Ato 1 – O que é “Young Hearts”?
O primeiro amor da juventude sempre foi um tema explorado no cinema, mas quase sempre sob uma perspectiva tradicional. E Young Hearts vem para mostrar que pode, sim, haver um romance LGBT+ capaz de cativar e conquistar uma geração inteira com sua delicadeza. Mas será que isso é suficiente para fazer dele um filme marcante?
Esse romance juvenil começa a partir da seguinte premissa: “Elias é um jovem de 14 anos que, inesperadamente, desenvolve uma atração por seu novo vizinho, Alexander. Logo, ele percebe que está se apaixonando pela primeira vez. Alexander é extrovertido, confiante e teimoso, cativando a atenção imediata de Elias, que esconde seus sentimentos pelo jovem amigo. Com medo do que seus amigos e familiares podem pensar, Elias mente para todos, enquanto a interação com eles o deixa cada vez mais confuso. Tentando resolver seu próprio caos interior, Elias escolhe provar que merece o amor e o coração de Alexander.”

Ato 2 – Comentários gerais
O que fazer quando você é um jovem que ainda não entende sobre o amor e tem seu mundo virado de cabeça para baixo quando chega um novo vizinho à sua vizinhança, e você começa a sentir coisas que não imaginava? Pois é isso que acontece com o jovem Elias (Lou Goossens), quando o excêntrico e belo Alexander (Marius De Saeger) se muda para a frente da sua casa, e eles iniciam uma bela amizade que, a princípio, parece normal, mas acaba se transformando em um amor cheio de alegria, conflitos internos, insegurança e autodescoberta.
E essa autodescoberta tão delicada e natural, junto à excelente atuação dos protagonistas, é o verdadeiro diamante desse filme. Pois, diferente de outras produções LGBT+ que focam no preconceito ou têm uma abordagem mais sexual da relação entre pessoas do mesmo gênero, Young Hearts vai completamente na via oposta, trazendo uma história leve, doce e fofa de se ver, mas que, ainda assim, tem sua maturidade e peso nos momentos mais dramáticos, e que com certeza vai tirar algumas lágrimas dos seus olhos, seja você heterossexual ou LGBT+. Porque, independentemente da sua orientação sexual, todo mundo teve um primeiro amor, todo mundo teve medo, todo mundo estava descobrindo a si mesmo e como o mundo vai abraçar ou rejeitar os seus sentimentos.
Ademais, ao colocar todo esse contexto juvenil em um ambiente interiorano, numa aldeia flamenga, o filme deixa tudo mais intimista e nostálgico, como se aquele mundinho fosse só deles e que, aos poucos, vai se expandindo, seja no tamanho dos sentimentos ou na exploração do mundo, indo para outros lugares à medida que a relação dos meninos cresce.
Além disso, mesmo não colocando a perspectiva dos pais e dos adultos como uma grande problemática, de forma natural, a falta de tato, a empatia, as opiniões e as preocupações deles sobre as mudanças que acontecem com Elias ainda estão ali, orbitando o personagem e a trama. E, quando chega o momento necessário, o roteirista traz a devida atenção para a relação do protagonista com seus pais, e é reconfortante, acolhedor e belo. Pois a principal mensagem do filme é o amor: a descoberta do amor entre dois jovens de mundos completamente diferentes, mas que se encontram, se amam, aprendem um com o outro e ambos crescem com isso.

Ato 3 – Direção
A direção desse amor jovem ficou a cargo do produtor, roteirista e diretor Anthony Schatteman, que já tem uma bagagem no cinema, principalmente com produções voltadas para o público jovem e LGBT+, como, por exemplo, Kiss Me Softly (2012), Hello, Stranger (2016) e L’Homme Inconnu (2021). Em Young Hearts, Anthony foca na inocência, na insegurança, na descoberta juvenil atrelada às belezas e tranquilidades do interior. Busca usar mais planos próximos para capturar bem as expressões e nuances emocionais dos atores.

Ato 4 – Atuações
E, falando no quesito atuação, o elenco é muito bom e cativante, principalmente o elenco jovem, que consegue carregar bem a história e convencer genuinamente de tudo o que está acontecendo. Principalmente Lou Goossens (Elias), que traz um olhar frágil, inocente e de descoberta. Ele consegue transitar muito bem da alegria para a euforia, do medo para a tristeza, tudo através do seu olhar. E seu colega de elenco, Marius De Saeger (Alexander), é expansivo, confiante, marca presença e encanta.

Ato Final – Conclusão
Sendo assim, Young Hearts é uma ótima experiência para quem quer se emocionar ou relembrar a juventude, além de oferecer uma nova perspectiva sobre o amor e suas descobertas para quem ainda não o entende completamente. De uma forma leve, divertida e artística. Então, se você ainda não assistiu a esse filme, separe um tempo para vê-lo, pois vale muito a pena.
Disponível no Filmelier+ a partir de 11 de junho.
