Cinema e Séries

Vingadores: Guerra Infinita e a Marvel sem fim

Quando a Marvel decide brincar com a piada de coração de mãe que sempre cabe mais um, ela realmente levou essa infinitude a sério. Vingadores: Guerra Infinita estreia hoje com a promessa de realizar a maior reunião de super-heróis do cinema. O 19º filme do MCU (sigla inglesa de Universo Cinematográfico Marvel) deixa gostinho de despedida e reformatação do grupo. Depois de 10 anos da composição original, que teve início com o primeiro longa solo do Homem de Ferro, em 2008, a gangue heroica só crescia, assim como o tamanho dos problemas enfrentados por Thor, Capitão América, Hulk, Homem de Ferro e Viúva Negra, que foram conquistando aliados à medida que a bronca aumentava e culminou em Guerra Infinita, portadora de um elenco também infinito.

O filme que estreia hoje deriva da série de quadrinhos intitulada The Infinity Gauntlet, publicada originalmente em 1991, há 27 anos atrás. A trama gira em torno da busca do vilão Thanos (Josh Brolin) pelas joias do infinito. Essas pepitas estão espalhadas ao longo da galáxia e acaso sejam reunidas na luva do maldoso, seu plano de dizimação universal dos povos será concretizado. Para evitar que o grandão as localize, os Vingadores estão mais numerosos do que nunca e se unem à equipe dos Guardiões da Galáxia. Entretanto, excesso de heróis também quer dizer excesso de brigas, disputas de egos e luta pela chefia do grupo. Isso distrai a plateia da tensão que cerca a história central e garante alívio cômico em demasia.

A grande problemática de criar uma expansão enorme com mais de 20 protagonistas é a demora que o filme leva para conseguir apresentar todos os heróis e seus núcleos. Vale lembrar que a maioria dos personagens detêm passado próprio e problemas individuais, o que torna a primeira hora de exibição uma grande partida de quebra-cabeças, que exige da plateia um pouquinho de memória cinematográfica para entender como todo mundo acabou se reunindo naquela encrenca. Uma vez que a maioria do público vem de uma fidelidade assídua ao MCU, certamente essa noção não será um problema. Em contrapartida, aos não familiarizados com o universo Marvel, cansaço e confusão podem ser sintomas associados a essa exibição, que narra a trama em extensas 2 horas e 29 minutos de projeção frenética no quesito visual e sonoro.

Vingadores: Guerra Infinita é o terceiro filme que reúne a equipe e a promessa de aumento de fãs é praticamente tido como certo. O longa dá sequência aos trabalhos da Marvel de traduzir quadrinhos para blockbusters e que só esse ano, já rendeu mais de US$ 1 bilhão graças ao estrondoso sucesso de Pantera Negra, lançado em fevereiro. Ao se analisar todo o histórico de 10 anos de MCU, os resultados indicam que a empresa já ultrapassou o lucro de US$ 50 bilhões com bilheteria e retirou a cultura geek do nicho, transformando-a no grande mercado massificado e idolatrado que é hoje, além de figurar como estrela central dentro da galáxia chamada cultura pop do Século XXI (as convenções nerds mundo afora só ratificam o poder de influência da companhia, hoje administrada pela Disney e em ritmo de expansão semelhante ao elenco de Vingadores).

Os diretores Joe Russo e Anthony Russo conquistaram a Marvel com a direção de Capitão América 2: Soldado Invernal (2014) e desde então, foram os responsáveis por Capitão América: Guerra Civil (2016) e Vingadores: Guerra Infinita. Vale avisar que a continuidade do projeto que estreia hoje já está agendada para 2019 e conta com a permanência dos irmãos Russo à frente da direção. Antes desse lançamento de maio de 2019, porém, o público será apresentado à Capitã Marvel, dona de um filme próprio com estreia marcada para 8 de março de 2019.

A proposta de roteiro se adensa e demonstra sinais de amadurecimento pelas mãos de Cristopher Markus e Stephen McFeely (além de mais 12 nomes, onde se inclui o mestre Stan Lee), capazes, dentre outros méritos, de levar até o Homem-Aranha a sério. Essa tendência mais madura vem sendo desenhada desde Capitão América: Guerra Civil (2016), passando por Doutor Estranho (2016) e chegando a Pantera Negra (2018). O referido aperfeiçoamento é um fator louvável ao crédito do longa, que não mais ostenta a qualidade de mero filme de porrada com efeito especial, já que conta com um contexto intrincado repleto de preços morais que exigem pagamento e sacrifícios pessoais em nome do coletivo.

Vingadores: Guerra Infinita é um filme que merece ser visto, e certamente será, uma vez que as previsões de bilheteria não giram em torno de menos de US$ 1 bilhão, somando-se à possibilidade de se tornar a maior arrecadação de fim de semana de estreia (posição hoje ocupada por Star Wars: O Despertar da Força, conquistada em 2015), já que a expectativa para essa história foi muito longa. Com base na excelência da Marvel nesse departamento, fica certo que ao sair da sala de cinema, o espectador já volta à sua contagem regressiva para 3 de maio de 2019, quando os eventos de Guerra Infinita ganham desdobramentos na tela.

Aos desavisados, sempre bom lembrar que vale o esforço de esperar longos créditos finais para conferir a cena pós-crédito.

A título de agradecimento, cumpre ressaltar que o Design Culture foi convidado para a première do longa em questão com a finalidade de ser apresentado à sala XPlus 4K, com projeção à laser (ainda raridade nos cinemas mundo afora) e som Dolby Atmos, da rede UCI Cinemas. A sala foi inaugurada no Recife hoje e é a terceira do Brasil a ostentar essa tremenda qualidade visual e sonora. O projetor à laser, dentre suas múltiplas funcionalidades, é capaz de gerar cores mais nítidas e sólidas e o sistema de som conta com de 54 caixas acústicas distribuídas por toda a sala, inclusive no teto, com configuração de canais 7.1.4.

Sem mais, Vingadores: Guerra Infinita estreia hoje, 26 de abril e o trailer pode ser conferido no link abaixo:

Clique aqui para comentar ( )