O rebranding da Natura parte de uma decisão clara: evoluir sem romper. Em vez de uma mudança abrupta, a marca opta por um redesenho cuidadoso, que preserva seu capital simbólico e reconhecível, ao mesmo tempo em que ajusta sua linguagem às exigências do presente. É um movimento que entende marca como organismo vivo que se adapta, mas carrega história.
Design para o tempo da aceleração
Vivemos um cenário em que as marcas disputam atenção em ambientes digitais fragmentados, velozes e saturados. O novo sistema visual da Natura responde diretamente a esse contexto. A simplificação formal, o ganho de legibilidade e a flexibilidade do logotipo indicam um design pensado para performar bem em telas pequenas, feeds infinitos e múltiplos formatos, sem perder identidade.
O refinamento do logotipo e a adoção de uma tipografia mais funcional e contemporânea não são escolhas neutras. Elas comunicam clareza, acessibilidade e proximidade, valores historicamente associados à marca. O desenho mais limpo e equilibrado reforça a ideia de uma Natura menos ornamental e mais essencial, alinhada a uma estética de maturidade.
Cor como presença e afeto

A ampliação e o ajuste da paleta cromática, com destaque para um laranja mais vibrante, reforçam a presença emocional da marca. A cor deixa de ser apenas um elemento de reconhecimento e passa a atuar como ferramenta narrativa, evocando calor humano, vitalidade e conexão, aspectos centrais no discurso da Natura.
O rebranding evidencia um sistema menos rígido e mais permissivo. A linguagem visual passa a aceitar variações, composições mais livres e uma iconografia que dialoga com diversidade, território e experiência sensorial. Isso indica uma compreensão contemporânea de branding: não como controle absoluto, mas como coerência flexível.
O caso da Natura reforça uma ideia fundamental para o campo do design: identidade visual não é maquiagem. O rebranding atua como ferramenta estratégica de posicionamento, ajudando a marca a se manter relevante culturalmente, sem recorrer a modismos passageiros. Trata-se de design a serviço de visão de longo prazo.
O reposicionamento da Natura se insere em um movimento mais amplo observado em marcas globais consolidadas: menos ruído, mais clareza; menos excesso, mais sistema. Em um mundo hiperestimulado, a sofisticação passa a estar na simplicidade bem pensada.
O rebranding da Natura não grita. Ele conversa. E talvez seja exatamente isso que o torna um bom exemplo de design contemporâneo.


1 Comentário
Vejo uma tendência nas marcas ao minimalismo. No caso da Natura, ficou interessante. Mas nem sempre é assim.