Design

Por que o designer tem dificuldade em precificar seu job?

Senta que lá vem textão, rsrsrs. Não, na verdade, vamos abordar o assunto da forma mais leve possível. O assunto é polêmico pra alguns, no entanto, cada vez mais se faz necessário discutir isso, ao vermos situações como designers cobrando míseros R$ 100,00 por concepção de logotipo. É inquestionável a vertigem que sentimos diante das inúmeras vezes que vemos isso acontecendo por aí, até porque mesmo que não nos afetem diretamente como profissional, nos afeta enquanto parte de um todo, de uma classe, de uma categoria. O mercado é grande e tem espaço para todos; nossa problemática é não aceitar que a forma medíocre com que alguns fazem seu trabalho, gera a impressão de que a categoria inteira age assim, a partir da ideia de precificação pelo serviço.

“Estou começando, não posso cobrar caro porque não me sinto seguro ainda.”

Essa talvez seja a frase mais comum ao se ouvir de quem precifica seus projetos de forma muito baixa ainda. Aqui entendemos a dificuldade de quem tá “iniciando” e precisa sentir um pouco mais de segurança para aplicar preço ao que faz. A solução parece simples: um cálculo por horas trabalhadas, um valor que cubra seus custos e afins. Bem, aqui já temos um entrave, visto que, particularmente eu, e mais uma gama de bons designers por aí (alguns bem mais experientes que este que vos fala, inclusive) vemos o Design como ele o é; como Desígnio (finalidade), planejamento, desenho, projeto, ideia e função. Assim, repito que atuar como designer, sendo iniciante ou não, está para muito além de “mexer nos programas de edição e ficar de briguinhas sobre CorelDraw e Adobe Illustrator”. É preciso entender duas coisas aqui:

1 – O designer concebe o projeto, não o software;
2 – Um projeto não precisa ser precificado como se fosse apenas uma ação mecânica, quantificado por horas trabalhadas;

Como trabalhamos com designo, criatividade, concepção, material intelectual, o coerente é que o projeto seja analisado à luz de sua complexidade e, assim sendo, precificado por projeto em si, não pelas horas aplicadas. Precisamos entender a deadline (prazo de entrega) como algo que norteia o funcionamento das coisas e freia a procrastinação, apenas.
Para quem tá começando e não sente ainda segurança em precificar melhor seus Jobs, o problema já está em “não sentir-se seguro” para o fazer. É sinal de que falta alguma(s) coisa(s) em seu processo de aprendizagem em relação ao Design e, assim sendo, parece óbvio que essa pessoa primeiro se torne apta para isso.

Essa área de atuação é cíclica e encontramos novidades todos os dias, mas ao menos um conhecimento básico como conceitos e fundamentação teórica para aplicação das técnicas se faz necessário, além de compreender ao menos noções de tipografia, psicologia das cores, iconografia, semiótica, proporção, hierarquia visual, Fibonacci, Gestalt e mais algumas abrangências em relação à categoria. Como já dito, isso tudo está para muito além de “mexer no programa”.

Então isso me diz que se eu não entender de nada disso ainda, não posso me denominar um designer? Exatamente isso. Um médico auditivo não deve ser considerado médico se não sabe o que é um “estetoscópio”. E é preciso que isso seja entendido como algo muito mais sério do que simplesmente “ser formado” ou “ter diploma”. Um profissional pode até ter essas duas competências, mas não compreender o que está fazendo. O que faz falta é entendermos que o que fazemos é coisa séria e precisa ser levado a sério. Se alguém ainda não se sente apto para precificar, não deveria se sentir apto para conceber um projeto. Infelizmente parece ser algo cruel de se aceitar, mas é algo igualmente óbvio e lógico de se perceber.

“Se não quero cobrar por hora trabalhada, como fazê-lo então?”

Como não estamos trabalhando sob pressão e sim, sob inspiração, soa um tanto lógico que precifiquemos por meio do grau de complexidade que um projeto demanda. Para tanto, uma sugestão básica e já efetiva entre uma boa parte dos designers mais experientes, é o uso da tabela ADEGRAF (tão assustadora e surreal para alguns, sobretudo se comparada aos valores que estes praticam em seus jobs). Mas a ideia não usar seus valores reais (em alguns casos, é possível), visto que uma série de fatores precisa ser levado em conta, como o porte do cliente, a região mercadológica, o nível e porte do serviço, etc. No entanto, aplicando uma porcentagem de cerca de 20% em relação aos valores da referida tabela, já é possível ter um resultado interessante.

A tabela ADEGRAF classifica o cliente automaticamente, como sendo um cliente MEI, Micro empresa e assim por diante; isso já dá uma noção do porte do cliente e já sugere um valor. Basta aplicar um cálculo de 20% do valor sugerido na tabela e correr pro abraço. Por exemplo: Para um PIV básico desenvolvido para uma microempresa, a sugestão da tabela é de R$ 6.140,00 (alguém pode achar o valor absurdo, mas eu particularmente, considero justo). Pois bem, 20% disso fica em torno de R$ 1.200,00 e esse valor já é aceitável por um PIV Básico desenvolvido para uma microempresa.

Essa solução cobre custos de produção e mão de obra/horas trabalhadas e ainda justifica a valorização do serviço prestado e, por isso, parece bem que a aceitemos como melhor alternativa em se precificar um projeto de Design.

Essa discussão é importante por conta de se entender o valor que o Design tem em todos os aspectos da vida e não obstante, na existência de um empreendimento, desde seu início. Elementos de escritório, como uma poltrona, são investimentos que o gestor faz. É preciso que este entenda o mesmo valor quando a conversa é Design, percebendo que este o trará um bom retorno quando bem executado. A questão é que só podemos fazer o cliente entender isso, quando nós mesmos entendemos e compramos essa ideia. E oxalá o fizéssemos. Teríamos uma valorização de classe bem e mais justa e um designer seria contratado por sua competência e qualidade de portfólio (já que a diferença de valor precificado seria pequena) não por ser 500 contos mais barato que outro.

É bom lembrar que esse artigo é uma mera sugestão de prática oriunda de teoria, mas não é uma regra taxativa de que deve-se seguir essas orientações. Quem precifica sob o critério das horas trabalhadas, está livre para continuar fazendo, obviamente, bem como quem tá começando e deseja continuar assim, desenvolvendo jobs medianos (mesmo sabendo o risco de ser um job ainda não tão adequado) pode continuar a fazê-lo. Aqui, trouxe apenas uma sugestão de como poderíamos ter uma vivência de classe mais equilibrada, com base em visão lógica, apenas.

A você, querido leitor, graça paz e um copo de suco. Yeah!

 

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