Ato 1 – O que é “Minha Melhor Amiga”?
Um filme pensado para mulheres e protagonizado por mulheres, mas que dialoga com todos. Pois todo mundo tem uma melhor amiga ou um melhor amigo com quem compartilha cada momento, sejam eles bons ou ruins, mas que sempre está ali. E Mônica Martelli e Ingrid Guimarães trazem toda a leveza, diversão e caos que só duas mães e amigas brasileiras conseguem fazer.
Nessa Eurotrip de amigas, vamos acompanhar a seguinte história:
“Julia e Clara são melhores amigas, e suas vidas viram de cabeça para baixo quando suas filhas adolescentes partem para estudar em Lisboa. Vivendo o vazio de uma casa sem as filhas, as frustrações no trabalho e os relacionamentos em crise, as duas decidem viver novas experiências e viajam para Portugal, onde as filhas vivem a própria liberdade. Mas, ao chegarem em terras lusitanas, nem tudo sai como planejado. O que seria apenas umas férias divertidas se transforma em uma jornada que vai ressignificar a vida das duas. Entre encontros, desencontros e revelações, Julia e Clara redescobrem a força da amizade feminina, aquela que apoia, fortalece e nos lembra quem realmente somos.”
Ato 2 – Comentários gerais
No primeiro ato do filme, fiquei meio apreensivo, porque, mesmo com piadas e sacadas muito engraçadas, parecia que não iria me conectar com a história, já que acompanhamos a vida de duas mulheres na casa dos 50 anos, com as filhas indo para o mundo e enfrentando crises em diversos aspectos de suas vidas pessoais, profissionais e consigo mesmas. E que resolvem virar a chave, jogar tudo para o alto e fazer uma viagem.
Mas, mesmo que as filhas sejam o motivo inicial para fazer a viagem, elas vão se redescobrir, se entender e refletir sobre suas vidas, as escolhas que fazem, o medo de mudar e o que é ser mulher em uma sociedade que, o tempo todo, cobra a perfeição em tudo.
E, entre situações extremamente constrangedoras, que poderiam, sim, acontecer com duas melhores amigas e mães em uma viagem, o filme vai te levando, te conquistando e conversando comigo como pessoa. Já que, independentemente de você ser homem ou mulher, você vai passar por dificuldades na carreira, cansar da rotina, enfrentar um relacionamento que não faz mais sentido, ter medo de iniciar novos projetos, medo de amar novamente e, principalmente, todo mundo tem uma melhor amiga ou um melhor amigo para rir, chorar e fazer altas loucuras.
Com duas horas de duração, o ritmo não cansa. Toda hora está acontecendo alguma coisa que vai te comover ou tirar uma gargalhada genuína. Já que a química entre as atrizes é perfeita.
Porém, um ponto que chegou a chamar a minha atenção é que ambos os problemas de Clara (Ingrid Guimarães) e Julia (Mônica Martelli) são apresentados e desenvolvidos de forma muito rápida, sendo tratados como leves alfinetadas em diversos pontos da história, para a gente saber que existe algo errado. Contudo, mesmo sentindo falta de um aprofundamento maior das problemáticas, sei que não é algo que atrapalhe ou estrague a narrativa ou a experiência.
Com isso, “Minha Melhor Amiga” é um filme pensado para mulheres que já estão em um momento mais maduro da vida e que foca bastante no universo feminino, na saúde, carreira, no papel da mulher na sociedade e na maternidade. Mas que, ainda assim, conversa com os demais públicos, pois todo mundo tem mãe, todo mundo tem amigos, todo mundo vai passar por problemas e situações parecidas e, em algum grau, você vai se identificar.

Ato 3 – Direção
Quem conduziu a viagem dessas amigas foi a cineasta, roteirista e diretora Susana Garcia, parceira de longa data de Mônica Martelli, Ingrid Guimarães e do talentoso Paulo Gustavo em diversas produções de comédias bastante conhecidas e amadas pelo público.
Como, por exemplo, “Os Homens São de Marte… E É Para Lá Que Eu Vou” (2014), “Minha Vida em Marte” (2017) e “Minha Irmã e Eu” (2023).
E, em “Minha Melhor Amiga”, Susana segue fazendo um excelente trabalho, com uma direção que busca explorar os detalhes em cena para fazer humor, mostrar as belezas dos cenários e trazer um dinamismo leve, que faz você nem sentir o tempo do filme passar. Tudo acontece de forma milimetricamente cronometrada para iniciar e cortar.

Ato 4 – Atuações
Já a atuação das amigas é um espetáculo à parte.
Mônica Martelli (Julia) consegue ser alto-astral, realista, paranoica e frágil com muita facilidade, esbanjando química com sua amiga da vida real e de cena, Ingrid Guimarães (Clara).
E Ingrid tem aquela energia caótica e frenética que a gente ama, mas consegue trazer nuances de medo e insegurança para sua personagem com muita veracidade. E as duas juntas são um prato cheio para a diversão e para a identificação com uma amizade verdadeira.
Para fechar, Giulia Benite (Manu) e Gabi Amaral (Isadora) conseguem passar aquela energia adolescente insuportável, mas, mesmo assim, amam as mães e precisam delas.

Ato Final – Conclusão
Sendo assim, “Minha Melhor Amiga” não é só mais uma comédia brasileira. É uma dedicatória a uma amizade de décadas, que chega à sétima arte através de um filme que vai te emocionar, fazer rir e refletir sobre muitos aspectos da sua vida e da sua amizade.
Então, chama aquela melhor amiga, ou aquele melhor amigo, e vá se divertir com as loucuras da Clara e da Julia, enquanto elas se reinventam como mães e mulheres.
Em exibição nos cinemas a partir do dia 3 de setembro!
