Cinema e Séries

A Noite do Jogo | convite irresistível ao riso

Esqueça o ditado que diz que os opostos se atraem (e não se misturam), a realidade demonstra que quanto mais parecidos, mais sintonia existe em um casal. Para quem deseja confirmar com os próprios olhos, a sugestão da semana é o hilário A Noite do Jogo, longa vindo dos mesmos produtores de Quero Matar Meu Chefe (2011) e da dupla de diretores John Francis Daley e Jonathan Goldstein, responsáveis pelo igualmente bom Férias Frustradas (2015).

Annie (Rachel McAdams) e Max (Jason Baterman) são duas pessoas que se conheceram, namoraram, casaram e vivem à base de apostas, mímicas e tabuleiros. Dentre os amadores, são jogadores profissionais e dividem seu hobby com o grupo de amigos formado pelo casal Michelle (Kylie Bunbury) e Kevin (Lamorne Morris) e também pelo sempre solteiro acompanhado Ryan (Billy Magnussen), que chega para a aventura ao lado de Sarah (Sharon Horgan). Quando Max recebe a visita de seu irmão bem-sucedido Brook (Kyle Chandler), a rivalidade dentro e fora do jogo chega ao ápice a partir do convite de Brook para encenar uma armadilha de sequestro.

O filme consegue ser um dos poucos que deixa a plateia com sorriso nos lábios do início ao fim da projeção. Situações do cotidiano ganham tonalidade cômica e se torna impossível para o espectador não sentir na pele alguma das situações demonstradas em tela. O roteiro do longa segue o ritmo de uma gincana e a todo momento os apuros do casal e seus amigos surpreende pela inventividade e comédia extraída quase como um coelho da cartola mágica.

Rachel McAdams não era vista em uma comédia tão icônica desde que sua Regina George deu as caras no mundo em 2004 com Meninas Malvadas. A atriz (que conta uma indicação ao Oscar 2015 por Spotlight) investiu pesado na versão mais madura da carreira e agora brinda o público com uma personagem inocente, amorosa e naturalmente cômica. A química com o igualmente protagonista Jason Baterman (que também assume a produção) resultou em uma parceria que merece reprise em nome da boa comédia norte-americana.

Por falar em comédia, o longa sabe jogar com variados estilos humorísticos e por isso consegue cativar até os mais relutantes com o gênero. Dessa forma, humor ácido e crítico ao estilo britânico se coaduna perfeitamente com o pastelão acidentado e apelativo visto e revisto no estilo de comédia American Pie (só que bem menos apelativa aqui), com uma pitada de comédia sanguinária. O desfecho dessa mistura é uma comédia saudável, genuinamente engraçada e que sabe fazer rir de maneiras não previstas.

Longe de focar em um único núcleo, a grande sacada do longa é fazer com que cada um dos 3 casais, somados à vida pregressa de Brook, o irmão criminoso, e do vizinho abandonado pela esposa, Gary (Jesse Plemons), sejam micro histórias dignas de atenção e risadas, o que acaba por findar que A Noite do Jogo sabe criar o cenário de problemáticas em pequenas esferas que, quando jogadas conjuntamente, resultam em um filme de comédia que garante crise de risos do início ao fim.

O roteiro em modo gincana faz com que cada problema que surge para o grupo deva ser resolvido de forma breve, já que a noite é longa e a confusão estará garantida até o raiar do sol. O cenário é essencialmente noturno, uma vez que toda trama se passa durante uma noite reservada para os jogos entre amigos, mas que ganha rumos pitorescos, bem ao estilo de Se Beber Não Case (2009).

Para quem já curtiu os blockbusters da temporada e deseja assistir algo leve no fim de semana, A Noite do Jogo é a melhor opção dentre as comédias. O longa estreou nesta quinta-feira, 10 de maio.

O trailer pode ser conferido no link abaixo:

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