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As cores em La La Land

Era domingo. Fazia frio em São Paulo. 22 de janeiro de 2017. O que fazer?

É provável que você tenha pensado que a melhor coisa a fazer era: não fazer nada e ficar embaixo das cobertaFs, assistindo à programação da TV de domingo.

Mas não, a melhor coisa a fazer era estar dentro de uma sala de cinema. (ah, por favor, não comam lá dentro, ok? obrigado).

Começo a escrever esse post, ainda no ônibus, cerca de vinte minutos após ter assistido La La Land.

Ainda não tinha a pauta definida e deveria entregar um post até terça-feira. Aquele desespero. Assim que o filme começou, logo naqueles primeiros minutos, já sabia sobre o que falar. Obrigado pela luz (e pelas cores), senhor! Hahaha.


La La Land – Cantando Estações

* O título do filme é um apelido carinhoso à cidade de Los Angeles (também chamada de Tinseltown e The Big Orange).

Escrito por Damien Chazelle, de apenas 32 anos, que já tem no currículo filmes como O Último Exorcismo: Parte II (2013), Whiplash – Em Busca da Perfeição (2014) e Rua Cloverfield, 10 (2016). O novo filme do estadunidense já é recordista, ganhou todos os prêmios que concorreu na 74 ª do Globo de Ouro, e é um dos favoritos ao Oscar.

Emma Stone (28) e Ryan Gosling (36) são os protagonistas do musical que se passa em Los Angeles.

Emma da vida a Mia, uma aspirante a atriz, que trabalha em uma cafeteria localizada no perímetro de um famoso estúdio. Ryan é Sebastian, um pianista apaixonado por jazz. Dois sonhadores que se apaixonam. La La Land toca mais que apenas jazz.

 Vocês encontram, facilmente, centenas de críticas por aí, o filme é o mais comentado atualmente. E o nosso foco, dessa vez, pelo menos, não é a história. (Se quiserem conversar sobre, me mandem mensagem no Instagram @micolds, tô sempre por lá).

 

As cores em La La Land

Conscientemente não costumamos nos atentarmos as cores ao assistir um filme (é como se nosso inconsciente fizesse isso sozinho), mas elas exercem papel fundamental na construção dos fatos que nem sempre estão explícitos. No cinema (assim como na publicidade em geral), as cores se alinham ao uso da luz e a função expressiva, com o objetivo de transmitir o realismo das cenas, construindo climas e ambientes, com a finalidade de passar determinada mensagem.

As cores possuem diferentes significados/sentidos (o vermelho, por exemplo, pode nem sempre ser atribuído a paixão e romance, o tom pode ser utilizado para transmitir ao telespectador a sensação de violência). A forma que iremos “interpretar” determinado tom, vai variar de acordo com a necessidade de cada gênero.

La La Land  é divido pelas estações outono/inverno/primavera/verão, apesar da intenção de fazer essa separação, parece sempre Verão na Cidade dos Anjos. Mas não é por acaso.

As cenas de Mia são, na maior parte, bem coloridas. As cores predominantes são: azul, verde, vermelho e, juro, em quase todas as cenas tem algum objeto amarelo. Tem bolsa, vestido (inclusive no poster oficial), almofada, luminária, liquidificador, copo, quadro, cafeteira, cadeira, toalha, gravata…

 

 

Frames do trailer

Neste filme as cores desempenham o papel transmitir o emocional dos personagens. Os tons ligados a Mia, interpretada por Emma, costumam ser ligadas a ingenuidade, insegurança e até mesmo “loucura”, devido o uso excessivo de amarelo. Outro filme que usa o amarelo com este propósito é “Pequena Miss Sunshine” (2006).

Aqui, o rosa e o roxo aparecem ligados à fantasia, romance e para compor o visual vintage. Em geral, conseguimos compreender, conscientemente ou não, a personalidade de Mia através das cores.

 

Divulgação / Frame do Trailer

Diferente de Mia, as cores que mais aparecem nas cenas de Sebastian são frias (o azul escuro e cinza ganham força) e a iluminação mais baixa reforça a melancolia do personagem.

Frame do Trailer

Quando a trama começa a se entrelaçar (calma, não vai rolar spoiler), as cores também são usadas para dizer algo. O oposto do que acontecia, as cores (azul, vermelho e roxo) que mais se destacam a partir deste ponto, não são as presentes nos personagens, e sim nos ambientes. O céu de Los Angeles, as luzes do observatório, o led das faixadas, a suavidade que o uso de cortinas traz ao ambiente.

      

Frames do Trailer / Divulgação

Outra coisa que me chamou a atenção, foram os Planos-sequência (plano que registra a ação de uma sequência inteira, sem cortes). Com isso acaba trazendo uma leveza ainda maior ao filme. Lembram que comentei que foi logo nos primeiros minutos que tive a ideia de fazer esse post? Pois bem, o filme começa com um belíssimo (e um colorido fascinante) plano-sequência.  Los Angeles. Sol (cejura?). Carros parados no transito. De repente, as pessoas saem de seus veículos e começam a cantar e dançar “Another Day of Sun”,  no melhor estilo musical e depois voltam para dentro dos carros como se nada tivesse acontecido.

Frames do Trailer

Como não fotografei durante a exibição do filme (obviamente), acabei tendo que usar imagens/prints do trailer (assista aqui). Só com o trailer não consegui ter a dimensão e percepção do quanto as cores eram interessantes. Percebi, de fato, só quando assisti. Então, corre lá.

Sabemos que cada filme tem um tom especifico, seguindo determinada paleta, assim definindo qual sentido irá despertar nas pessoas.

Minha intenção não é fazer uma análise detalhada sobre o uso das cores no filme, é gerar reflexão da importância das cores na construção das cenas, na personalidade dos personagens e em toda a narrativa.

Comecem a observar mais isso nos filmes, nas novelas, séries e em comerciais. Vale a reflexão.

Até semana que vem :)

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