Ato 1 – O que é “Exit 8”?
O que você faria se ficasse preso em um loop, como em um simples jogo de achar a saída de um labirinto, mas que vai testar a sua sanidade e seu limite emocional quando o desespero bater por sempre retornar ao ponto de início? Seria um purgatório ou um tipo de inferno pessoal? Essa é a ideia apresentada pelo filme que adapta mais um jogo para o cinema, com o título de “The Exit 8”. Com isso, seguimos a seguinte premissa: “Um homem preso em um corredor de metrô procura a saída número oito. Para encontrá-la, ele deve rastrear as anomalias. Se vir uma, volta. Se não vir nenhuma, continua. Se ele se enganar, é enviado de volta ao seu ponto de partida.”

Ato 2 – Comentários gerais
O que podemos dizer sobre um simulador que testa a atenção e a paciência dos jogadores ser transformado em um filme de suspense com algum grau de profundidade e reflexão, que vai causar um imenso desconforto para sair daquela situação?
Pois é isso que “Exit 8” causa em quem está assistindo: uma vontade desesperadora de sair e entender o que está acontecendo, qual o propósito disso tudo. O que é real e o que é uma anomalia? E por que aquelas pessoas estão passando por isso? Ou, melhor dizendo, por que “nós” estamos passando por isso? Já que o filme tenta, o tempo todo, emular como se nós, telespectadores, estivéssemos dentro desse labirinto infinito, como se nós estivéssemos “jogando”.
Isso fica explícito na emulação de câmeras em primeira pessoa, personagens sem um nome, só uma descrição, como a do protagonista, “The Lost Man”, que, ao decorrer da história, podemos traçar um paralelo com ele estar perdido na vida, sem saber o que fazer, como prosseguir, principalmente ao descobrir que sua ex-namorada está grávida.
Assim, “Exit 8” não só busca emular para o cinema a experiência do jogo, mas também trazer camadas e um contexto mais profundo e desesperador. E, mesmo que o medo de ficar eternamente preso em um loop seja o maior trunfo desse suspense, acaba sendo também sua maior fraqueza. Pois o filme acaba sendo um pouco parado e “repetitivo”, o que pode cansar o espectador ou até fazer perder o interesse pela falta de conflitos mais frenéticos e empolgantes, que ficam mais restritos ao terceiro ato do longa-metragem.

Ato 3 – Direção
Já a direção desse sufocante jogo infinito ficou nas mãos do excelente produtor, diretor, roteirista, showrunner e autor de best-sellers, Geki Kawamura. Que tem uma longa lista de trabalhos bem avaliados pela crítica e pelo público, como “Your Name” (2016), “O Tempo com Você” (2019), “Belle” (2021) e “Monster” (2023). E em “Exit 8”, ele assume a direção, e além de buscar emular os jogos com planos em primeira pessoa e planos inteiros explorando o espaço limitado, para trazer a sensação de limitação e loucura, ele consegue emular um verdadeiro labirinto emocional sufocante.
Ato 4 – Atuações
Além da ótima direção, as atuações também são outro ponto espetacular, que sustentam ainda mais essa adaptação, trazendo o peso e a dramaticidade necessárias para que essa história pudesse funcionar. Kazunari Ninomiya (The Lost Man) apresenta um personagem, a princípio, vazio, sem perspectiva, apático com as situações ao seu redor e com uma saúde frágil. Que muda para um protetor, levemente esclarecido ao decorrer do seu inferno pessoal.
Yamato Kochi (The Walking Man) traz uma atuação incrível, que transita do simples “NPC” para um personagem extremamente instável, que só quer sair desse purgatório e que traz uma nova perspectiva para a trama. E Kotone Hanase (The High School Girl) consegue transitar também entre uma simples “NPC” aterrorizante para algo que levanta mais questionamentos sobre o que está acontecendo.

Ato final – Conclusão
Sendo assim, “Exit 8” vai muito além de adaptar um jogo de simulação, ele aprofunda, prende e surpreende. Com uma equipe e um elenco de peso, que fazem dele uma ótima pedida em meio a várias adaptações de jogos. Então, se você gosta de um bom suspense e tem paciência, vá conferir os mistérios da saída número 8.
Em exibição nos cinemas a partir de 30 de abril!
