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Vivendo em conflito: entre a criatividade e a depressão

Nas mais diversas manifestações artísticas, é comum encontrar exemplos de grandes gênios que sofrem ou sofreram de transtornos mentais. Mais comumente, esquizofrenia, transtornos de humor e, entre tantos outros, o mais comum eram a ansiedade e a depressão.

Uma das razões de existir do movimento denominado Romantismo era uma constante angústia e, segundo alguns pensadores e pesquisadores pessimistas (nos quais me incluo) um final triste. Para ser romântico tem que haver um final triste, mas isso é assunto para outro artigo.

O mercado, como já comentei em outros artigos, exige cada vez mais competências que se diferem do comum. Resiliência, dinamismo, mas principalmente, criatividade são exigidos não só nas áreas de comunicação, mas se estendem a diversos setores. O que transforma e altera uma realidade que há muito tinha padrões parecidos, mas que na atual sociedade de mercado e em suas relações, simplesmente não se encaixam.

Esses movimentos, naturais em nossa história, trazem consigo consequências nem sempre tão positivas e animadoras.

Com crescimento alarmante, a depressão e outras doenças tem se tornado uma grande preocupação para diversos setores corporativos e de saúde.

Somente em 2017,  75,3 mil trabalhadores foram afastados em razão do mal, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes motivadas por transtornos mentais e comportamentais. Nesse número não só a depressão é causativa, mas também ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenia e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e cocaína.

A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que, até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que entre 20% e 25% da população tiveram, têm ou terão um quadro de depressão em algum momento da vida | ÉPOCA

Diversas pesquisas tem sido realizadas a fim de encontrar as principais causas e possíveis tratamentos. O que temos como consenso é que as pessoas que experimentaram a depressão, em geral se encontram em estado de isolamento ante o outro. A sensação de agonia, falta de fôlego e extrema ansiedade, culminando em um vazio que aprisiona.

Nesse sentido, algumas pesquisas apontam que a depressão pode ter causas muito diferentes do que comumente observamos. Uma delas é a da relação de mentes criativas com a depressão e diversos outros distúrbios.

A grande questão é que nessa perspectiva, os dados levantados no mercado criativo apontam para relações de maior incidência  como a rotina de trabalho exaustiva, assedio moral e a estafa. Sendo que pesquisas atuais apontam que criativos sofrem depressão dado interações do seu cérebro com o ambiente. Explico: parte dos criativos se sentem depressivos pela sua relação com o mundo que os cerca.

CRIATIVIDADE, FLEXIBILIDADE E CONFLITO

A criatividade permite uma maior relativização dos processos e soluções. Através dela conseguimos flexionar olhares e encontrar soluções, em grande parte simples e práticas para problemas apresentados. Quando falamos de relações de trabalho isso se demonstra um grande diferencial para melhor posicionamento ou para demissão.

Em geral, as pessoas possuem uma relação mais passiva com figuras de autoridade. A submissão é consentida por uma estrutura hierárquica normalmente adotada, possibilitando maior facilidade na execução de processos.

Na mente criativa, essas relações são mais complicadas dado que sua mente aponta possibilidades maiores ante a apresentação de processos e padrões. Para simplificar, uma empresa possui processos específicos que visam resolver cada situação. Uma pessoa comum, repete os processos, executando como o foi determinado. Já o criativo, amplia o olhar e dificilmente enxerga apenas uma forma de lidar com cada situação. Apesar de parecer extremamente positivo e promovido “aos quatro ventos” como um grande diferencial desejável pelo mercado, aqui estamos tratando do que há por trás dessa competência e seus impactos.

Seguindo o exemplo acima, dificilmente um criativo se “sente parte”. Para nós – me incluo nesta parcela – o processo reflexivo e a possibilidade de diversas soluções, nos coloca sob um olhar e prática mais líquido, termo esse cunhado pelo Filósofo Polonês  ZYGMUNT BAUMAN,  Temos uma perspectiva diferente de mundo. Questionamos, avaliamos, analisamos tudo. Isso comumente nos leva a sentimento de não pertencimento, ansiedade e/ou depressão. Nos sentimos estranhos em um ambiente normal para muitos, mas para um criativo, é sufocante.

EMPREENDER COMO “SER PARTE”

Muito pode ser acrescentado, mas gostaria de prosseguir para um dos aspectos mais críticos.

A média de permanência com vínculo empregatício no Brasil tem média e 3,2 anos segundo números do IBGE. No mercado de comunicação esse número cai vertiginosamente por diversos fatores, sendo alguns deles:

  • Baixo desempenho;
  • Falta de adequação à cultura da empresa;
  • Relacionamento ruim com a equipe
  • Atrasos e faltas
  • Relacionamento ruim com o superior

As causas de demissão são listados em pesquisa realizada pela Consultoria Robert Half que aponta que um dos fatores que ocasionam maior oscilação no quadro das empresas são as relações interpessoais e produtividade.

Temos então, um cenário onde o criativo tem menor permanência em boa parte dos casos dadas aos fatores que citei anteriormente, resultando num grande volume de profissionais empreendendo de forma e pela motivação errada.

Não entendendo a si mesmo e, normalmente, culpando as empresas pelo não aproveitamento de seu potencial criativo, entram em um mercado competitivo e rápido. Alguns como Freelancers outros arriscam-se mais, abrindo agências e estúdios. Contudo, as instabilidades e deficiências continuam ali o que resulta em um aprofundamento dos sintomas que citei.

SEM FUGAS, SEM CULPAS

Instabilidade profissional, rendimento abaixo da capacidade intelectual, falta de foco e atenção, dificuldade de seguir rotinas e dificuldade de planejamento e execução das tarefas propostas são apenas alguns dos problemas enfrentados por grande parte dos criativos e o grande gatilho para doenças e transtornos citados.

Contudo, sua capacidade criativa e suas oscilações são partes de você. Elas dificilmente serão sanadas. O que há são formas de lidar com essas competências e deficiências. Sem culpas, abrace sua criatividade e adote rotinas que possibilitem o melhor uso dessa ferramenta tão importante.

Procure ajuda profissional para determinar possíveis transtornos como TDA, TDAH, que contam com diversas formas de acompanhamento ou para maior entendimento e possíveis abordagens para que você possa viver melhor e de forma mais produtiva.


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