Cinema e Séries

Além da Morte | suspense com Ellen Page se debruça sobre a EQM

A Experiência de Quase Morte (EQM) é um tema polêmico tanto na medicina, como na esfera esotérica. No caso de Além da Morte (Flatliners), do diretor Noels Arden Oplev (Os Homens que não Amavam as Mulheres), dos roteiristas Peter Filardi e Ben Ripley e produzido por Michael Douglas, a obra consegue reunir as duas concepções para realizar um suspense baseado tanto na ciência como no misticismo. O filme de 2017 é um remake de Linhas Mortais (Flatliners), de 1990; dirigido por Joel Schumacher (Batman Eternamente), escrito igualmente por Peter Filardi e estrelado por Julia Roberts, Kevin Bacon e Kiefer Sutherland.

Ellen Page (Juno, Amor por Direito) é Courtney Holmes, uma estudante de medicina fascinada pela morte desde que perdeu sua irmã caçula em um acidente de carro. Court pede ajuda a alguns colegas de sala para realizar uma parada cardíaca nela própria a fim de analisar a atividade cerebral durante o curto espaço de tempo em que se encontra sem vida. A experiência traz de volta memórias antigas e incita os outros colegas a desejarem o mesmo. O resultado depois do retorno da EQM é uma capacidade cerebral intensificada e alucinações semelhantes ao efeito do LSD. Inicialmente, todos aprovam o teste, mas, ao longo do tempo, as piores memórias dos testados se tornam realidade.

Com esse fundamento, pode-se dividir o filme em uma primeira parte voltada à questão científica e a segunda metade se debruçando sobre a questão psicológica e espiritual do experimento. Ecos do passado passam a interferir na vida dos amigos e o problema se soma quando da possibilidade de o médico professor Dr. Wolfson (Kiefer Sutherland, o eterno Jack Bauer, quase irreconhecível de cabelo branco e bengala) descobrir as arriscadas tentativas de ressuscitação coletiva.  Nesse ponto, fica registrada a presença do ator nas duas obras, com a diferença de que no primeiro filme de 1990, Kiefer era Nelson Wright, o aluno que convencia os outros 4 colegas a participarem da empreitada da EQM; enquanto que no remake de 2017 ele figura como o médico responsável por repreender os 5 estudantes que realizam o mesmo experimento. Quanta ironia!

O enredo busca cativar a plateia desde o início, o que eleva a empatia do público sobre os personagens e cria um clímax sentimental em relação ao destino dos envolvidos. Um ponto positivo é que a trama é pouco previsível em relação ao que está por vir. O elenco demonstra entrosamento e passa longe de ser considerado fraco ou raso (um grande problema em uma parte de longas do gênero). A medida que o drama se adensa, a evolução pessoal do grupo repercute na plateia, assim como a força dos elos firmados entre eles e os 5 jovens atores passam desenvoltura sobre a situação de cada envolvido.

Como todo bom suspense, a trilha sonora e a sonoplastia só acentuam os dramas vistos na tela. Jogos de luzes e sombras compõem a ambientação de pânico e os insigths que os personagens têm são tecnicamente bem elaborados ao mesclar a realidade com o surto traumático pós-morte, chegando a deixar a plateia em dúvida sobre o que realmente está acontecendo. Os efeitos especiais estão convincentes especialmente durante as cenas que retratam as experiências de morte dos alunos, numa mistura de luzes, velocidade e profundidade boas de ver nas telas.

A parte aterrorizante ficou bem construída e encaixada de forma adequada, tornando o filme uma boa pedida até para os que não curtem muito o gênero. Isso torna o thriller leve e convidativo para uma plateia mais abrangente, para além do terror propriamente. A mensagem da trama só reforça que o longa pretende ultrapassar o susto infundado e mostra que é possível extrair boas lições de quaisquer situações, independentemente do quão pesadas elas possam ser e das perdas inerentes à vida.

Além da Morte estreia em 19 de outubro. Até lá, não deixe de conferir o trailer:

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