Ato 1 – O que é “O Estranho: Capítulo Final”?
Depois de uma longa jornada de mortes, corridas pela floresta e luta com um javali, o pesadelo de Maya (Madelaine Petsch) chega ao seu capítulo final. Será que nossa sobrevivente superou mais um filme? Em “Os Estranhos: Capítulo Final”, a perseguição chega ao ápice com a seguinte premissa: “Após tomar as rédeas no capítulo anterior, Maya terá de enfrentar novos perigos na conclusão de seu encontro — e envolvimento — com os assassinos mascarados.”.
Ato 2 – Comentários gerais
Quem pensaria que um filme sobre três estranhos matando pessoas numa cidade estranha geraria uma trilogia? Pois foi o que fizeram, e aqui estamos na parte final da história de Maya (Madelaine Petsch) e dos estranhos mascarados. E a sensação que fica é: “era necessário mesmo?”.
Com noventa minutos de duração, o filme tenta se sustentar na mesma estrutura: foge, bate mais um carro, é capturada, reviravolta e flashbacks nada interessantes ou que agreguem de fato à trama. O que fica é a sensação de estar vendo o mesmo filme, só que com uma mudança ou outra e a adição de mais personagens apenas para gerar mortes sem real importância para a história.
A protagonista segue sendo o ponto mais interessante de todo o filme. Porém, a insistência em escolhas burras para fazer a trama acontecer e uma mudança de comportamento nada natural fazem com que esse brilho vá todo embora. Já que ela levou praticamente três longas-metragens para conseguir ter a atitude de matar de fato os perseguidores. Não bastava ter matado o seu namorado, ter sido torturada física e psicologicamente. Tinha que perder tudo o que era importante para reagir.
Ademais, a tentativa de relações e desenvolvimento de personagens não funciona. A relação de Maya (Madelaine Petsch) e Debbie (Rachel Shenton) não tem desenvolvimento algum, não há construção plausível para isso. E quando a história tenta usar essa relação como gatilho emocional e de plot twist para a protagonista, não acontece como deveria, pois não sentimos nada em relação às duas.
Outra tentativa de exploração de personagens foi com os Estranhos, tentando fazer aquela típica conexão entre público e vilão, estilo “Hannibal Lecter”. Porém, nenhum deles é interessante ou tem uma história e carisma necessários para isso. Ficando somente na superfície de como realmente nascem serial killers e o estudo da psicopatia.
Assim, juntando esse ponto a várias inconsistências de montagem, narrativa e lógica, já que um único policial corrupto e três birutas conseguem calar e fazer uma cidade inteira ser conivente com crimes, sem nenhuma revolta ou tentativa de chamar autoridades de fora, “Os Estranhos: Capítulo Final” finaliza a história de Maya de forma deprimente e mais estendida do que deveria ter sido.

Ato 3 – Direção
A direção do capítulo final continua nas mãos do diretor e produtor de filmes de ação Renny Harlin, responsável por filmes como Duro de Matar 2 (1990), Despertar de um Pesadelo (1996), Do Fundo do Mar (1999) e Hércules (2014).
Em “Os Estranhos: Capítulo Final”, ele segue o mesmo padrão de direção dos antecessores, abusando de planos abertos e gerais para explorar a vastidão das florestas, tentando emular a sensação de prisão natural e situar em que lugar da cidade cada personagem está. Mas a montagem e a construção da cidade não facilitam o entendimento de cada ponto nem da dimensão total dessa cidade teoricamente pequena do interior.
Além disso, o filme abusa dos clássicos jumpscares falsos e closes na cara dos personagens, como se isso, por si só, causasse alguma estranheza.

Ato 4 – Atuações
Já as atuações são ok, já que a maioria dos personagens não tem o tempo necessário para criarmos algum vínculo emocional com eles. Os atores entregam o que seus personagens foram construídos para ser: gritar, chorar e agir de forma estranha.
Todavia, Madelaine Petsch (Maya) segue tirando leite de pedra, trazendo peso para cada situação desesperadora e até estranha de sua personagem, conseguindo passar de forma convincente a instabilidade física e mental do seu papel.
Seus principais antagonistas e colegas de elenco, Gabriel Basso (Gregory) e Richard Brake (Sheriff Rotter), conseguem transmitir um nível de apatia e estranheza convincentes, causando algum nível de desconforto com suas atitudes.

Ato final – Conclusão
Sendo assim, “Os Estranhos: Capítulo Final” é uma saga estranha dentro do terror atual. Com ideias interessantes, porém mal estabelecidas e executadas, o que faz você terminar o terceiro ato e pensar: isso tudo poderia ter sido contado em um único filme, e provavelmente teria sido um saldo muito mais positivo.
Porém, se você gostou do que viu nos filmes anteriores, esse último capítulo eleva tudo ao quadrado. Então, se você curte um slasher brutalmente estranho do começo ao fim, vá assistir nos cinemas.
Em exibição nos cinemas a patir de 9 de abril nos cinemas!
