Design

Porquê as empresas fazem redesign de identidade visual?

O redesign da identidade visual da Colômbia e a respectiva promoção custou 7.000 milhões de dólares, destes 400 milhões foram destinados à criação. Este ano o Slack apresentou aos seus usuários uma nova identidade visual, recentemente o Banco Barclays (Moçambique) foi convertido no Absa, um dos maiores grupos de serviços financeiros diversificados em África, o que exigiu uma introdução de novos elementos para o público. Há anos o Moza Banco (Moçambique)  viu a sua identidade visual mudar completamente, no último semestre de 2017 a Vodafone anunciou o novo posicionamento da sua marca, da identidade visual e do seu slogan.

Para que servem estas mudanças? Porquê as empresas investem milhões para fazerem redesign de suas identidades visuais? O que ganham? Os exemplos acima ilustram milhares de casos no mundo, de empresas, cidades, países, pessoas, serviços que tiveram que repensar sobre como é que deviam se apresentar ao público.

Alguns dos exemplos mais antigos de redesign sãos os da: Coca-Cola, Shell e Apple. Cada um deles já, pelo menos chegou a seis actualizacões, de algum modo conectadas a ideia inicial. Entretanto há casos de alterações totais. Outros de mudanças pouco bem-sucedidas, em que os usuários ou clientes reivindicam, as empresas voltam a anterior.

O redesign quando feito, leva sempre em consideração a versão que se pretende alterar, usando-a como ponto de partida do trabalho a ser feito. Os problemas por serem resolvidos podem estar aí. Pode ser que a actualização tenha raíz aí, ou então a partir dessa versão, baseada nos problemas detectados seja totalmente alterado.

Uma pesquisa profunda sobre a empresa, sobre a identidade visual actual, sobre os fundadores, sobre a visão da instituição constrói uma base sólida e funciona como um farol para saber como e para onde seguir. “Deve ser feita uma análise histórica da empresa, considerando que o designer deve tentar saber o máximo sobre a mesma: desde a sua história à sua marca actual e o efeito que esta tem na percepção do mercado.” Airey (2010)

Um redesign é uma reformulação, renovação. Graficamente os seus elementos podem ser parcial ou completamente alterados. O símbolo pode mudar, o logotipo, as cores, a tipografia, o grafismo, todos eles podem, dependendo dos casos, a mudança é sempre o que se pretende ao se fazer o redesign na identidade visual.

A expressão visual não é um fim por si. Ela responde e dá continuidade à visão, ao (re) posicionamento da empresa.

A identidade corporativa não envolve apenas o logotipo ou símbolo que tenha boa visibilidade, mas também a criação e a prática de uma cultura organizacional. Directrizes de identidade corporativa incluem normas comportamentais, e símbolos em roupas e uniformes. Isto pode criar um forte sentimento de identificação com a empresa, tanto entre os colaboradores quanto entre clientes. (Glaser&Knight, 2012)

O investimento ao redesign por grandes corporações é feito por razões muito antes avaliadas. Um dos principais objectivos é criar conexões cada vez mais sólidas com o consumidor. Os elementos visuais são o principal ponto de contacto, é através da identidade visual que uma empresa, instituição ou produto é reconhecido/a. E os clientes ou consumidores são a razão da existência da corporação.

Dentre vários motivos, os mais sonantes, as principais razões pelas quais as empresas optam por um redesign são:

a. Querem resolver problemas de comunicação existentes na corporação de modo a atingir um determinado público

A identidade visual pode aproximar ou afastar os consumidores. O polícia vestido a rigor é capaz de afastar um determinado tipo de pessoas. A identidade visual é a roupa da corporação, quando se nota que ela parece inadequada para um determinado nicho, pode passar por mudanças para estreitar “a relação de comunicação com o público. É um canal de comunicação, que tendo problemas é necessário fazer ajustes.

b. Para resolver problemas de má reputação

Algumas empresas, quase sempre por motivo não desejado caem em má reputação. As pessoas perdem confiança, a forma como as pessoas memorizam a corporação é através da identidade visual. Aqui, o exemplo da roupa parece, igualmente válido. Quando alguém nos responde mal na rua, somos capazes de sair perguntando se não se terá visto um homem de camisa branca e calças pretas. Se este mudar de look somos capazes de ser, até, amigos. Quando a má reputação entra pela porta e é capaz de pôr a baixo a instituição, uma das saídas encontrada por estes é reposicionar-se, reajustar-se, uma das formas para o fazer é por meio da identidade visual.

c.  A empresa cresce e precisa de aumentar a sua abrangência

Se a identidade visual de uma corporação tiver sido concebida considerando um espaço geográfico nacional, por exemplo, e depois de cinco anos a ela crescer e passar a ter representações no continente ou no mundo todo, ela é capaz de reformular a imagem para expressar aos seus consumidores e potenciais que não é apenas nacional, mas continental, sendo mais abrangente, evitando assim exclusão, aproximando os seus consumidores à marca.

d. Actualização no tempo

Uma identidade visual criada num determinado tempo pode ficar ultrapassada caso não se tenha em atenção a evolução tecnológica e não for ajustada. Hoje ao criar uma identidade visual somos conduzidos também a pensar sobre a implementação desta, não apenas em meios impressos, mas igualmente na sua presença digital. Alguns dos redesigns mais conhecidos na história estão relacionados ao objectivo de manter a empresa no tempo, eliminar o “ar” de uma empresa antiquíssima, e procurar posicioná-la no tempo, para conquistar clientes desse mesmo tempo.

e. Problemas na implementação

Em alguns casos a marca efectivamente pode não funcionar como o desejado. Pode ter limitações na aplicação, por algum erro na fase de criação. Ao se aperceber desse problema, a empresas pode decidir resolver esse tipo de problema fazendo o redesign para as devidas correcções.


Problemas detectados na aplicação do Slack

O redesign de identidade visual pode resultar em três situações diferentes:

a. Quebra do grafismo e do conceito; num caso em que a alteração não mantém um vínculo conceitual e visual aparente com a identidade visual anterior.

b. Simplificação; eliminando elementos desnecessários da marca, mantendo um vínculo.

c. Restyling; muitas vezes é uma alteração subtil. “não para mudar o logo em si, mas para tornar a identidade visual mais contemporânea e consistente, adicionando ao sistema de identidade visual novos grafismos, texturas, tipografia e paleta de cores.” Almeida (2014) apud Freire (2015)

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