Cinema e Séries

Planeta dos Macacos: A Guerra | Quando os humanos ainda dominavam a Terra.

Publicado em 1963, O Planeta dos Macacos (La planète des singes, Pierre Boulle) é um romance que relata uma contundente crítica social através de uma distopia. Grande sucesso de público, não demorou até que se transformasse em uma obra cinematográfica. A partir da trama que envolve questões políticas e existenciais, o cinema aproveitou brechas para fazer suas próprias críticas: ao armamento nuclear (na primeira trilogia, entre os anos 1960 e 70, com Charlton Heston) e aos perigos da manipulação genética (na série atual, iniciada em 2011, com James Franco). Por favor, desconsiderem o remake de Tim Burton nos anos 2000.

Cada um no seu galho: os macacos apenas querem viver em paz, longe dos humanos.

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planets of the Apes) é a terceira parte desta nova trilogia e tem estreia marcada para a próxima quinta, 3 de agosto. Dirigido pelo mais novo queridinho de Hollywood, Matt Reeves, o filme continua a história 2 anos depois dos acontecimentos do capítulo anterior. Aqui, humanos e macacos têm os seus caminhos cruzados de novo, culminando em um confronto que pode selar o destino de uma das espécies para sempre.

Pela liberdade, pela família, pelo planeta. O Planeta dos Macacos está em guerra.

Em uma bela sequência, orquestrada com grande precisão e mostrando o porquê do burburinho em torno de seu nome, Matt Reeves mostra um embate entre símios e homens numa floresta densa. Essa cena é importante porque a selvageria do ataque e a compaixão demonstrada depois do contragolpe nos deixa em dúvida sobre qual é o lado mais ‘humano’ da história. A partir daí, acompanhamos um típico filme de guerra, mas que está mais para Fugindo do Inferno (The Great Escape, John Sturges, 1963) do que para O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, Steven Spielberg, 1998), por exemplo.

Entre macacos e homens, de que lado está a ‘humanidade’?

O trabalho de maquiagem e efeitos visuais é fantástico, mas Andy Serkis está simplesmente espetacular. Acostumado a dar vida a personagens digitais através da captura de seus movimentos, o seu Cesar, líder dos macacos, é excepcionalmente crível, transparecendo emoções nos olhares, gestos e feições. A Academia já deveria estar pensando seriamente em entregar-lhe o primeiro Oscar para uma atuação digital. Basta relembrar os seus trabalhos como Gollum, King Kong e Capitão Haddock.

O melhor ator virtual do mundo: Andy Serkis já merece um Oscar pelas suas atuações digitais.

Com muitas referências ao clássico Apocalypse Now (Apocalypse Now, Francis Ford Coppola, 1979), Woody Harrelson interpreta o Coronel, comandante das tropas humanas que vive seus próprios dramas, entre eles a desconfiança do Alto Comando. Pelo time dos macacos, atuam também Steve Zahn (Macaco Mau), Karin Konoval (Maurice) e Michael Adamthwaite (Luka), entre outros. Como humanos, atuam a garota Amiah Miller, que interpreta Nova (em uma ligação direta ao original de 1968) e Gabriel Chavarria, como o soldado Preacher.

Ape-pocalypse Now: Woody Harrelson tem seus dias de Coronel Kurtz.

Com grandes arcos dramáticos para seus personagens e um final que amarra tudo de forma satisfatória, o filme encerra a trilogia com louvor e deixa o terreno preparado para finalmente chegarmos ao ponto em que o filme original se encontra. É, definitivamente, uma excelente opção para o fim de semana. Confira o trailer abaixo e boa diversão!

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