Design como metodologia pedagógica

Quando você vê ou ouve a palavra design, no que você pensa? Você pode pensar no design de carros, em sua ergonomia, estética, funcionalidade… ou talvez moda, no desenho das bolsas, sapatos e roupas, nas tendências atuais ou da próxima temporada… ou, também, podem vir à mente aplicativos e sites que envolvem as interfaces que vemos diariamente. E não esqueçamos do design gráfico que está desde uma capa do seu livro favorito até o outdoor que chama atenção de longe na sua cidade. Mas e quando falamos de design e educação? Como os dois se relacionam, se complementam e transgridem?

Para além do que se pensa do design, ele não consiste apenas em pensar e desenvolver produtos físicos ou digitais. O design é, também, processo e análise. Um exemplo é o profissional chamado UX Research, que é um designer responsável pelo processo de pesquisa de um determinado produto. Seu objetivo é coletar dados relevantes com usuários e transformar tais dados em informações para a equipe, que pode ser composta por outros designers e programadores, desenvolvendo a melhor experiência ao usuário durante a utilização deste produto. Sendo assim, a pesquisa e análise de informações tem um papel fundamental no desenvolvimento de objetos e serviços que consumimos e nós, enquanto consumidores finais, só vemos a ponta do iceberg. Na educação, o design pode colaborar muito para sua transformação e valorização do conhecimento justamente por esses processos que profissionais de design utilizam para lançar um produto. Podemos pensar que, como professoras e professores, somos designers da educação e o nosso produto final é o conhecimento adquirido pelos nossos estudantes. Segundo Silveira, “o design, como uma abordagem de pensar, agir e projetar de forma transdisciplinar, tem muito a contribuir, construindo um novo cenário em diversas partes do mundo” (SILVEIRA, 2016, p. 118). Para entender um pouco sobre a relação do design com a educação, precisamos conhecer sua origem:

O design nasceu na escola da Bauhaus com forte viés social, na medida que a premissa dessa escola era desenvolver projetos de moradia social racional, resgatando os princípios básicos da arquitetura ocidental, abandonando todos os objetos burgueses cheios de ornamentos. (SILVEIRA, 2016, p. 120)

O design como uma ferramenta social, pode trazer mudanças significativas em nossa sociedade. Quando colocamos essa ferramenta em prol da educação, temos o poder de mudar a maneira como ensinamos e aprendemos, trazendo sensibilidade e autonomia ao processo sem perder sua credibilidade em relação ao ato de adquirir um determinado conhecimento. Dentro da educação, o design possibilita ao estudante experimentar processos de aprendizagem que respeitam sua subjetividade e seu próprio jeito de aprender. Segundo Filatro e Cavalcanti, uma das principais contribuições do design está no desenvolvimento de soluções fazendo o uso de um tipo de abordagem experimental (FILATRO; CAVALCANTI, 2017. p. 14).

E enquanto professoras e professores, devemos pensar em uma pedagogia engajada  que busca ensinar de uma maneira que todas e todos possam aprender, uma pedagogia que as pessoas possam aprender com base em sua subjetividade e a partir de suas experiências. A educação como prática da liberdade é o caminho para pensar uma pedagogia engajada e o design pode contribuir muito nessa construção.

Referências

SILVEIRA, Fabio. Design e Educação: novas abordagens. In: A revolução do design: Conexões para o século XXI. São Paulo: Gente, 2016.

FILATRO, Andrea; CAVALCANTI, Carolina Costa. Design thinking na educação presencial, a distância e corporativa. 1. São Paulo Saraiva 2017.

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