É desenhando que se desenha.

Desde criança gosto de desenhar, minha filha, hoje com 8 anos, parece que herdou esse gosto também. Além de nos transportar para uma outra dimensão, o “desenho” tem diferentes utilidades e significações.  De forma mais direta, pode ser considerado a representação por meio de linhas numa superfície. Pode-se dizer que desenho é a ação criadora que abrange atividade mental, ou seja, o desenho é também um modo de pensar. É uma forma ou um meio de tornar a ideia mais clara, servindo como registro, ou para possibilitar a transmissão da ideia aos outros. Assim, o desenho estabelece-se como a primeira condição especial de quase todas as artes visuais.

A vivência da prática da reflexão através do desenho é fundamental para profissionais que utilizam a expressão gráfica do desenho como meio de comunicação em seu trabalho e, principalmente, para aqueles que dependem de seu potencial imaginativo-criativo: designers, arquitetos, engenheiros.

Ligia Medeiros no seu livro “Desenhística. A ciência da arte de projetar desenhando” aborda aspectos interessantes para refletirmos sobre o tema do desenho. Em seu estudo a autora classifica o desenho por três categorias: (1) desenho-expressional são os rabiscos, rascunhos e esboços de diagramas, esquemas e ilustrações; (2) desenho-operacional diz respeito a plantas, mapas, vistas, seções, perspectivas, convenções, signos e símbolos; (3) desenho-projetual são desenho-de-ambiente, desenho-de-artefato e desenho-de-comunicação.

Encarando essas representações como ferramentas cognitivas com objetivos diferentes e próprios. Por exemplo, rabiscos são analisados como “os primeiros riscos com baixo grau de definição e de detalhamento, com função de aquecimento psicomotor”. Rascunhos são equivalentes as minutas, traçados que já apresentam alguma proporção ou geometria, ou melhor, são delineamentos do que se pretende fazer. Enquanto que o esboço seria a última ferramenta cognitiva do desenho-expressional, que “facilita a transposição, em condições apropriadas, da linguagem gráfico-visual para outra linguagem”.

Aula de desenho de observação. Foto: acervo da autora.
Aula de desenho de observação. Foto: acervo da autora.
Projeto de luminária de aluna: vistas e estudo cromático. Foto: acervo da autora.

Dentro dessas noções de desenho, a expressão gráfica está incumbida de proporcionar aos estudantes/pessoas as habilidades de “interpretação e elaboração de esboços e desenhos técnicos por meios manuais e por computador”.

A expressão gráfica através do desenho pode ser considerada uma capacidade inata do ser humano. Porém, apesar de o homem viver no mundo das imagens, é na grande maioria um analfabeto visual. Uma vez que não é educado para ler de forma consciente e crítica todas as mensagens visuais que vivencia.

Vale lembrar que, a alfabetização visual amplia a capacidade de análise do mundo, desenvolve senso crítico, torna o ser humano um apreciador do meio ambiente. Diante disso, a educação pela arte é peça importante para a cidadania, para a diversidade cultural e o respeito às diferenças.

Donis A. Donis, no seu livro “Sintaxe da linguagem visual”, aponta que o objetivo do alfabetismo visual é o mesmo que motiva o desenvolvimento da linguagem escrita, ou seja, construir um sistema básico para a aprendizagem, a identificação, a criação e a compreensão de mensagens visuais que estejam acessíveis a todas as pessoas.

E quando aliado ao conhecimento técnico-cientifico, o desenho dá suporte à capacidade de inventar. Por isso é uma forma de conhecimento, é uma linguagem universal, no espaço e no tempo. Cada tipo de desenho se presta a auxiliar a visualização daquilo que pensamos, em momentos diferentes do desenvolvimento de uma ideia.

Cada instrumental de construção do desenho estimula formas diferentes de conhecimento e formas diversas de representação. Para se usar um instrumento de representação, qualquer que seja, do lápis ao computador, é necessário apropriar-se dos conceitos e técnicas que fundamentam cada instrumento. E em função das exigências requeridas ao desenho, maior ou menor precisão, por exemplo, pode-se optar por uma técnica especifica.

Toda linguagem é estruturada sobre um código próprio (conjunto de sinais que possuem regras específicas). Assim, para o designer é importante conhecer as regras do desenho técnico, da geometria descritiva, do desenho artístico, do desenho a mão livre, do desenho de observação, para poder usá-las de forma correta e criativa. Sem esse conhecimento comum a possibilidade de pensar como projetista e de se comunicar com outros profissionais torna-se limitada.

Hoje, na internet existem vários cursos e tutoriais de desenho acessíveis. Então, que tal desenharmos, nos aventurando sem medo, nem receio dentro desse universo magico da expressão visual?!!!!!

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