De Volta à Bahia – comédia romântica que não tem nada de romântico nem de comédia!

De Volta à Bahia – comédia romântica que não tem nada de romântico nem de comédia!

Por alanvictor

Ato 1 – O que é De Volta à Bahia?

Sol, praia, mar, surf, muita música, culinária e um romance improvável nas belezas da Bahia! Essa é a proposta do novo filme da distribuidora Swen Filmes, “De Volta à Bahia”. Mas será que esse romance jovial com toques de drama e comédia vai conseguir levar o público nessa onda de emoções? Essa história de romance entre dois surfistas parte da seguinte coincidência – “Maya e Pedro que, por coincidências do destino, conectam-se graças a um vídeo de resgate no mar que viraliza na internet.” Os dois talentos promissores do surf descobrem que são treinados pelo mesmo mentor e ídolo do esporte, o treinador PH, que os apresenta sem ideia de que a dupla se conhece pelo salvamento. Enquanto se preparam para um campeonato decisivo em Salvador, os dois vivem um romance e enfrentam conflitos familiares particulares. As ondas irão ensinar que, para ultrapassá-las e vencê-las, é preciso encarar suas tormentas.”

De Volta à Bahia (2026)

Ato 2 – Comentários gerais

Bahia – Salvador, terra de muitas belezas. Comidas, arte, música, diversão e muito surf! E é literalmente o que esse filme acaba sendo. Um verdadeiro conglomerado de conveniências, músicas e exposição das belezas de Salvador. Pois, no quesito história, personagens, desenvolvimento e conclusão, ele fica no razo para fora da água.

Então, como dito antes, no filme, acompanhamos Maya (Barbara França), uma jovem modelo que retorna à Bahia para um trabalho e também busca se reconectar ao seu antigo esporte de paixão, o surf, que deixou de praticar após a morte de sua mãe, pois, agora, ela tem medo. A princípio, você pode dizer que é profundo, que é comovente, mas que, por conta de um roteiro preguiçoso, acaba ficando algo sem emoção nenhuma. Pois, o espectador não entende qual a relação da mãe com o surf, ao ponto dela criar um trauma, mas modelar e parar de viver as outras coisas de que gosta, não. Além disso, seu par romântico, Pedro (Lucca Picon), um surfista que sonha em ir para o Hawaii participar do campeonato de surf, mas ele tem medo de deixar sua mãe. Por que disso? Não sabemos por que não foi desenvolvido, é somente exposto de forma que o espectador não parece saber entender o que está sendo mostrado e precisa ser dito também, para ter a compreensão total.

Com isso, “De Volta à Bahia” acaba sendo só um cartão postal de longa duração, ou até um vídeo de clipe estendido, de tanta música que os desenvolvedores resolveram colocar a cada cena e transição. O filme é uma mistura de retalhos de outras histórias costuradas para tentar criar algo novo e falha, devido ao fato de que nada faz sentido, e tudo é muito conveniente para a trama funcionar. Todo mundo se conhece, todo mundo vira amigo, do nada surge um problema entre os personagens, sem razão nenhuma, só porque o roteiro quis, e depois está tudo certo. As coisas não têm peso, tudo nele é vazio. Fora os diálogos extremamente expositivos, a tentativa de humor que falha, o drama e conflitos que não convencem, por exemplo – a mãe do protagonista não gosta da Maya, pois ela quase “matou” o filho dela. Só que ela se afogou, e ele escolheu salvá-la, logo, a mesma não tem culpa pelos atos de Pedro, criando uma animosidade sem pé nem cabeça.

Ademais, o casal não tem química nenhuma, já que sua relação não é construída, ela é forçada num passe de mágica, no clássico amor à primeira vista. Fora a enrolação para um beijo acontecer, que hoje em dia, dadas as circunstâncias e “paixão”, teria acontecido logo. Os demais personagens não têm motivação, não têm carisma, eles só estão ali para fazer algo específico, a blogueira fazer o que uma blogueira faz, suas ações não têm peso para a trama. O mesmo pode ser dito do galã burro que fica tentando fazer piadas, o vendedor que tem muito tempo livre. Se tirar esses personagens, o filme funciona tranquilamente. Fora a montagem, que parece só um amontoado de cenas soltas, que muitas vezes não conversam entre si, ou você sente que faltou algo ser mostrado, antes de outra cena específica acontecer. A única coisa boa, que se tira por bem feito, é a dilvagação das belezas e pontos turisticos de Salvador.

De Volta à Bahia (2026)

Ato 3 – Direção!

A direção do filme, ficou nas mãos do diretor, produtor executivo e produtor, Eliezer Lipnik. Que fez alguns projetos como Era uma Vez Anastácia (2019) e Purge of Kingdoms: A Paródia Não Autorizada da Guerra dos Trono (2019). E da roteirista e diretora joana di carso, que dirigiu a série Estranho Amor (2024). E é impressionante como um projeto, com dois diretores, não consegue entregar mais do que planos abertos para mostrar Salvador, enquadramentos nada favoraveiras para o sentimento que a cena quer passar, angulos de camera que não fazem sentido. Como só dar um close para tentar tirar do maximo da atuação e emoção dos atores, usar um angulo olho no olho. Mas não, usa um contra plongée para deixar os atores maiores ou superiores.

De Volta à Bahia (2026)

Ato 4 – Atuações

O elenco que escolhido é bastante talentoso, e se esforçou para entregar algo minimamente crível nessa história. Pois, o roteiro, diálogos e direção não colaboram muito para isso. Barbara França (Maya) tenta trazer uma jovem cheia de vida, alto astral, rica e bonita, mas que não é mesquinha, e fica só por aí. Lucca Picon (Pedro), um surfista que quer realizar seu sonho de competir profissionalmente e viver um amor de verão, mas não tem atitude para fazer nada disso. Werner Schünemann (pai de Maya), só faz pose de rico e cara de deprimido, não tem falas adequadas para o ator mostrar seu talento. E Felipe Roque (PH) fica só como um surfista mais experiente, que tenta ser o senhor Miyagi do surf, mas também não funciona, frases de efeito para tentar passar alguma emoção que não vem.

De Volta à Bahia (2026)

Ato final – Conclusão

Sendo assim, “De Volta à Bahia” infelizmente não tem uma história relevante a apresentar, uma direção de vídeoclipe, diálogos de dar dor de cabeça de tão simples e expositivos, duvidando do intelecto do telespectador. Atuações pouco expressivas, personagens com zero carisma. Tornando um projeto que não sabe se quer ser um drama reflexivo e profundo, uma aventura no mundo surf ou um romance adolescente de conto de fadas. Ficando somente no razo de tudo que se propõem a ser. Então, se gosta deles, ou quiser dar uma chance, vá conferir e tire a prova.

Em exibição a partir de 5 de março nos cinemas!

De Volta à Bahia (2026)

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