezes —
“O design transforma a obrigação em satisfação. Isso acontece no design estético, no ergonômico e, principalmente, no design de experiência (UX). Ao criar interfaces intuitivas e ciclos inteligentes que pensam pelo usuário, o design remove a carga mental da tarefa. Você aperta um botão e confia que o melhor será feito.”
9. Economia de água e energia na prática
Design Culture — Quais impactos reais a AI DD™? traz em relação à economia de água e energia?
Edianne Menezes —
“O impacto é direto. Uma máquina LG de 14kg com AI DD™? pode economizar até 2/3 da água em comparação com um modelo de abertura superior da mesma capacidade. Essa otimização acontece em cada lavagem e gera impacto real na conta de água e luz.”
10. Geladeiras que mudam comportamentos
Design Culture — No caso das geladeiras com InstaView™?, há dados que comprovem redução de desperdício alimentar?
Edianne Menezes —
“O InstaView™? muda o hábito de ‘abrir para descobrir’ para ‘ver para planejar’. Isso incentiva o aproveitamento dos alimentos, reduz compras por impulso e combate duas grandes causas do desperdício doméstico.”
11. Saúde e conservação dos alimentos
Design Culture — A tecnologia Hygiene Fresh+™? contribui de que maneira para a conservação dos alimentos e para a saúde da família?
Edianne Menezes —
“O Hygiene Fresh+™? remove até 99,999% das bactérias e neutraliza odores. O resultado é um ambiente mais higiênico, alimentos frescos por mais tempo e mais saúde para a família.”
12. Organização como experiência visual
Design Culture — Como o InstaView™? influencia a organização da cozinha?
Edianne Menezes —
“A geladeira vira um painel de controle da cozinha. A visibilidade incentiva organização e planejamento, tornando a lista de compras mais precisa e a rotina mais eficiente.”
13. Geladeira como ponto de partida para hábitos saudáveis
Design Culture — Vocês enxergam as geladeiras como parte de uma jornada maior de reorganização da alimentação?
Edianne Menezes —
“Com certeza. A geladeira é o hub da rotina alimentar. Organização, planejamento e redução do desperdício começam ali.”
14. Design como principal diferencial da categoria
Design Culture — Como você vê o papel do design na diferenciação da categoria Home Solutions nos próximos anos?
Edianne Menezes —
“O futuro está na integração premium, na sustentabilidade e na personalização. O design deixará de ser sobre ter um produto e passará a ser sobre compor um estilo de vida.”
15. O futuro da casa inteligente no Brasil
Design Culture — Estamos preparados para uma integração mais profunda entre IA e cotidiano?
Edianne Menezes —
“O consumidor brasileiro está pronto e quer uma IA útil, simples e interoperável. A era dos gimmicks acabou. A casa inteligente será adotada quando resolver problemas reais — e é nisso que estamos focados.”
Mais do que eletrodomésticos conectados, a conversa com a LG revelou uma mudança de paradigma: a casa inteligente deixa de ser sobre tecnologia visível e passa a ser sobre decisões invisíveis que facilitam a vida. Ao unir inteligência artificial, design de experiência e compreensão profunda dos hábitos brasileiros, a marca aponta para um futuro em que lavar roupas, conservar alimentos e organizar a rotina não exigem mais esforço cognitivo, apenas confiança. No fim, o verdadeiro avanço não está nos sensores ou nos algoritmos, mas na capacidade do design de transformar tecnologia em cuidado cotidiano, conceito que a LG vem fortalecendo nos últimos anos.
