Cinema e Séries

O maior terror aquático ressurge em Megatubarão

Uma das lições mais valiosas que o cinema ensinou ao público é que não se deve mexer com tubarões. Filmes desde a década de 60, passando pelos anos 70 e 80 já deixaram mais que claro que a briga contra um tubarão tem final determinado. Utilizando toda essa mitologia cinematográfica e aproveitando a imensidão de oportunidades que a era digital oferece ao ramo, o diretor Jon Turteltaub entrega o melhor filme de ação e horror do ano: Megatubarão.

O longa se baseia no livro homônimo do escritor Steve Alten, lançado em 2005 e que já conta com 8 volumes publicados sobre o megalodonte, uma espécie de tubarão jurássico do Pacífico, primo distante do tubarão-branco, que se alimentava de baleias e foi extinto há milhares de anos. Somado a essa informação, acrescenta-se outro evento científico: o fato de que as Fossas Marianas são o local mais profundo do globo terrestre e pouco se sabe o que ocorre por lá. Reunindo essas duas referências, tem-se um roteiro que gira em torno de um grupo de mergulhadores que estudam as Fossas Marianas e que ao se aventurarem nas entranhas desse local, abrem um espaço climático propício ao escape do gigante dos mares acima apresentado.

Essa pequena história é suficiente para aterrorizar plateias durante as quase 2 horas de projeção com sequências projetadas para impactar um público constantemente tenso. O centro de estudos das Fossas, situado na China, impressiona com corredores subaquáticos e deixa todas as brechas possíveis para um desastre iminente. Algumas presas fáceis, como uma criança adorável e um cachorrinho, junto com pessoas que não sabem nadar, são ingredientes suficientes para tornar o protagonista Jason Statham o dono da situação ao encarnar o mergulhador Jonas Taylor. A simpatia do ator cria um magnetismo quase imediato com o público, que deposita confiança em um homem destemido e improvisador, que sabe lidar da melhor forma possível com uma ameaça marinha.

Se outrora os filmes do gênero apelavam para o derramamento de sangue para causar impacto, o CGI dos dias de hoje presta um serviço melhor trazendo ângulos ricos em detalhes sobre a proximidade do animal de 20 metros dos seus alvos. Os estragos da fera também são mais reais e a trama usa e abusa dos botes quase certeiros para arrancar gritos dos espectadores. A pitada de terror não é tão pequena assim e isso faz com que o longa seja adrenalizante do início ao fim. Para equilibrar o roteiro, doses de humor permeiam toda a história, garantindo uma ação de qualidade com intervalos aliviadores da tensão rodeados de paisagens deslumbrantes do fundo do mar e de praias asiáticas.

Forte aliado dos efeitos especiais, o quesito sonoro carimba impacto através de um grave bem calibrado e com picos de agudo adequados ao gênero. Uma vez que Megatubarão é o tipo de longa projetado para salas do tipo Imax, as sessões em salas com tecnologia avançada permitem uma experimentação mais vívida das situações vistas em tela. O roteiro é apenas o suficiente para ambientar a história e o quesito visual é o responsável pelo arrebatamento do público. Por falar em roteiro, este deixa margem suficiente para uma eventual sequência no cinema (que seria muito bem-vinda), já que o deslinde do filme não encerra as grandes questões suscitadas no início.

O elenco mistura norte-americanos e asiáticos, com diálogos tanto em inglês como chinês e é mais uma grande aposta e um afago de Hollywood no mercado asiático, grande consumidor de produções estadunidenses. A parte oriental é encabeçada pela corajosa Li Bingbing (Resident Evil: Retribuição), mas é a prodígio Sguya Sophia Cai, atriz-mirim de apenas 10 anos que encanta as plateias por seu talento genuíno e entrosamento com as câmeras (este é o segundo trabalho dela, sendo o primeiro de produção não-chinesa). Já Ruby Rose e Rainn Wilson ajudam Stathem a dar conta dos diálogos ingleses, enquanto Page Kennedy se encarrega da maior parte do humor do filme.

Pelo exposto, pode-se concluir que Megatubarão é a aventura da vez e a melhor opção para o fim de semana de Dia dos Pais. O filme sabe manejar ação, comédia, ficção e terror em um único lance e preenche todos os requisitos para ser um dos melhores filmes de aventura em alto-mar dos últimos tempos, sendo capaz de dar continuidade à lenda de tubarões no cinema que consagrou Steven Spielberg com um dos melhores nomes do gênero há 4 décadas.

Megatubarão estreia nesta quinta-feira, 9 de agosto; o trailer pode ser visto a seguir:

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