Artes

44 anos sem Picasso, o nome do Cubismo

Considerado como a vanguarda contrária aos ideais estéticos clássicos na arte, o Cubismo teve seu início na primeira década do século XX, rompendo com a narrativa linear, com o tridimensionalismo e o figurativismo, tendo grande significado artístico na arte ocidental.

A principal característica desse movimento é a geometrização das formas, como o próprio nome já deixa subentendido. Nele, há a possibilidade de retratar o ambiente por diversos ângulos ao mesmo tempo, de variados pontos de vista simultaneamente. Assim é também com as figuras humanas, onde os rostos, por exemplo, têm seus dois lados representados, mas de forma chapada e sem perspectiva. A inserção de objetos geométricos, tais como cubos, cilindros, triângulos são comuns para a construção da imagem e representação.

Um dos principais representantes e, maior nome desse movimento, foi o espanhol Pablo Picasso (1881-1973). Nascido em Málaga, desde cedo produzia desenhos, muitas vezes inspirados em touradas, passando logo depois para a pintura. Em um dos momentos de sua vida se mudou para Paris, produzindo, além de pinturas, algumas esculturas e cerâmicas. No dia 8 de abril completou-se 44 anos sem o gênio cubista, cuja obra, ainda hoje, serve de inspiração para muitos jovens artistas e influencia de forma significativa toda a história da arte.

Foi com a obra Les Demoiselles d’Avignon, que Picasso deu início, em Paris em 1907, ao movimento cubista. A tela retrata cinco prostitutas nuas em um bordel, e teve grande repercussão no meio artístico da época, não pelo tema em si, mas devido a forma como havia sido pintada.

Picasso havia se inspirado no pintor Paul Cézzane, uma das grandes influências do Cubismo, e na retratação das máscaras africanas em suas obras, objetos estudados por Paul. Há relatos de que Picasso havia ficado tão fissurado em máscaras africanas que chegou a colecionar várias em sua casa, como uma fonte de inspiração para suas futuras obras.

O Cubismo se divide em três fases distintas onde as representações variam. A primeira fase é a chamada fase Pré-Analítica ou fase “Cezanneana”, devida a influência de Paul Cézanne e nas esculturas primitivas. É dessa fase a pintura Les Demoiselles d’Avignon. A segunda fase, e também seu auge, é a fase Analítica, onde o uso da cor era diminuído, usando-se principalmente variações de cinza e ocre. É nessa fase que se rompe quase que totalmente com o figurativismo, as formas eram desmembradas e desestruturadas, ocorrendo quase que a necessidade de “decifrar” a obra ao apreciá-la.

Já na terceira fase, a chamada fase Sintética, são inseridas colagens nas obras. Mesmo que pintadas a óleo, a composição lembraria recortes. Foi nesse momento que os artistas exerceram os primeiros exercícios de apropriação de coisas cotidianas, usando tonalidades e variações maiores de cores que a fase anterior.

A obra mais conhecida de Pablo Picasso surge através de uma tragédia espanhola. Guernica, de 1937, ficou conhecida por retratar a dor do povo da cidade basca em diversos pequenos elementos representados na tela de mais de 7 metros de largura.

26 de abril de 1937. Era uma segunda-feira, dia de mercado para os quase sete mil habitantes da pequena cidade. Guernica sempre havia sido referência universal de paz e reconciliação, porém isso não impediu seu ataque brutal. Não foi a primeira cidade a ser bombardeada, porém foi a que mais se teve conhecimento. Em um dos episódios mais trágicos da Guerra Civil Espanhola, dezenas de aviões lançavam bombas atingindo sem piedade homens, mulheres, crianças e gados.

A pintura, posteriormente símbolo de guerra civil e memória da cidade devastada, foi encomendada pelo Governo Republicano Espanhol a Pablo Picasso, para retratar e traduzir o sentido e o drama da pátria arrasada pelo Fascismo durante a guerra.

Se na história da arte Picasso foi de extrema influência, nos dias de hoje ainda vemos sua importância como contemporâneo de seu tempo e de descobridor de formas e conceitos. Sem dúvida suas obras ficarão marcadas por séculos como registro de uma arte ousada e cheia de personalidade.

 

BIBLIOGRAFIA:

 

BRENER, Jayme. Jornal do século XX. São Paulo: Moderna, 1998. p. 141-142.

MARQUES, Adhemar. Pelos caminhos da história. Curitiba. Editora Positivo, 2006.

ARNHEIM, R. (1976). Gênese de uma pintura: El Guernica de Picasso. Colección Comunicatión. Espanha, Editorial Gustavo Gilli.

https://flankus.files.wordpress.com/2009/12/analise_guernica_1_.pdf

http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/cubismo/

http://expresso.sapo.pt/actualidade/as-bombas-de-guernica=f721328

http://www.letras.ufrj.br/neolatinas/media/publicacoes/cadernos/a5n5/lithis/juliano_alonso.pdf

http://www.museudeimagens.com.br/legiao-condor-guerra-civil-espanhola/

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/12/cultura/1397293653_147184.html

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