Cinema e Séries

‘Emoji – O Filme’ | A vida secreta dentro do celular

Você já parou para se questionar sobre como seria viver dentro de um celular? Essa pergunta é respondida com a animação que estreia nesta quinta-feira, 31 de agosto. Emoji – O Filme narra a trajetória de uma carinha metamórfica em busca de restauração, para que assim possa ser útil ao dono do aparelho celular que habita.

Seguindo a premissa de Divertidamente, que levou o Oscar de melhor animação em 2016, todos os personagens existem para servir ao seu possuidor. No filme de 2015, passado no cérebro de uma garotinha, narra-se as relações que suas emoções mantêm entre si; já neste novo longa, passado em Textópolis, o aplicativo que reúne todos os emojis, as carinhas devem estar sempre disponíveis para o momento em que Alex usa seu telefone para mandar mensagens.

Sorrsete, a chefe dos emojis

Gene é um emoji incapaz de manter o mesmo semblante, de modo que isso gera a possibilidade de sua exclusão do aplicativo. Em busca de redenção, se alia ao esquecido Toca-Aqui para descobrir uma forma de se adequar ao que esperam dele. A trilha do filme está em justamente descobrir-se e aceitar-se. A todo momento Gene é cobrado por não ser um emoji comum, acarretando dúvidas sobre sua utilidade dentro de um smartphone e sua presença se torna uma ameaça ao celular em que vive. Sendo ameaça, está passível de sanções virtuais tais como captura por antivírus e lixeira.

Detentor de um forte apelo visual, a obra transporta o espectador em uma experiência sensorial. Quando os dois amigos se unem a uma genial emoji fugitiva, a viagem que o trio enfrenta perpassa ondas musicais do Spotify, caminhos recheados de doces através do Candy Crush, imersão em registros fotográficos do Instagram e uma série de vozes que pedem atenção oriundas do Facebook. Vale destacar que o filme não se detém a imagens, pois pretende transmitir uma série de recados a toda uma geração que vive conectada.

Some-se aos apps as hilariantes observações quanto à tristeza dos ícones nunca usados, que vivem no porão da central de mensagens e dos obsoletos emoticons. Quem é da época do MSN Messenger vai sentir o peso da idade ao ouvir que símbolos e letras que formavam carinhas são considerados os veteranos ou idosos aposentados do filme. Afora isso, o próprio universo do celular compõe uma visão única de como seria a vida dentro desse aparelho e os efeitos que os acessos geram em seus habitantes também arrancam boas risadas do público.

Quanto ao emoji principal, é um pouco difícil para Gene compreender que para o seu dono, fãs ou seguidores são mais importantes que amigos, mas, ao mesmo tempo, ele entende que certas carinhas são capazes de afirmar coisas que palavras jamais fariam.  Até porque seu controlador é um adolescente que tem dificuldade em expressar seus sentimentos, diversamente do problema de Gene, que deixa aflorar na face tudo que pensa e isso reflete negativamente na sua capacidade de trabalhar na Textópolis.

A aventura até a nuvem acaba sendo uma jornada de autoconhecimento para os três envolvidos. Em sentido contrário, é interessante analisar que os emojis já amadurecidos são absolutamente resignados quanto a impossibilidade de ser outra coisa, além de uma única expressão determinada e definitiva. Qualquer gesto que soe diverso é considerado como uma ameaça ao sistema.

O humor do filme é resultado de uma crítica social muito bem construída. Além das indiretas lançadas aos usuários excessivos de celulares, a vida dentro de um aparelho eletrônico pode render muitas epifanias para o mundo moderno, onde aceitar o diferente ou libertar-se das expectativas alheias são fatores que aproveitam tanto aos emojis como aos espectadores do filme. Ainda que flerte com temas polêmicos da nossa sociedade, o longa não perde sua leveza e repassa a mensagem a que se obrigou de forma adequada. Toca nas feridas pontuais de forma cômica e dosada, e acaba, por conseguinte, divertindo a plateia, que invariavelmente olhará com mais atenção para a tela do celular depois desse filme.

Assista ao trailer:

 

 

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