Tomb Raider: A Origem | quanta melhoria! – Design CultureTomb Raider: A Origem | quanta melhoria! – Design Culture
Cinema e Séries

Tomb Raider: A Origem | quanta melhoria!

Lara Croft é uma personagem marcante no cinema e no vídeo game. Em 2001, ao ser introduzida em filme por Angelina Jolie, a intenção de mostrar que uma mulher também poderia protagonizar filmes de ação quedou-se ineficiente em parte devido à forte sexualização que a atriz sofreu. Angelina havia acabado de ganhar um Oscar e tinha tudo para arrasar na pele do icônico avatar de 1996, mas a crítica caiu em cima e o retorno do público também foi aquém do esperado. A sequência de 2003 foi um experimento para reanimar a iniciativa e mostrou-se ineficiente. Ao olhar para trás, a imagem que fica é a de uma tentativa malsucedida, de uma mulher com potencial que só serviu para figurar no imaginário masculino por toda a década de 2000.

A reparação disso está em Tomb Raider: A Origem, do diretor norueguês Roar Uthaug (A Onda). Alicia Vikander (oscarizada por A Garota Dinamarquesa e muito elogiada por Ex Machina) assume Lara Croft com a missão de reacender a possibilidade de levar a personagem a explorar toda sua capacidade cinematográfica de ação, aventura, inteligência e sagacidade. A nova Lara Croft aproveita muito pouco do longa de 17 anos atrás (basicamente, se mantém apenas a história interrompida de pai e filha) e joga uma nova luz sobre a potencialidade feminina. O filme parece ser adaptado às bandeiras modernas e isso certamente lhe garantirá um bom retorno.

O novo enredo é oriundo do jogo lançado em 2013 pela Crystal Dynamics (que também interferiu na produção do longa) e pretende contar a história do zero. Esse fator é um bom sinal para os fãs do game, pois a fidelização parece ser mais garantida. A nova empreitada de Croft a situa em um ambiente hostil, humilde e aventureiro. Lara vive em Londres e paga o aluguel com o salário de entregadora. A fortuna deixada por seu pai só lhe será concedida se a herdeira assinar o reconhecimento da morte de Lord Richard Croft, desaparecido em uma expedição arqueológica na Ásia há quase uma década. Embalado por uma trilha sonora marcante, a órfã leva sua vida com leveza e como esportista assídua, sem se ligar muito no interesse masculino ao seu redor.

Ao embarcar nas pistas deixadas por seu pai, as cenas da protagonista não deixam nada a desejar para uma sessão de cross fit. Toda a jornada de Lara é permeada por desafios físicos extenuantes e isso só demonstra o quanto Alicia Vikander precisou se superar para dar conta do papel. Nada muito difícil, considerando o passado da atriz como bailarina. Isso garantiu graciosidade até para as cenas mais arrojadas. O lado físico somado a uma sagacidade memorável torna Lara Croft o ideal do girl power que o cinema vem se esforçando para reconhecer (aliás, Operação Red Sparrow tem muito a aprender sobre esse tema).

O figurino de Colleen Atwood (dona de 4 Oscars e mais 8 indicações ao mesmo departamento) deixa claro que o despojamento de Lara a faz optar por vestimentas leves, práticas e úteis. A paleta de tons frios combina com o visual arqueológico e o cabelo constantemente preso (raridade em personagens femininas na hora do combate) corrobora com a naturalidade com que Alicia Vikander aceitou e atualizou Lara Croft. O roteiro assinado por Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons é caprichoso ao demonstrar a evolução da protagonista e a forma como ela aprende a encarar seu destino e as pistas deixadas por seu pai. A fotografia de George Richmond dá a exata noção ao espectador dos riscos naturais que Lara Croft passa em sua aventura (as filmagens externas foram feitas na África do Sul).

O elenco coadjuvante se mostrou altamente engajado em seus papeis. Destaque para o vilão Mathias Vogel (Walton Goggins, de Maze Runner: Cura Mortal), que consegue aterrorizar Lara com sua falta de crença e excesso de gana. Kristin Scott Thomas (O Destino de Uma Nação) como Ana Miller precisa de poucas cenas para passar o recado certo e Dominic West e Daniel Wu sabem conquistar o público para suas causas próprias.

A mixagem de som faz com que Tomb Raider: A Origem seja o tipo de filme sobre o qual vale a ida ao IMAX ou às salas tecnológicas à disposição. Boa parte da emoção do longa vem das caixas de som, que embalam os desafios que são dados a Lara Croft quase no esquema de uma gincana, pois o intervalo entre ações é muito curto. Ou seja, a empolgação da plateia não morre nunca e a sonoridade é muito bem utilizada.

Pelo exposto, o fato de a nova geração conhecer essa Lara Croft repaginada e interpretada por Vikander é algo a se comemorar. A atriz destoa totalmente do visual de Angelina Jolie (a comparação é desproporcional quando se confronta certos atributos físicos) e é certo que a Croft de 2018 não perde tempo com sensualidade forçada ou caras e bocas desnecessárias (longe de ser culpa de Jolie, os roteiros de quase 20 anos atrás não conseguiam encaminhar uma heroína em cena sem ter de apelar para o físico). Em sentido oposto, essa Lara veio para mostrar serviço, conquistar bilheteria e assegurar que a série tenha uma vida mais longa e bem-sucedida nos cinemas a partir de então.

Tomb Raider: A Origem estreia nesta quinta-feira, 15 de março; assista ao trailer abaixo:

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