Cinema e Séries

A Bela e a Fera é o melhor espetáculo visual do ano

Estreia hoje no Brasil o live action da Disney ‘A Bela e a Fera’ (Beauty and the Beast, EUA, 2016), do diretor Bill Condon (DreamGirls) e protagonizado por Emma Watson (a eterna Hermione da saga Harry Potter) e Dan Stevens (Downtown Abbey), além de um incrível time de coadjuvantes, que conta com os esforços de Ian McKellen, Emma Thompson, Luke Evans, Josh Gad, Kevin Kline e Ewan McGregor, entre outros.

Ian McKellen, Emma Thompson, Ewan McGregor e Haydn Gwynne como o elenco serviçal enfeitiçado.

O filme é a marca de mais uma empreitada da Disney em encarnar os desenhos animados que foram sucessos nas décadas passadas. ‘A Bela e a Fera’ ganha corpo depois dos sucessos de bilheteria ‘Malévola’, ‘Cinderella’ e ‘Mogli’. O longa que estreia hoje se baseia livremente no filme animado de 1991 e no musical da Broadway. Para alegria dos fãs, Celine Dion, que foi responsável pela trilha da década de 90, volta a assumir o posto agora; contudo, por ser um musical, só ouvimos sua voz nos créditos. Durante o longa, a execução da música ‘The Beauty and the Beast’ fica a cargo do próprio elenco. Celine interpreta “How Does a Moment Last Forever” e a música tema é reexecutada por Ariana Grande John Legend.

O longa se destaca pelo deslumbramento visual, uma forte característica da Disney levada ao extremo nesse filme. Algum espectador mais crítico poderá não sair satisfeito com o resultado da história, mas o show visual está acima de qualquer julgamento. Tudo no filme corrobora com a beleza. Design de produção, cenografia, fotografia, coloração, coreografia, maquiagem e figurino soam como uma orquestra afiada para encher os olhos da plateia.

O vestido amarelo deveria ser pesado para retratar o século 18 mas acabou fluido para atender as necessidades de movimentação de Bela.

Falando em figurino, o clássico vestido amarelo de Bela está estupendo nessa versão. Vindo das mãos da figurinista Jacqueline Duran, a roupa flutua ao redor de Bela. O tom amarelo foi mantido em organza de seda, mas com acréscimo de 2.160 cristais Swarovski. Os mais atentos prenderão a respiração ao verem a cena de Emma Watson descendo a escadaria do palácio com aquela peça (aos fãs saudosos, a cena é idêntica à de Hermione descendo as escadarias de Hogwarts e se dirigindo ao Baile de Inverno).

No que se refere ao elenco, Dan Stevens consegue revelar o lado humano e sofredor da Fera para além da agressividade, um homem outrora fútil e amaldiçoado em sua forma física até achar alguém que enxergue além disso. Sua evolução sentimental pode arrancar sorrisos da plateia graças a falta de jeito para conversar com uma dama. Já Emma Watson está, em alguns momentos, aquém da profundidade emocional que Bela traz para a história. Sua cantoria surpreende mas falta emoção para algumas cenas.

A Bela de Watson.

Essa situação é compartilhada, em parte, com a direção, uma vez que Bill Condon dirigiu as duas partes de ‘Amanhecer’, o quarto capítulo da saga Crepúsculo, uma história reconhecidamente carente em traduzir emoção. Ainda assim, Emma consegue convencer e brilhar no papel. Devido a sua bagagem cinematográfica, é normal ver sua imagem imersa em castelos, bibliotecas e objetos mágicos.

A aproximação inicial entre Bela e Fera é feita através do amor que ambos possuem pela leitura.

A história está ambientada numa aldeia situada na França do Século XVIII, embora todos os diálogos do filme estejam em inglês. Nos créditos, os dois idiomas estão postos na ficha técnica, o que é uma forma inusitada de honrar a origem francesa da história.

Bela tenta escapar do casamento com Gaston e da vida comum de camponesa.

Devido a grandiosidade do elenco secundário, é comum vê-los roubando a cena a toda hora. Gaston (Luke Evans) e LeFou (Josh Gad) não poderiam ser interpretados de melhor forma por outra pessoa. Há que se falar que o filme vem recebendo duras críticas e censuras graças a inclusão de um personagem assumidamente gay. Contudo, quem está esperando cenas explícitas, vai ter que se contentar com umas poucas piadas discretas e indiretas sobre a tentativa de romance (por parte de LeFou) entre os dois.

A cena gay mais chocante (para não dizer engraçada), é a de um figurante atacado pelo guarda-roupa encantado Madame Garderobe, que ao ser travestido com roupas femininas, solta um enorme sorriso depois de um segundo de estranhamento inicial. Afora essa cena, nenhuma criança entenderia que existe uma tentativa de explorar um romance não-heterossexual nesse longa.

A Disney considera justa toda forma de amor.

Ainda assim, deve-se reconhecer o esforço da Disney em incluir e tratar o assunto com naturalidade. Por causa dessa iniciativa, o filme vem sendo aplaudido ao final de cada exibição. É positivo também analisar que em todas as cenas de baile ou da aldeia, existe a mistura de raças entre as pessoas. É possível que ‘A Bela e a Fera’ seja o filme do alto-escalão do gênero onde mais se pensou na questão de inclusão. Mais uma vez, aplausos para a Disney.

A inesquecível apresentação de ‘Be Our Guest’.

Por ser musicalizado em parte, é certo que desperta o desagrado de uma parte do público, contudo, o esplendor ótico das apresentações distrai até os mais impacientes com o gênero. Os números musicais são ricos e bem interpretados (especialmente a apresentação de ‘Be Our Guest’). Destacam-se na cantoria Emma Thompson (Mrs. Potts), que está em quase todos os números musicais, e Luke Evans (Gaston), pela paixão depositada na encenação cantada. Diferentemente da versão anterior, até a Fera tem uma apresentação solo, onde bota para fora toda sua angústia e medo por amar alguém que ele julga que nunca seria capaz de retribuí-lo. Lumiére (McGregor) e Horloge (McKellen) também merecem atenção, pois formam uma dupla imbatível.

Emma Thompson como Mrs. Potts.

O filme pode ser resumido como grandioso. Tudo nele acaba funcionando. É curioso que a mensagem do longa seja enxergar além do que se vê, pois a melhor parte dele é justamente a vista. E acaso desagrade na história (existe uma insatisfação de parte dos fãs pela falta inventividade em relação à obra de 1991/outros amaram a fidelidade), ‘A Bela e a Fera’ acaba conquistando pelo espetáculo visual.

Poster oficial.

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