Há projetos em que a iluminação cumpre sua função mais elementar: tornar um espaço visível. Em outros, a luz deixa de ser apenas um recurso funcional e passa a participar ativamente da construção de atmosferas, narrativas e experiências. É justamente nesse território entre função, tecnologia e expressão que alguns dos trabalhos reconhecidos pelo A’ Design Award & Competition se destacam.
Realizado internacionalmente, o A’ Design Award reconhece projetos em diferentes disciplinas do design, arquitetura, comunicação, moda, tecnologia e artes. Na edição 2024–2025, foram 1.806 vencedores de 114 países, distribuídos por 158 disciplinas de design, avaliados por um júri internacional formado por acadêmicos, profissionais de design, representantes da imprensa e empreendedores.
Os trabalhos premiados recebem distinções que vão de Platinum, Gold e Silver a Bronze e Iron. Mais do que uma premiação, a iniciativa procura ampliar a visibilidade internacional do bom design. Entre os benefícios destinados aos laureados estão exposição dos projetos, participação na cerimônia realizada na Itália, publicação, ações de relações públicas e divulgação internacional por meio do A’ Design Prize.
A competição está novamente aberta para inscrições. Designers, arquitetos, estúdios e empresas podem consultar a chamada oficial para inscrições do A’ Design Award e realizar o registro para participar da competição.
Para explorar o alcance criativo da premiação, selecionamos 20 projetos de iluminação reconhecidos pelo A’ Design Award em diferentes edições. São trabalhos que mostram como uma luminária pode ultrapassar sua condição de objeto e se transformar em escultura, interface, experiência e até solução para questões ambientais.
1. Embrasse Moi — Giuseppe Tortato
Vencedora do Platinum A’ Design Award 2025, Embrasse Moi, de Giuseppe Tortato, existe na fronteira entre luminária e escultura. Produzida artesanalmente em latão brunido, sua estrutura curva lembra o movimento de uma cadeia de DNA e transforma a iluminação em elemento arquitetônico.
Mais do que iluminar um ambiente, a peça procura interferir visualmente nele. Sua escala, materialidade e desenho fazem da luz parte de uma instalação artística — um exemplo interessante de como iluminação decorativa pode assumir protagonismo espacial.

Conheça o projeto Embrasse Moi no A’ Design Award
2. Spirito — Alexey Danilin
Em Spirito, vencedor do Platinum A’ Design Award 2024, Alexey Danilin transforma referências ligadas ao misticismo e às tradicionais bolas de cristal em uma luminária contemporânea.
A fonte de LED posicionada na base projeta a luz para cima, fazendo a estrutura translúcida parecer flutuar. O resultado está menos próximo da imagem convencional de um abajur e mais próximo de um pequeno objeto cenográfico.

Veja Spirito no A’ Design Award
3. Honey Drop — Akira Nakagomi
Uma luminária também pode funcionar como equipamento de emergência? Honey Drop, de Akira Nakagomi, responde à pergunta de maneira particularmente simples.
Vencedor do Platinum A’ Design Award 2023, o projeto combina um recipiente de vidro contendo mel com uma base equipada com LED recarregável. Em uma emergência, o mel pode servir como alimento e a base pode ser utilizada como lanterna.
A força do projeto está justamente em evitar que um objeto de emergência permaneça escondido até ser necessário: ele é incorporado ao cotidiano por meio do design.

4. Gates of Light — Daan Roosegaarde
Entre os projetos desta lista, Gates of Light, de Daan Roosegaarde, talvez seja um dos que melhor demonstra que projetar iluminação não significa necessariamente adicionar mais fontes luminosas.
A intervenção realizada no Afsluitdijk, histórico dique holandês, utiliza pequenos prismas que refletem os faróis dos automóveis. Quando nenhum carro passa pela estrada, as estruturas permanecem apagadas.
Vencedor do Platinum A’ Design Award 2018, o projeto cria uma experiência luminosa sem consumo adicional de energia e sem contribuir para a poluição luminosa.

5. Baccarat 250th Anniversary Chandelier — Yasumichi Morita
Para celebrar os 250 anos da Baccarat, Yasumichi Morita reinterpretou um dos objetos mais associados à história da marca: o chandelier.
O projeto combina cristais e espelhos para multiplicar reflexos e expandir visualmente a presença da luz. Premiado com Platinum no A’ Design Award 2015, o trabalho mostra como um objeto carregado de tradição pode ser reinterpretado sem perder sua identidade.

Conheça Baccarat 250th Anniversary Chandelier
6. Leaf — Daniel Mato
Inspirada nas formas orgânicas encontradas na natureza, Leaf, de Daniel Mato, trabalha a luminária pendente como uma composição escultórica.
A combinação entre geometria limpa e referência natural demonstra uma abordagem recorrente no lighting design contemporâneo: reduzir elementos sem necessariamente eliminar personalidade.
O projeto recebeu o Platinum A’ Design Award em 2019.

7. Heaven is a Place on Earth — reginadahmeningenhoven
Projetado para as instalações da Swarovski em Wattens, na Áustria, Heaven is a Place on Earth utiliza uma grande superfície curva para transformar uma área de circulação em experiência de luz, reflexos e movimento.
A intervenção modifica sua aparência conforme as condições luminosas e o ponto de observação, estabelecendo uma relação direta entre arquitetura e percepção.
O projeto foi reconhecido com o Platinum A’ Design Award em 2017.

Conheça Heaven is a Place on Earth
8. Teslight — A. Bosio e A. Ballestrero
Muito antes de objetos magneticamente suspensos se popularizarem nas redes sociais, Teslight já explorava a levitação como parte central da experiência de uma luminária.
Criado por A. Bosio e A. Ballestrero, o projeto utiliza magnetismo para criar a impressão de que seu elemento luminoso flutua. O resultado aproxima engenharia e ilusão visual em um objeto minimalista.
Teslight recebeu o Platinum A’ Design Award em 2012.

Veja Teslight no A’ Design Award
9. Orbita — Ignacio M. Todeschini e Ignacio Noel
Premiada com Gold na edição 2025, Orbita parte de uma ideia especialmente apropriada para o lighting design: movimento.
A luminária trabalha a relação entre estrutura, equilíbrio e fonte de luz de maneira que o próprio objeto se torna parte da composição visual do ambiente.
É um exemplo de como formas geométricas simples podem ganhar identidade quando proporção, movimento e iluminação são pensados como um único sistema.
10. Misterio — Alexey Danilin
Em Misterio, Alexey Danilin volta a explorar uma característica presente em diferentes trabalhos do designer: transformar referências narrativas em objetos de iluminação.
Premiada com Silver no A’ Design Award 2025, a coleção utiliza a própria luminária para produzir uma atmosfera de mistério, mostrando que a experiência de iluminação depende tanto da forma do objeto quanto da maneira como a luz se distribui pelo espaço.
11. Double Moon — Alexey Danilin
Também reconhecida com Silver em 2025, Double Moon utiliza a imagem da lua como ponto de partida para uma luminária de parede.
O interessante está na relação entre luz indireta e geometria: em vez de simplesmente reproduzir a forma de um astro, o projeto explora sobreposições e halos luminosos para construir sua identidade.
12. Infinito — Seyedsajad Jalalsadat
O próprio nome entrega a intenção de Infinito: explorar continuidade.
A luminária de Seyedsajad Jalalsadat, premiada com Silver no A’ Design Award 2025, utiliza desenho linear e repetição visual para fazer com que a luz pareça percorrer o objeto.
É uma solução que dialoga com interiores contemporâneos nos quais a luminária deixa de ser apenas acessório e passa a funcionar como elemento gráfico do espaço.
13. Crochet — Alexey Danilin
Texturas tradicionalmente associadas ao trabalho manual aparecem reinterpretadas em Crochet, luminária de piso reconhecida com Silver em 2025.
A peça mostra como referências artesanais podem sobreviver à transição para produtos contemporâneos sem necessariamente recorrer à nostalgia. A luz evidencia padrões, volumes e texturas, transformando a superfície em parte ativa da experiência visual.
14. Frozen — Alexey Danilin
Outra peça premiada de Alexey Danilin, Frozen explora visualmente a ideia de matéria congelada.
A transparência e a maneira como a luz atravessa os elementos criam profundidade e fazem com que a aparência do objeto mude quando aceso ou apagado.
Reconhecido com Silver no A’ Design Award 2025, o projeto reforça a importância dos materiais na construção da identidade de uma luminária.
15. Level — Alexey Danilin
As grandes cidades serviram de referência para Level, luminária pendente premiada com Silver em 2025.
Elementos de vidro posicionados em diferentes alturas e detalhes verticais procuram recuperar aquela primeira impressão provocada pelas paisagens arquitetônicas das metrópoles. A luminária conta ainda com duas fontes de LED: uma destinada à iluminação funcional e outra aos elementos decorativos de vidro.

16. Ori — Lincoln Chen
Premiada com Silver no A’ Design Award 2025, a luminária de piso Ori, de Lincoln Chen, trabalha uma linguagem formal essencial.
É justamente a redução de elementos que chama atenção: quando não existem ornamentos para disputar o olhar, proporção, acabamento e qualidade da luz tornam-se ainda mais importantes.
17. NEST LAMP — Tzuhsiang Lin
O nome NEST LAMP revela a principal metáfora utilizada por Tzuhsiang Lin: o ninho.
Reconhecida com Silver em 2025, a luminária traduz uma estrutura encontrada na natureza para uma linguagem de produto, criando uma composição na qual vazios e matéria ajudam a determinar a passagem da luz.
18. Silver Lining — Deval Ambani
Silver Lining, de Deval Ambani, coloca a atmosfera no centro do projeto.
Em vez de pensar somente na quantidade de luz produzida, a peça trabalha com iluminação ambiente e percepção — uma abordagem que ganha relevância à medida que interiores residenciais e comerciais passam a utilizar diferentes camadas de iluminação.
O projeto está entre os trabalhos reconhecidos na edição 2025 do A’ Design Award.
19. Luxblade — Menghai Xia, Siyu Zang e Qijun Nie
Com Luxblade, a iluminação encontra o universo dos dispositivos inteligentes.
Criado por Menghai Xia, Siyu Zang e Qijun Nie, o projeto evidencia uma transformação importante no design de luminárias: a incorporação crescente de tecnologia e novas formas de interação ao objeto.
A peça foi reconhecida na edição 2025 do A’ Design Award.
20. EcoMod — Guoyu Wang
Fechando nossa seleção, EcoMod, de Guoyu Wang, chama atenção por abordar outro tema central para o futuro do design: modularidade.
Sistemas modulares podem aumentar possibilidades de configuração e, dependendo de sua construção, facilitar manutenção, substituição de componentes e adaptação do produto ao longo de sua vida útil.
Reconhecido pelo A’ Design Award em 2025, EcoMod mostra como pensar uma luminária como sistema — e não apenas como objeto acabado — abre novas possibilidades para o design.
Quando a luz deixa de ser apenas iluminação
Olhando para projetos produzidos em momentos tão diferentes, uma característica permanece: os melhores trabalhos raramente tratam a luz como elemento isolado.
Material, tecnologia, consumo de energia, interação, arquitetura, comportamento e emoção aparecem combinados. Às vezes o resultado é uma escultura. Em outras, uma instalação urbana, um objeto inteligente ou uma solução quase invisível.
É justamente essa diversidade que torna o lighting design um território tão fértil para experimentação.
O A’ Design Award recebe projetos de diferentes países e disciplinas, avaliados por um júri internacional, e oferece aos vencedores um pacote de divulgação que inclui exposição, publicações e ações de comunicação internacional.
A próxima edição já está recebendo projetos. Interessados podem consultar a chamada oficial do A’ Design Award e fazer sua inscrição na competição.
E vale guardar a data: em 1º de maio, o Design Culture apresentará uma nova seleção editorial com alguns dos melhores projetos da próxima edição, após a divulgação oficial dos resultados.
