Ato 1 – O que é A Longa Marcha?
“A longa Marcha”, adaptação do livro do autor Richard Bachman, ou melhor, do gênio dos romances de terror, Stephen King, que utilizou um pseudônimo para publicar mais livros durante o ano, nos meados dos anos de 1979. Traz um universo distópico, cheio de reviravoltas, onde uma marcha pode mudar a sua vida. Com isso, essa longa caminhada parte do ponto que: “Adolescentes participam de uma competição extenuante e de alto risco onde devem caminhar continuamente ou serão baleados por um membro de sua escolta militar.”

Ato 2 – Comentários gerais
Na história do filme, somos apresentados ao jovem Raymond Garraty (Cooper Hoffman), que se inscreveu e foi sorteado para a competição da longa marcha, para realizar seu desejo e ganhar fama e fortuna, mesmo que a contragosto da sua mãe. Ao chegar ao ponto de partida, ele encontra outros jovens que também irão participar dessa caminhada mortal. Mas acaba se conectando aos poucos, principalmente com Peter Mcvries (David Jonsson), e também com um velho conhecido seu, o general (Mark Hamill), que comanda tudo neste novo modelo de governo militar ditatorial.
Após o início da corrida, muitas conversas, conexões, desejos e objetivos compartilhados, uma visão de mundo sem vida, sem cor, sem luz, e muitas mortes brutais de jovens que almejavam uma mudança de vida. O filme mostra a que veio nos seus primeiros trinta minutos de uma hora e cinquenta. E que realmente foi uma longa caminhada assistir, que chega a cansei, mas não por ser ruim, mas por me importar demais, me deixar aflito, melancólico, descrente de qualquer possibilidade de torcer pelo protagonista, pois todos os personagens têm algum nível de aprofundamento, e dadas as circunstâncias, é difícil não sentir um pingo de tristeza ao ver um a um morrer na estrada, e seus sonhos ficarem jogados com suas carcaças no chão.
Muitos vão comparar com “Jogos Vorazes” ou outras distopias adolescentes, por ter bastante semelhança de estrutura narrativa básica, mas toda a construção e desenrolar é completamente diferente, pois não temos o contraponto do luxo da capital e nem uma gota de esperança de que vai terminar tudo bem, foram questionamento contínuo “será que um ser humano aguentaria percorrer tudo isso sem parar para absolutamente nada” e a angústia de ver todos aqueles jovens se degradando a cada quilômetro que passa, deixando o começo enérgico e entusiasmado, dando lugar ao desespero, tristeza e à motivação de continuar vivo e chegar ao objetivo, ao seu desejo de ser o corredor final.
O que posso dizer é que “A Longa Marcha” destrói o espectador durante cada km percorrido, e ao concluir, terminei com o sentimento de uma leve felicidade, mas um pleno vazio existencial, como se meus desejos e sonhos não valessem absolutamente nada, pois a jogada já levou tudo. Porém, tenho que avisar que não é um filme para todo o tipo de público. Se vocês não gostam de filmes mais introspectivos, com aprofundamento nos personagens e como cada um afeta a história, este filme não é para vocês. Mesmo que ele tenha me deixado vidrado e preso na história do começo ao fim, pessoas que gostam de filmes mais frenéticos e dinâmicos podem não se agradar tanto. Contudo, sem sombra de dúvidas, este filme é uma obra que deve ser reconhecida e valorizada, tanto por sua mensagem político-social, quanto pela interpretação que cada espectador pode ter ao terminar essa caminhada torturante.

Ato 3 – Direção!
A condução das câmeras, por mais irônico que pareça, ficou nas mãos do diretor austríaco, Francis Lawrence, que tem um longo currículo em Hollywood, e que já trabalhou em diversos filmes com a temática de distopia adolescente, incluindo a principal métrica de comparação, Jogos Vorazes. Mas aqui a sua condução e visão aqui são completamente diferentes de Jogos Vorazes. Buscando explorar plano aberto para dar a noção de distância, planos gerais, para termos a noção de que ainda tem bastantes competidores, e algo mais intimista ao decorrer de que o quantitativo diminui. Além de que não possuímos o contraponto social da capital, tudo é muito vazio e sem vida, as pessoas perderam seu propósito de viver e só estão vegetando.
Ato 4 – Atuações
As atuações do filme também estão algo primorosas, ao trazer um elenco predominantemente jovem, onde a maioria dos atores é desconhecida do grande público, mas que mostram todo o seu potencial. Mas os destaques vão para alguns, que já conhece, e outros não. Como, por exemplo, o nosso protagonista, Raymond Garraty, interpretado por Cooper Hoffman, que não tinha visto nenhum trabalho seu antes, mas ele mostrou talento e versatilidade de sobra. David Jonsson, que interpreta Peter, já possui trabalhos relevantes, como “Alien Romulus”, e ele arrasa demais, que atuação e que personagem carismático e cheio de camadas. Outro que já tem o rosto conhecido e que também é promissor, Ben Wang, que interpreta Hank, ele não para de falar, chega a ser chato às vezes, mas é muito divertido e facilmente nos conectamos ao seu personagem. Quem também dá as caras aqui é o nosso querido “Jojo Rabbit”, mais crescido, Roman Griffin Davis, que, mesmo com pouco tempo de tela, deu seu nome. Por fim, do elenco mais experiente, Mark Hamill, nosso Luke Skywalker, é um coronel, frio, boca suja, e extremamente desgostoso aos olhos das pessoas, e sua voz é extremamente marcante.

Ato final – Conclusão
Sendo assim, “A Longa Marcha” é uma obra e adaptação primorosa, que merece muito ser vista nos cinemas e reconhecida pelo público, pois, além de críticas sociais, você tira outras reflexões e interpretações pessoais, assim como eu tirei. E sabe por que esse filme é tão bom, além dos outros pontos citados? Pois o próprio Stephen King é o produtor, então ele estava vendo tudo e dando seus pitacos. Então, já sabe, junte os amigos, ou vá sozinho, confira “A Longa Marcha” na telona.
Dia 18 de setembro em exibição nos cinemas!
