Entrevista com Marco Alvares – Design CultureEntrevista com Marco Alvares – Design Culture
Artes

Entrevista com Marco Alvares

Marco Alvares

Fala criativos!

Hoje lhes apresento esse destaque do cenário de ilustração e Concept Art 2D aqui no Brasil, o Marco Alvares. Com um grande foco em personagens e Storytelling, Marco vem se tornando um artista cada dia melhor a cada peça nova em seu portfolio e através de projetos como o Iconic Cast ao qual é apresentador, confira o bate-papo que tivemos com ele.Você pode encontrar o Marco Alvares e sua arte nos seguintes links:

1- Antes de tudo gostaria de agradecer nos permitir ter a honra de entrevistá-lo, nos conte mais de como começou o seu interesse por pintura digital e ilustração?

Sempre fui muito curioso para aprender coisas novas, acredito que por ser um grande desafio desenho desde criança. A minha mãe costumava expor os meus desenhos para os parentes, foi um baita estímulo desde cedo, e de certa maneira era minha forma de chamar atenção para o pai ausente. Foi durante o meu colegial que comecei a refletir sobre o que fazer da vida, em um pensamento simplista acreditava que deveria fazer uma faculdade com “desenho no nome” e acabei sendo indicado para “Desenho Industrial” na UNESP de Bauru, e na época o curso estava transicionando para “Design”.

Mesmo entrando neste curso, continuei um bom tempo perdido, contudo foram através das amizades que fiz nessa época com o César Rosolino e Pedro Amato que fui introduzido a um grupo do Facebook chamado DRAW, onde que conheci mais pessoas com os mesmos interesses que eu e que prontamente se tornaram meus grandes amigos como por exemplo o Henrique Lira, fundador do ICONIC. Lá passávamos o dia todo trocando ideia sobre arte, ensinando uns aos outros e indicando trabalhos. Nesse tempo já trabalhava com caricatura, editorial, ilustração infantil etc, até que meu amigo Hugo Richard me indicou para fazer arte para um jogo chamado Hex, o que me motivou bastante para focar na área de card games e fantasy art.

2- Nos fale mais quais são suas referências, mentores e pessoas que o inspiram ao longo desses anos? Como foi o seu processo de estudo e o que aconselharia para os iniciantes?

Os meus amigos mais próximos são minhas principais referências, Mike Azevedo, César Rosolino, Rafa Zanchetin, Caroline Gariba, entre outros. Se fosse citar outras influencias diria o Sergey Kolesov (Peleng) que é o meu artista favorito, o Will Murai, brasileiro que me influencia desde o começo da carreira e a Laurel D. Austin, ilustradora sênior da Blizzard. Todos estes artistas me influenciam de forma direta e indireta no meu trabalho, seja pela técnica, estética ou conceito.

Meu processo de estudo sempre foi muito caótico, e só compreendi o caminho que deveria trilhar a pouco tempo. Hoje, usufruo de diversas formas de ensino para evoluir, sejam livros, escolas e cursos online etc, para rever os fundamentos e me aprofundar em assuntos mais complexos.

O meu conselho para quem quer estudar arte seria ter humildade para ouvir a opinião e crítica dos artistas mais experientes, além de saber ouvir seus futuros clientes. Ser empático é algo complementar nesse sentido, pois precisamos solucionar problemas visuais e nada mais apropriado do que se colocar no lugar da pessoa que precisa resolvê-lo. Também é necessário compreender que o estudo da arte é infinito, aceitar desde cedo que você não compreenderá a arte te ajudará a manter uma evolução constante e não estagnar. Uma outra dica é de se manter curioso, isso te ajudará a explorar áreas complementares à arte, que certamente agregarão muito ao seu trabalho.

3- Como funciona o seu processo criativo na criação de uma arte?

Para peças pessoais eu sempre tento metodologias e processos diferentes, mas quando se trata de projetos para clientes costumo realizar algo nos moldes abaixo:

1 – Pesquisa: Entender o universo que se passa a peça (cenários/música/vestimentas/costumes/etc);

2 – Concept: Exploração dos conceitos e estéticas do universo à ser ilustrado;

3 – Thumbnails: Estudos e testes de composição e disposição dos elementos na cena;

4 – Lineart: Estruturação do desenho em forma de linha .

5 – Colorthumbs: Testes de iluminação, cor e sentimento da peça.

6 – Flat colors: Separação dos elementos por cores locais.

7 – Renderização: Pintura final para dar o acabamento desejado.

4- Nos fale um pouco da sua rotina, como é um dia na vida de Marco Alvares?

Minha rotina é bem desordenada, mas geralmente eu estudo e trabalho da hora que acordo até a hora que vou dormir. Tento ter os fins de semana livres para descansar, mas raramente consigo. Algo que tento colocar diariamente na minha rotina é uma hora para exercícios físicos, uma caminhada pelo menos.

5- Qual você considera o ponto mais positivo e o ponto mais negativo da profissão?

Como positivo acho lindo o fato de tornar algo que comecei a fazer quando criança por puro prazer em uma profissão que possa me manter, ver que as pessoas gostam tanto do meu trabalho a ponto de confiar associar suas pessoas e/ou marcas a ele, me sinto muito grato de estar nesta posição. A questão que menos gosto é o aspecto social da vida de freelancer, costumo ficar muito isolado fisicamente dos meus amigos, o fato de ter que passar horas em um quarto na frente de um computador me dá certa agonia, mas isso felizmente está mudando com novas tecnologias como o Ipad.

6- Qual você considera seu melhor trabalho até o momento e porque?

Creio que as coisas que mais me orgulho de ter feito não são exatamente peças de arte, mas projetos que abrangem causas maiores como o ICONICast onde tenho a chance de conhecer artistas e propagar conhecimento, e ano passado também tive a oportunidade de participar de uma campanha ao lado do Mike Azevedo para arrecadar doações para a AACC através de livestreams diárias no Twitch durante o mês de dezembro.

7- Agora um rápido bate-bola:

Um filme: Pulp Fiction.

Uma música: Gosto bastante do album Tryshasla do Secede, também tenho gostado bastante do trabalho do Kamasi Washington.

Um lugar: Perto dos meus amigos.

Uma cor: Difícil! Não tenho nenhuma cor preferida, cada dia gosto de uma específica.

Uma comida: Qualquer uma feita pela minha esposa, que trabalha criando receitas.

Um jogo: Dota 2

Uma pessoa: Minha mãe, por todo o exemplo e dedicação que ela investiu em nossa família.

8- Nos conte mais sobre seus hobbies, quando você não está trabalhando, o que gosta de fazer?

Geralmente quando estou descansando estou pintando hehehe mas posso falar outro hobbie que é assistir séries documentais, a última que gostei muito foi a Wild Wild Country.

9- Como você enxerga a área de ilustração e concept art no Brasil hoje e sua previsão para os próximos 5 anos?

Acho que apesar da crise, temos um mercado de ilustração e principalmente animação em expansão. Na área de jogos, tenho expectativas que consigamos ter ótimos estúdios no país nos próximos anos.

10- Para finalizar, imagine que tivesse a possibilidade de conversar com a sua versão de 12 anos, quais seriam as dicas que gostaria mandar para ele?

Primeiro iria tranquilizar o “Marquinho” e falaria que ia dar tudo certo em relação a essas questões da vida. Diria para aplicar seus estudos, ensinaria que tão importante quanto aprender é aplicar o aprendizado. Por último diria pra ele não mudar e não ter medo disso, de continuar acreditando na coisas que gosta e sendo sincero com as pessoas.

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