Artes

OLD IS THE NEW YOUNG: conheça o projeto ‘A avó veio trabalhar’

Se tem uma coisa que podemos afirmar hoje em dia essa coisa é que a idade nada mais é do que um número. Para comprovar essa frase basta você passar pelas ruas de Lisboa, mais especificamente na Rua do Poço dos Negros, onde fica a sede do projeto ‘A Avó veio trabalhar’.

Idealizado pela designer Susana António e pelo psicólogo Ângelo Campota, o projeto tem exatamente o que ambos procuravam após suas formações: o design português e a ocupação na terceira idade. No começo, haviam poucas participantes, e eram propostas atividades criativas com características diferentes das que as avós já estavam acostumadas, como bordados de caveiras mexicanas e cores fluorescentes. Segundo Ângelo, elas contestavam esses materiais por não estarem habituadas com eles, o que foi passando com o tempo.

A loja própria do projeto surgiu com pouco mais de um ano de existência, graças ao primeiro workshop, onde os idealizadores logo viram que elas precisariam de um local próprio. Coisas como serigrafia, bordado e crochê estão entre as aulas, que antes eram dadas em locais pouco frequentados pelas senhoras, como cafés e bares modernos, e atualmente todo tipo de público aparece para os workshops: adultos, adolescentes, homens, mulheres.

“O que as avós sabem fazer é muito valioso e pode ser transportado para a contemporaneidade”, afirma Susana.

Todas as peças das coleções produzidas no espaço trazem junto uma etiqueta que identifica a avó que trabalhou naquele produto. Além disso, toda coleção tem sua própria embaixadora, onde a escolhida empresta seu rosto para as campanhas publicitárias. Uma delas é Fernanda, ou Fernandinha, como gosta de ser chamada. Ela foi uma das primeiras avós a dar início aos trabalhos, e por isso também foi a escolhida para a primeira campanha.

Hoje com cerca de 70 inscritas, além de se divertirem e interagirem entre uma produção e outra, o grupo também participa de vários eventos e projetos pela cidade de Lisboa, como o festival de cinema e a marcha pelos direitos LGBTI. “Elas deixam de estar adormecidas, crescem como pessoas”, comenta Ângelo.

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