Gary Oldman, a força que conduz O Destino de uma Nação – Design CultureGary Oldman, a força que conduz O Destino de uma Nação – Design Culture
Cinema e Séries

Gary Oldman, a força que conduz O Destino de uma Nação

Winston Churchill é um personagem que nunca morre no cinema. A prova disso é a imensidão de filmes e séries que retratam diferentes épocas de seu governo na Grã-Bretanha. Só no ano passado, Dunkirk, de Cristopher Nolan arrasou quarteirões com a retratação da Operação Dínamo, idealizada pelo próprio Churchill, e Brian Cox deu vida ao primeiro-ministro no longa Churchill, do diretor australiano Jonathan Teplitzky.

Dessa vez, Gary Oldman assume o papel do homem que conduziu a resistência britânica durante a II Guerra Mundial e o faz com esplendor. Inicialmente, há que se reconhecer o excelente trabalho de cabelo e maquiagem que fizeram com o ator; não espere encontrar traços de Sirius Black ou do Comissário Gordon nesse longa porque esses simplesmente não existem. Oldman está irreconhecível durante todas as vezes que aparece na tela como o fumante raivoso e brilhante que tinha o dom de irritar todo o Parlamento inglês ao mesmo tempo. Sua atuação é como um imã para o público, que aprende a aceitar os excessos de Winston como o reflexo de uma mente borbulhante em tempos críticos sem nem lembrar que há um ator por trás daquilo.

Diferentemente da abordagem pessoal realizada em Churchill (2017), o novo longa de Joe Wright (Orgulho e Preconceito) se volta ao homem público, que vive para o trabalho e legou esposa e filhos ao segundo plano em nome do país. Nesse quesito, vale destaque o trabalho de Kristin Scott Thomas (Tomb Raider: A Origem) como Clemie Churchill, a esposa devota com ares de psicóloga que sustenta emocionalmente a figura que deve emanar certeza para sua nação. Outros coadjuvantes de peso são Lily James (Cinderella) como a secretária particular de Winston e Ben Mendelsohn (Rogue One), o vulnerável Rei George VI. James soube usar o papel para demonstrar maturidade no cinema e comprova que está pronta para desafios muito maiores; já Mendelsohn cativa a plateia com a figura dividida entre o medo de um homem comum e o peso simbólico da coroa que acidentalmente lhe foi dada pelo irmão.

O choque por ostentar um cargo jamais imaginado é compartilhado na tela com o próprio protagonista, uma figura desacreditada pelo Parlamento que é eleito para evitar um conflito interno ainda maior. Por falar em conflito, essa é a palavra para descrever a atuação de Winston no governo. Seu trato com o rei, com o antecessor e com sua equipe não são dos melhores, mas o compromisso em manter o Reino Unido livre das bandeiras vermelhas do Nazismo acaba por justificar sua indomável bravura.

Para retratar a trama, nada melhor do que o excelente jogo de luzes que o diretor de fotografia Bruno Delbonnel (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) propõe ao público, o excesso de closes no rosto do protagonista assegura que a maquiagem está impecável e que o conflito marca a face do primeiro-ministro inglês. O figurino do longa (assinado por Jacqueline Durran, a mesma de A Bela e a Fera) retrata com fidelidade a seriedade e a monocromia do momento vivido pelo país, bem como o requinte do vestuário da Sra. Churchill. A trilha sonora à cargo do oscarizado Dario Marianelli é baseada em um delicado piano, demonstrando sutileza e elegância em situações intermitentes.

Em termos de roteiro, Anthony McCarten (A Teoria de Tudo) pesou a mão na questão política e deixou de lado quaisquer outros aspectos sobre a vida de Winston. O filme é narrado em dias e se situa entre os momentos que antecederam a posse de Churchill no cargo de primeiro-ministro e as semanas que sucederam à posse, em maio de 1940, no meio do turbilhão da II Guerra e da possibilidade de negociação com a Alemanha no momento em que todo o Exército britânico estava sitiado na praia de Dunquerque. Em termos claros, é uma história que se destina a um público mais voltado ao quesito histórico, que opta por diálogos ao invés da ação e que se encanta com as tramas inerentes ao período bélico europeu.

Para quem conferiu Dunkirk, O Destino de uma Nação se traduz como o outro lado da moeda. Enquanto a película de Nolan se debruça sobre a ação oriunda do comando inglês, o longa de Wright cuida da formação política dessa ordem, dos cálculos sobre quantas vidas seriam perdidas em cada possibilidade de contra-ataque e as vias que o Parlamento e o rei discutem com o primeiro-ministro intransigente para driblarem a armada de Hitler. É um filme visceral onde Gary Oldman, sem sombra de dúvida, deu suor, sangue e lágrimas pelo papel, assim como o representado o fez em maio de 1940.

O Destino de uma Nação estreia na quinta-feira, 11 de janeiro. Confira o trailer no link abaixo:

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