Cinema e Séries

Confira a animação brasileira ‘Lino: Uma Aventura de 7 Vidas’

Fomentando a safra de surpresas vindas do cinema nacional, estreia em 7 de setembro a animação brasileira ‘Lino: Uma Aventura de 7 Vidas’, do diretor Rafael Ribas (Grilo Feliz e os Insetos Gigantes), que conta com Selton Mello, Dira Paes e Paolla Oliveira no elenco de vozes.

O filme possui classificação indicativa livre, entretanto, possui algumas sequências destinadas ao público adulto. Seu início retrata a vida frustrada de Lino, um jovem azarado que sobrevive com o trabalho de animador de festa infantil. Seu labor inclui a fantasia de um gato amarelo e vermelho, de língua azul, que contrariamente ao objetivo, não entretém crianças, mas desperta o seu lado mais violento possível. Lino suporta pacientemente puxadas de rabo, chutes, escaladas e todo tipo de trote infantil.

Ao cansar da má sorte, procura Don Leon, um místico que ajudaria a reverter o quadro desafortunado do cliente, entretanto, transforma em definitivo Lino em seu personagem, o gato gigante. Para resolver a situação, a dupla recorre ao mago Harry Topper, o velho diretor de uma escola de magia que foi professor de Don Leon. Durante a aventura, eles contam com a companhia de uma órfã que se apaixona pelo gato Lino e são caçados pela policial Janine, que procura pelo ladrão vestido de gato.

Há se reconhecer que uma animação brasileira deve despertar, no mínimo, a curiosidade do público, uma vez que esse gênero não é muito fabricado por aqui. E Lino consegue ser uma boa surpresa. Entretanto, deve ser levado em conta que o roteiro é falho em alguns aspectos, pois confunde a plateia sobre a localidade em que a história se situa. No fim das contas, não dá para saber se a trama se desenvolve dentro do país (temos referências a uma tribo indígena) ou fora, pois nomes nacionais e estrangeiros estão presentes, assim como estradas com cactos e castelos medievais dividem a tela indiscriminadamente.

O filme, que começa narrando a má sorte do protagonista, gera empatia para o público de mais idade, afinal, qualquer jovem entre 20 e 30 anos sabe como é lidar com expectativas profissionais e pessoais frustradas pelas desventuras imanentes à vida adulta. Após a inserção do personagem Don Leon, o drama adulto se transforma em magia trapalhona. A policial Janine ganha o reforço de dois colegas no melhor estilo Debby & Loide para investigar o roubo de mercadorias por uma pessoa fantasiada de gato, no caso, o vizinho de Lino, que furta o traje para não ser reconhecido, e acaba desviando a caçada policial para o jovem azarado.

Janine encarna o aspecto profissional de um adulto que quer desempenhar corretamente a sua função, entretanto, a paciência que demonstra com seus parceiros alienados e seu chefe desinteressado é utópica e chega a ser cansativa. A personagem adota ares maternos para dialogar com o restante do elenco policial. O núcleo dos guardas pode ser descrito como o tipo de humor que é incapaz de gerar risos. É decepcionante para quem estava se identificando com o teor mais maduro do início do longa e com a postura da defensora da lei.

Quando a dupla formada por Lino e Don Leon saem a procura de Harry Topper, a intenção de sátira para com a série Harry Potter é visível. Topper é um mago idoso (com ares de Dumbledore, mas que tem aparência idêntica ao Conde Olaf, de Desventuras em Série) que dirige uma escola de magia que funciona em um castelo cheio de armaduras e quadros mágicos e abriga diversos estudantes que portam varinhas, usam óculos e vestem chapéu de bruxo.

Essa parte cômica funciona durante a maior parte do longa, que ao final, muda novamente o roteiro para se transformar em fábula disneyana, com direito a mais reviravoltas improváveis, embaladas pela música Mais Uma Vez, de Renato Russo, cantadas por um coral de vozes infantis.

Fica a critério do público decidir se o filme será capaz de agradar crianças e adultos ou desagradar a ambos os públicos. De qualquer maneira, o serviço é parcial, e oferece a cada faixa etária um conto moral diferente em um espetáculo visual multifacetário.

Assista ao trailer:

 

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