Ato 1 – O que é “Down: Elevador da Morte”?
Coloque um casal recém-casado, feliz da vida, em um elevador no 60º andar, a milhares de metros de altura, preso com um homem misterioso que vai transformar sua felicidade em um verdadeiro show de tortura e vingança.

Ato 2 – Comentários gerais
O longa-metragem começa muito bem, apresentando o nosso casal protagonista, Marina (Yuliya Melnikova) e Anton (Egor Bulatkin), e mostrando seu amor, além de leves sinais do que irá acontecer com eles, como uma sutil brincadeira. Ele prepara todo o terreno, ou melhor, o elevador, para um jogo psicológico criado por Victor (Igor Mirkurbanov), que vai crescendo e escalonando. Mistérios são apresentados e questionamentos morais são jogados na nossa cara, levantando questões como responsabilidade, riqueza e até onde uma vingança é justificável.
Sem sombra de dúvidas, o primeiro e o segundo ato são os pontos altos do longa-metragem. O roteiro coloca o espectador em uma situação de conflito e questionamento sobre a situação desesperadora à qual o casal está sendo submetido, a sanidade mental do antagonista e se realmente o que ele diz é verdade ou se está apenas culpando as pessoas erradas. Conseguimos nos conectar com Marina (Yuliya Melnikova) e Anton (Egor Bulatkin), torcer para que fiquem bem e, ao mesmo tempo, é plantada uma sementinha de dúvida sobre se eles são culpados pela morte da família de Victor (Igor Mirkurbanov).
Porém, a partir do terceiro ato, quando o roteiro decide tirar o principal antagonista de cena e colocar um novo, acaba sacrificando um pouco da força da narrativa em troca de confirmar um plot twist que fica no ar, mas que, no final, não agrega muito à resolução. Pelo contrário, acaba prejudicando todo o clima que foi construído anteriormente. Assim, a conclusão se torna apressada, um pouco forçada demais e inexpressiva diante de tudo o que foi mostrado e construído antes.

Ato 3 – Direção
A direção desse thriller sufocante e misterioso ficou nas mãos do produtor, diretor e roteirista Maryus Erikovich Vaysberg, que tem uma longa trajetória no cinema, com filmes como “8 New Dates” (2015), “Not a Perfect Man” (2020) e “Destino Traçado” (2022). Em “Down: Elevador da Morte”, Maryus abusa dos planos-detalhe para destacar olhares, objetos e expressões. Além disso, explora planos abertos para transmitir a sensação de medo e mostrar que o casal está em um lugar extremamente alto e perigoso.

Ato 4 – Atuações
Já no quesito atuação, o reduzido e encarcerado elenco manda muito bem e consegue conquistar e convencer o espectador de tudo o que está acontecendo em tela. Egor Bulatkin (Anton) interpreta um jovem bom, apaixonado e um tanto bobo, mas que está pronto para defender seu amor. Yuliya Melnikova (Marina) consegue transmitir, apenas no olhar, todo o pavor e desespero de alguém claustrofóbico, mas também de alguém que esconde algo e que não vai desistir tão facilmente, chegando até a demonstrar mais força que seu marido.

Mas o destaque vai para Igor Mirkurbanov (Victor), que consegue trazer toda a tensão e instabilidade que um antagonista quebrado exige. É ele quem nos deixa apreensivos, brinca, cria certa simpatia, manipula e age como um verdadeiro predador que quer quebrar sua presa.
Ato Final – Conclusão
Sendo assim, “Down: Elevador da Morte” é um filme de suspense que começa muito bem e, ao longo da sua duração, principalmente no final, perde parte da sua potência por optar por soluções fáceis e plot twists que poderiam ter sido apresentados de outra forma, sem sacrificar a grande estrela do filme. Porém, mesmo com essa pequena queda, ele ainda consegue ser um bom filme, redondinho, que mexe com você de diversas formas positivas. E que agora você pode assistir no Adrenalina Pura+.
Disponível no Adrenalina Pura+ a partir de 25 de junho.
