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Times New Roman: O Fenómeno do Século XX

A tipografia Times New Roman foi o maior fenómeno no campo tipográfico do século XX. Criada em 1932 exclusivamente para o Jornal The Times of Londres pode ser considerada uma das fontes mais conhecidas e usadas. Foi difundida e aplicada, não apenas no jornal, mas também em livros, revistas, dicionários, na publicidade. Tornou-se um ícone na indústria gráfica.

O uso da Times New Roman iniciou com a edição do The Times de 3 de Outubro de 1932, com uma tipografia aperfeiçoada proposta pelo tipográfico Stanley Morison (1889 – 1967). A longa história para se chegar à publicação da tipografia nessa edição do jornal inicia em 1929, quando Morison escreveu uma dura crítica dirigida aos executivos do jornal, sobre o modo como era usada a tipografia, ele era na época, consultor da empresa tipográfica Monotype Corporation. Na sua critica Stanley fazia referência ao facto de o jornal ser mal impresso e tipograficamente antiquado, conspirando contra a reputação construída ao longo dos anos (cerca de 150 anos).

Na época em que Morison escreveu a crítica dirigida ao The Times, era já autoridade em assuntos relativos à tipografia. Uma comissão foi formada para analisar os aspectos que ele fazia referência. Os directores do jornal decidiram que era realmente necessário repensar na tipografia da publicação. Morison foi convidado para dirigir a equipa, já que tinha iniciado o trabalho com a critica feita.

A quando do convite, o tipográfico tinha 40 anos. Preparou um documento de 38 páginas, com informações técnicas e históricas. Nesse documento sugeria uma tipografia que fosse “masculina, inglesa, directa, simples… e absolutamente livre de modismo e frivolidade”. Foram igualmente acrescentadas as recomendações do comitê gestor que referia ao facto de ser necessário que a fonte parecesse mais larga, mas não ocupasse mais espaço que a anterior, que fosse levemente mais pesada e acima de tudo altamente legível.


A primeira edição com a Times New Roman

Morison trabalhou com Victor Lardent, designer do departamento de publicidade do “Times”, para quem passou os esboços juntamente com um catálogo Plantin, uma letra do século XVI, escolhida como o modelo ideal. Assim foi desenhada a Times New Roman, para responder a todos os problemas que haviam sido levantados pela equipa. A fonte estreou no dia 3 de Outubro de 1932, e teve um impacto inimaginável e uma boa repercussão.

Sobre Stanley Morison

Morison nasceu em 1889, em Wanstead, Essex. O seu grande salto profissional deu-se já em 1913, quando começou a trabalhar como assistente editorial para Gerard Mynell, editor da revista Imprint.

Abandonou os estudos formais aos 14 anos. Converteu-se para o catolicismo. Tentou inscrever-se para o Partido Comunista, não foi aceite. Trabalhou numa sociedade bíblica e um banco. Por influência da mãe, foi sempre um amante da leitura. Sua outra paixão, o da palavra impressa nasceu daí.

Casou-se com Mabel Williamson, 16 anos mais velha, aparentemente para fugir do serviço militar. Alegou ser, por princípios, contra a guerra, mas suas manobras não deram resultado e acabou preso. Depois da Primeira Guerra Mundial ingressou numa editora católica e fundou em 1923 a revista anual de tipografia “The Fleuron”, em parceria com amigos. Das sete edições, três foram editadas por Morison, expandindo daí sua influência internacional. 

No mesmo ano foi contratado pela Monotype Corporation e, no ano seguinte, viajou aos Estados Unidos, onde colheu bons resultados para o seu trabalho, mas causou mal-estar por um comentário feito na volta. Morison disse que “tipograficamente os Estados Unidos têm pouca importância. Os únicos personagens importantes do futuro (da tipografia) estão trocando os EUA pela Inglaterra”. Ele estava se referindo ao casal Warde, Frederic e Beatrice, que seguiriam para Londres no ano seguinte. Morison ficou bem impressionado pelo design e pela caligrafia de Frederic, mas ficou mais impressionado ainda com a beleza da novaiorquina Beatrice. Frederic, a pedido de Morison, foi contratado pela Monotype. 

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