Inspirações

Entrevista com Frederico Cassar: O Fantástico Mundo das Comic Books e Web Comics

Frederico Cassar é um ilustrador/quadrinista de 27 anos oriundo de Niterói/RJ. Em 2013, ele se formou em Design de Produto pela PUC Rio, mas estagiou e trabalhou com Design Gráfico. Desde daquela época, ele já flertava com desenho e ilustração sem muito compromisso, mas foi só depois da graduação que ele resolveu realmente se aprofundar nesse universo. Ele nos revela que gosta de manter um sketchbook sempre por perto e tem o Photoshop + Wacom Intuos como ferramentas imprescindíveis para estudar e trabalhar.

Fred adota um estilo mais flat — onde se valoriza mais os traços e as cores bases — em suas produções artísticas. Além de ter um traço cheio de personalidade e movimento, o artista busca priorizar a storytelling em suas criações.

Recentemente, Fred lançou a sua mais nova HQ denominada “Nocturne”. Você pode lê-la online ou adquirir uma cópia física por aqui. Acompanhe todas as novidades do artista em seu tumblr.

Logo abaixo, confira a entrevista realizada com o talentoso e simpático Fred, e inspire-se em sua incrível jornada artística:

  1. Você estará participando do Geek & Game Rio Festival 2017 — evento que reúne apaixonados pela cultura geek — para divulgar o seu mais novo projeto (aliás, parabéns!). Conte-nos mais sobre a sua comic book “Nocturne”.

“Nocturne” é a história de três jovens adultos que são jogados na mesma banda e precisam aprender a conviver uns com os outros. O quadrinho tem um setting moderno e urbano, onde uma organização secreta de instrumentistas usa sua música para limpar a cidade de monstrengos musicais que a rádio cria. É uma história mais curta dentro de um universo maior, que eu venho escrevendo, reescrevendo e polindo desde 2014.

Eu escolhi o formato digital pra lançar o quadrinho. Duas vezes por semana, há paginas novas, fazendo a história tomar forma aos pouquinhos. É um formato super popular de publicação fora do Brasil, que abraça uma diversidade enorme de gêneros e de artistas. Foi pouco depois de formado que eu descobri e me impressionei com a variedade, e também com a qualidade de vários webcomics estrangeiros e resolvi que queria me arriscar também. Hoje, um dos meus objetivos com “Nocturne” é mostrar para o público e para os autores nacionais que a publicação de quadrinho longo em formato de webcomic é viável e bastante subestimada.

  1. “Nocturne” deixa bem explícito o seu amor pela música. Você toca algum instrumento musical? Conte-nos sobre o processo da criação, a sua relação com a música e de como isso influenciou você a desenvolver a HQ.

Fico feliz que esse amor fique evidente através do quadrinho, haha! Eu toco contrabaixo, desde os meus 13 ou 14 anos de idade. Desde então, eu peguei um pouco de violão e de ukulele, mas o baixo continua sendo o meu favorito. Na época de escola, fiz amigos por causa da música e trocava indicações de bandas novas toda semana. Nos meus momentos de bloqueio criativo, frustração ou ansiedade, eu saio da frente do computador, ligo o amplificador e a música é o que acaba salvando o dia.

Essa minha relação com a música acabou ilustrando o tema central do quadrinho. “Nocturne” é basicamente sobre como a música te ajuda a vibrar positivamente, fazendo que você se conecte melhor com outras pessoas e deixando as suas preocupações para trás, pelo menos por um tempo.

Já a parte fantástica do quadrinho vem da minha relação com mangá. Eu cresci assistindo e lendo shonen e aprendi a gostar de desenhar copiando artes de Dragon Ball, Shaman King e Naruto. Inconscientemente, acho que eu acabo incorporando muito da ação, das narrativas pessoais dramáticas e até do humor esquisito de shonen no roteiro de “Nocturne”.

  1. Eu vi algumas de suas artes do Inktober 2016 — e já quero um ArtBook com elas, haha —, seu estilo de arte me remeteu muito a uma mistura de Anthony Holden, Bryan Lee O’Malley e Studio Ghibli. Além desses citados, quais outras referências foram importantes na construção e amadurecimento do seu estilo?

Depois de um período de tempo achando que o que eu queria era entrar pro mercado como concept artist, eu comecei a perceber que o que mais me agradava em ilustrações era movimento. Era por isso que eu gostava tanto de mangá shonen, e foi por isso que a transição de um desenho focado em conceito pra um desenho focado em narrativa e movimento acabou sendo o meu caminho natural.

Eu citei Shaman King e Naruto como referências de estilos do Fred adolescente, mas eu ainda me pego folheando esse mangás pra estudar composições de painéis, cenas de ação e perspectivas interessantes. Também procuro fazer isso com títulos mais recentes como My Hero Academia e One Punch Man.

Entre outros artistas que influenciaram o meu estilo de desenho, posso citar Jemma Salume, que eu sigo desde a minha época de DeviantArt pelo trabalho incrível de lineart e estilização, e Sam Bosma, que trabalha com cenários em Steven Universe, tem um traço maravilhoso e é autor da excelente série de quadrinhos Fantasy Sports.

  1. Quais conselhos ou dicas você daria para aqueles que querem seguir a carreira de ilustração — especialmente quadrinista — no Brasil? 

A sua capacidade de percepção e assimilação é tão importante quanto o seu traço e a sua criatividade. Eu peguei um hábito de parar e analisar ilustrações ou páginas de quadrinhos que chamam a minha atenção. Por que aquilo me agrada? É a composição? O uso das cores? A estilização da anatomia? Eu tento entender o pensamento do artista por trás de cada traço e, no processo, eu acabo aprendendo pequenas coisas e tento aplicar nos meus desenhos e quadrinhos.

Sobre quadrinhos, comece com algo pequeno. Uma história curta e fechada entre 20 e 40 páginas pra testar o que você consegue e não consegue fazer dentro da mídia e aprender enquanto produz. Eu recomendo ter todo o roteiro e o esboço de todas as páginas prontos antes de começar a produzir as páginas finais.

Escreva histórias que te empolguem pra continuar produzindo. Fuja do senso comum. Trabalhe com temas que você gosta ou tem interesse de explorar. Se for publicar página por página em formato de webcomic, estipule um calendário para as postagens e poste com disciplina nos dias estabelecidos. Tumblr e Tapastic são plataformas ótimas, cada uma com a sua vantagem. Pesquise, estude, trabalhe duro.

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