Ato 1 – O que é “A Queda 2 – No Limite”?
Vindo como uma continuação do desesperador e traumatizante “A Queda”, de 2022, “A Queda 2 – No Limite” levanta questionamentos sobre se realmente é necessário fazer uma continuação de algo que já deu certo. Nesta nova escalada, levemente suicida, vamos acompanhar a seguinte premissa nas alturas:
“Duas mulheres se encontram em uma luta desesperada pela sobrevivência quando um desmoronamento de rochas em uma montanha as deixa presas em uma prancha frágil a mais de três mil pés de altura.”

Ato 2 – Comentários gerais
“A Queda 2 – No Limite” vem com a proposta de continuar a história que foi iniciada no filme anterior, agora acompanhando o luto de Jax (Harriet Slater), irmã mais nova de Shiloh (Virginia Gardner), que faleceu ao cair da torre. Ela acaba recebendo uma suposta amiga de sua irmã, que veio “pegar coisas” dela como lembranças, chamada Luce (Arsema Thomas).
Com isso, Luce decide “ajudar” Jax a superar seu luto e honrar a memória de sua irmã, viajando para a Tailândia para desafiar as Tábuas do Monte Kwan, onde tem o cotovelo do demônio. E ela aceita essa ideia de girico.
Assim, as duas embarcam nessa jornada burra, perigosa e ilegal, com a ajuda do guia Jon (Tom Brittney), porque têm preguiça de ir ao psicólogo. E, como já é esperado, dá ruim. Agora, as duas vão ter que lutar para sobreviver nas alturas de uma montanha e, ainda por cima, lidar com luto, mentiras e até tráfico de drogas.
Mas, infelizmente, o potencial que o filme tinha de ser algo memorável é desperdiçado. Pois, para que toda a história precise acontecer, os personagens têm que ser burros, tomar decisões burras e se agarrar a plot twists desnecessários, que não precisavam estar ali. Mesmo que a ideia de abordar o luto seja interessante, você fazer uma pessoa que já tem sérios problemas com escalada dar ouvidos a uma completa estranha e fazer a mesma coisa que matou sua irmã não faz o menor sentido.
Mesmo que a relação de Jax e Luce seja muito boa, acompanhar isso é interessante, ficar aflito e tenso, principalmente para mim, que tenho pavor de altura. A busca pela “continuação maior” estragou todo o processo. Pois o filme dá dica de tudo que irá por vir mais à frente, mas o plot do tráfico de drogas foi desnecessário. A escolha imbecil das protagonistas de ficarem revoltadas durante uma travessia perigosa com um traficante é uma tolice, e o CGI, muitas vezes, não ajudava e atrapalhava a experiência do filme, pois ficava toda hora aquela sensação de: “Isso está muito falso.”
E, para piorar, ainda prepara o terreno para um terceiro filme extremamente desnecessário, que, pelo jeito, agora vai seguir uma linha de vingança. O que também é desnecessário.
Para mim, “A Queda 2 – No Limite” funcionaria melhor como uma antologia, com personagens diferentes, em lugares diferentes. Mas os roteiristas preferiram fazer uma narrativa contínua, que tinha potencial, se tivesse sido melhor escrita e maturada.

Ato 3 – Direção
A direção dessa queda desastrosa ficou nas mãos, não de um, mas de dois diretores. Os irmãos Michael e Peter Spierig, que fizeram projetos como “2019 – O Ano da Extinção” (2009), “O Predestinado” (2014), “Jogos Mortais: Jigsaw” (2017) e “A Maldição da Casa Winchester” (2018). Filmes que dividiram bastante o público.
E, em “A Queda 2 – No Limite”, eles fazem um bom trabalho, conseguindo causar desconforto e agonia praticamente o filme todo, explorando bastante planos abertos, planos em perspectiva em primeira pessoa e alguns exageros no estilo Snyder. Mas o que prejudica a direção deles é o CGI ruim.

Ato 4 – Atuações
No quesito atuações, o elenco principal não deixa a peteca cair e consegue entregar performances decentes para o que o projeto exigia deles, conseguindo passar credibilidade e algum grau de importância aos personagens, se você não pegar abuso antes.
Harriet Slater (Jax) transparece facilmente uma mulher cheia de medos e traumas do passado, que a todo tempo está lutando contra seus demônios internos e tentando superá-los.
Arsema Thomas (Luce) é energética, confiante e cativante de início, o que vai contrapor totalmente sua virada de chave ao decorrer do filme, trazendo uma mistura de sentimentos em relação à sua personagem.
Por fim, Tom Brittney (Jon) traz um ar de galanteador, misterioso e até acolhedor em diversos momentos, e consegue trazer um certo impacto com sua mudança de postura, mesmo que fique um clima esquisito no ar desde o começo.

Ato Final – Conclusão
Sendo assim, “A Queda 2 – No Limite” é um filme que vai mexer com você de forma positiva ou negativa, principalmente se tiver medo de altura. Mas peca na construção de sua narrativa, o que prejudica a credibilidade de alguns fatos, caso você tente racionalizar tudo o que acontece em cena. Mas, se for só pela diversão e pela aflição, pode ir sem medo, que ele vai te deixar desconfortável na cadeira do cinema.
Em exibição nos cinemas a partir do dia 1 de outubro!
