De 12 a 25 de setembro de 2026, o Echos Studio, em São Paulo, recebeu a Pulse Exhibition, exposição coletiva internacional organizada pela Artly Mix. Com curadoria de Juliana Lauletta, fundadora da Artly Mix e curadora independente, a mostra reuniu 30 artistas e criadores de 20 países, com trabalhos em fotografia, pintura, arte digital, técnicas mistas e design visual. A partir da ideia de “pulso”, a exposição explorou a repetição, o movimento e as variações formais em diferentes linguagens artísticas, investigando como o ritmo se manifesta nas formas naturais, na percepção do tempo e nas estruturas visuais.
Organizada por meio de uma chamada aberta de tema livre, a mostra reuniu trabalhos com contextos criativos e abordagens formais próprias. A convivência entre diferentes linguagens e processos de criação abriu espaço para comparações, revelando aproximações entre formas, composições e modos de expressão visual.
A repetição e a variação presentes na natureza oferecem um primeiro caminho para observar essas relações. Em Enraizado na Natureza: Um Centro de Aprendizagem Ecológica Inspirado na Sabedoria Vernacular, a artista Sara Fernandes reúne uma vegetação densa e construções de formas geométricas em uma mesma composição digital. As árvores se distribuem em camadas, semelhantes em suas formas, mas distintas em altura, espaçamento e tonalidade. Entre elas, as construções introduzem linhas e contornos definidos, em contraste com as formas orgânicas da vegetação. A repetição dos elementos naturais está longe de produzir uma imagem uniforme, marcada que é por pequenas diferenças ao longo da composição.
Das formas relativamente estáticas das árvores, o olhar passa ao movimento circular sugerido pela fotografia Ko’z (Olho), de Bug. Tons de azul, branco e roxo se entrelaçam ao longo de uma trajetória circular, enquanto a sobreposição das cores dissolve gradualmente os contornos. A rotação sugerida pela imagem conduz o olhar pela composição, conferindo à fotografia uma sensação de movimento que persiste mesmo na imobilidade do registro.

Na aquarela Ambiente Instável II, de Oleksandra Serhiienko, essa percepção de movimento ganha um ritmo mais suave. Três águas-vivas flutuam em posições semelhantes, embora distintas, com tentáculos que se estendem em diferentes direções. Camadas translúcidas de cor se misturam nas manchas fluidas da aquarela, suavizando os contornos das figuras. O espaçamento irregular entre as águas-vivas contribui para a cadência lenta da composição, como se o próprio espaço ao redor se expandisse acompanhando sua flutuação.

Das árvores dispostas de maneira irregular às cores em rotação e ao movimento das águas-vivas, o ritmo assume diferentes qualidades visuais. Em MoMath Experimental Identity, da designer visual Yating Liu, ele ganha uma organização geométrica mais acentuada. Símbolos matemáticos, curvas e letras repetidas integram uma estrutura visual na qual a regularidade da composição convive com variações de forma e direção.
MoMath Experimental Identity é um projeto pessoal e experimental de identidade visual desenvolvido por Yating Liu tendo como referência o National Museum of Mathematics (MoMath), nos Estados Unidos. A designer recorreu a letras gregas e símbolos matemáticos reconhecíveis, extraindo curvas, ângulos e elementos geométricos que, combinados a formas inspiradas em curvas matemáticas, como as parábolas, deram origem a uma fonte tipográfica personalizada. As características desses símbolos foram incorporadas aos traços e contornos das letras, preservando sua legibilidade e estabelecendo uma linguagem visual coerente.

A obra apresentada na Pulse Exhibition tem como elemento central a letra M dessa fonte tipográfica. A repetição dos caracteres estabelece uma composição ordenada, enquanto suas curvas fluidas conferem leveza à estrutura. Sobre essa sequência, formas geométricas tridimensionais se estendem em diagonal, interrompendo a regularidade do conjunto e introduzindo profundidade e movimento. À medida que letras e figuras se sobrepõem, a dimensão gráfica dos caracteres ganha destaque, levando o olhar a percorrer linhas, formas e relações espaciais.

Vale observar que a letra M permanece reconhecível, mas sua repetição faz com que suas características gráficas ganhem cada vez mais destaque. As formas geométricas que atravessam a imagem tornam menos nítida a fronteira entre tipografia e imagem abstrata, deslocando a atenção do reconhecimento da letra para a observação de linhas, direções e relações espaciais. As características formais dos símbolos matemáticos passam a integrar a composição, enquanto a interação entre letras e formas geométricas se torna uma característica visual marcante da obra. Em comparação com outras obras da exposição, que sugerem o ritmo por meio de formas naturais ou vestígios de movimento, Liu incorpora princípios formais da matemática à composição, estabelecendo uma conexão entre o design visual e a imagem abstrata e oferecendo outra interpretação do tema da mostra.
Das pequenas diferenças observadas nas formas naturais aos movimentos sugeridos pela fotografia, passando pela repetição de letras e estruturas geométricas, a Pulse Exhibition reúne diferentes maneiras de abordar o ritmo nas artes visuais. A proposta aberta permite que as relações entre os trabalhos surjam da observação e das associações feitas pelo público, sem exigir uma linguagem artística comum. Na mostra, o conceito de “pulso” não se restringe a um estilo visual uniforme, mas se manifesta de diferentes maneiras conforme os meios, as formas e os métodos de criação, oferecendo experiências visuais diversas.
