O executivo que transformou a cultura do iFood em método conta em livro por que a IA é a parte que se copia

O executivo que transformou a cultura do iFood em método conta em livro por que a IA é a parte que se copia

Por Design Culture

Sócio e VP de Pessoas da companhia, Raphael Bozza reúne em “Código Aberto — O Jeito iFood de Trabalhar” (Editora Gente) as decisões, os bastidores e os erros por trás da cultura que sustentou a corrida da empresa em inteligência artificial. Apresentado ao público na Bienal do Livro de São Paulo, o livro chega às livrarias em janeiro

O iFood decidiu contar como funciona por dentro, inclusive o que deu errado. Essa é a proposta de “Código Aberto — O Jeito iFood de Trabalhar”, em que Raphael Bozza, sócio e VP de Pessoas da companhia, reúne os episódios e as escolhas que transformaram valores declarados em prática de gestão. O primeiro capítulo foi distribuído aos visitantes da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro, e o lançamento nacional está marcado para janeiro de 2027.

Há dez anos dedicado à área de pessoas, depois de construir carreira em áreas de negócio no Brasil, no Oriente Médio e na África, Bozza assume no livro uma função que ele mesmo define logo na introdução. “Meu papel é de tradutor. Pegar uma história real, complexa, com erros e acertos, e transformar em algo que possa ser adaptado para outro contexto”, escreve. A história que ele traduz é a de uma empresa que saiu de dez pessoas para 8 mil colaboradores e cujas atividades respondem por 0,64% do PIB brasileiro, segundo pesquisa da FIPE citada na obra.

O tom que o livro que chegsr já aparece logo no começo. Em 2021, um foguete inflável gigante recebia as lideranças na entrada do encontro semestral de planejamento e anunciava a aposta daquele ciclo, o iFood Econômico. Entre a montagem do foguete e a abertura do evento, a taxa de juros começou a subir e as análises mostraram que a conta do projeto deixaria de fechar. A decisão saiu em questão de horas e o foguete foi furado antes de decolar, diante de todos. “Os valores são inegociáveis, mas os mecanismos que os sustentam são permanentemente negociáveis”, revela o autor sobre o episódio.

Cada capítulo traz uma seção chamada “O que ninguém fala”, em que Bozza registra o preço das próprias escolhas, da frustração do time que passou meses no projeto encerrado ao desgaste de decidir com o jogo em andamento. O vocabulário que atravessa o texto resume a régua da casa: ser brutal com os problemas, nunca com as pessoas.

“A ideia de abrir o código é justamente compartilhar aquilo que normalmente fica nos bastidores. Não para dizer que existe uma fórmula de cultura que deve ser seguida, mas para mostrar o que aprendemos ao longo dessa jornada, inclusive com aquilo que não funcionou. Cultura não se copia, ela precisa fazer sentido para cada organização”, afirma Bozza.

A cultura descrita no livro é a mesma que sustentou a agenda de inteligência artificial da companhia. O assistente interno de IA chegou a 91% dos colaboradores, segundo a empresa. No modo agêntico, foram 27 mil agentes criados em dez meses. Para o autor, esse capítulo já é passado. O iFood vive agora o que ele chama de quarta onda, de natureza organizacional e não tecnológica: a estrutura que lembra menos uma pirâmide e mais uma rede, com profissionais sêniores sem equipe e com acesso amplo às ferramentas de IA, e a pergunta “contrato ou coloco IA?” feita antes de cada vaga aberta. É o debate que o mercado ainda vai ter e que o executivo antecipa 

“A vantagem competitiva que a IA entrega hoje, daqui a pouco vira commodity. O que diferencia é ter uma cultura forte”, diz o executivo.

A obra se dirige a empreendedores, a profissionais interessados em cultura corporativa e modelos de gestão e, nas palavras do autor, a curiosos e inconformados. Mentor da Endeavor Brasil, Bozza está disponível para entrevistas sobre os bastidores do livro e sobre o momento das empresas diante da IA.

Sobre o livro: “Código Aberto — O Jeito iFood de Trabalhar” · Autor: Raphael Bozza · Editora: Gente · Temas: cultura organizacional, liderança, gestão, pessoas, tecnologia e futuro do trabalho · Pré-lançamento: setembro de 2026, na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo · Lançamento nacional: janeiro de 2027 ·

Mais informações / Make Buzz Comunicação

Adriano Ortolani, adriano@makebuzz.com.br

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