Cinema e Séries

Alita: Anjo de Combate – Excelente integração de Design e Cinema

Incrível e poderoso! É assim que já classificamos o longa sobre uma garota guerreira que sabe bem o que quer, mesmo sem saber quem é, a princípio. Alita: Anjo de Combate é uma superprodução com efeitos especiais poderosos e uma adaptação incrível do mangá original, com Design excelente!

A história se passa em 2563 e gira em torno da Alita, ciborgue com cérebro ainda funcional, encontrado pelo conhecido Dr. Ido (Christoph Waltz, de “Pequena Grande Vida”) que vasculha o lixo nas montanhas de sucata descartadas da tão desejada cidade flutuante, Zalém. Ele resgata a ciborgue e dá um novo corpo a esta, que o faz lembrar em muito sua saudosa filha que fora morta por um incidente frustrante – Ido vê em Alita uma forma de ter novamente a companhia da filha que não sobrevivera a um ataque criminoso. Alita, acorda sem memória e fica encantada com tudo ao redor, trazendo grandes emoções à nova descoberta de um mundo perigoso e encantador, ao mesmo tempo.

Dr. Ido sempre procura partes cibernéticas para tratar e dar melhores condições de vida digna à população da Cidade do Ferro, que foi construída na região abaixo de Zalém, envolta nas montanhas de entulho dispensadas pela cidade flutuante. É cada vez mais comum e natural o fato de as pessoas terem partes robóticas interligadas a seus corpos nesse tempo futuro, inclusive, alguns humanos são quase inteiramente metálicos. E esse é, basicamente, o ambiente onde nossa heroína vai encarar um grande desafio: lidar com suas emoções joviais, sem abrir mão de seu desejo: ser uma defensora dos mais fracos. E isso se fortalece com a descoberta de sua grandiosa habilidade em artes maciais e a descoberta de que é a última – e mais temida – de sua linhagem de guerreiros.

De uma forma, geral, Alita parece ser uma obra feita de fã para fã, já que a adaptação de seu referido mangá está bastante evidente. Essa proposta, por incrível que pareça, agrada não somente a nerds e fãs de sua produção impressa, mas ao público geral, já que o misto de emoção, drama e ação estão encorpados amigavelmente na superprodução (que já quero assistir de novo, inclusive). A história de uma adolescente vivendo um romance ao descobrir a paixão por um rapaz gentil e corajoso e ao mesmo tempo ser uma garota cuja bravura não a tira de uma briga e que luta pra defender os mais fracos é realmente um bom composto para atrair o público ao cinema e sair sem fôlego com tamanha produção que o longa traz, com a proposta de entregar uma protagonista poderosa, em um mundo deslumbrante, visualmente e dramaticamente. As recorrentes situações de batalha são também um bom atrativo, já que empolgam e são igualmente divertidas, como ocorre na sequência da partida de motorball, o esporte mais evidente nesse mundo futuro, onde ciborgues competem numa arena de batalha, perseguindo um tipo de bola, digladiando entre si até a linha de chegada.

Claramente, os nomes por trás do produto mostra como o projeto foi muito bem elaborado. Isso faz com que o filme (com produção de James Cameron e Jon Landau, com direção de Robert Rodriguez, de ”Sin City: A Dama Fatal”) seja, muito provavelmente, a melhor adaptação de um mangá (de Yukito Kishiro) já produzida em Hollywood.

Falando de produção em si, o material é muito bem feito. O CGI é um dos destaques. A integração com a realidade fica bastante sutil e isso deixa essa mistura bastante homogênea e acima da média; torna o ecossistema da história incrível e nítido, com as cenas de luta agradavelmente inteligíveis e com ampla capacidade de percepção. O projeto é ainda mais forte do ponto de vista do Design como um todo, com uma Direção de Arte grandiosa, funcionando muito bem ao trazer a realidade de uma cidade que sofre com desigualdades, mas segue firme na vida cotidiana, com suas ruas sujas e pobres, mas igualmente ativas e dinâmicas. Fica bastante aceitável de se perceber como o Storytelling nos remete à ideia de que as pessoas do filme já vivem aquela realidade há muitos anos e que isso não as impede de continuarem lutando por seus sonhos, como o de serem aceitos em Zalém, por exemplo.

Com um elenco notavelmente rico, tendo gente como Rosa Salazar, de “Bird Box” interpretando nossa guerreira Alita; Keean Johnson, da série “Guidance”, como seu amado Hugo; o vilão Vector sendo interpretado por Mahershala Ali, de “Green Book – O Guia”, além de Christoph Waltz, de “Pequena Grande Vida” como Dr. Ido e Michelle Rodriguez, de “Velozes e Furiosos”, bem como Jennifer Connelly, de “A Beautiful Mind” e Jorge Lendeborg Jr, de “Bumblebee”, esse projeto traz grandes emoções e grandes motivos para agradecer por uma produção tão bem desenvolvida.

E é isso, vale muito à pena ir ao cinema prestigiar essa grande aventura super produzida. A todos, graça, paz e um copo de suco – com pipoca também.

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