A URGÊNCIA DA ÉTICA NAS IA’S

A URGÊNCIA DA ÉTICA NAS IA’S

Por Oliver Pontes

A arte tem suas amplas definições, sua criação envolve inúmeras ferramentas e uma delas é o sentimento. Até então, o sentimento é a embreagem da criação para muitos, é o primórdio do nascer de uma ideia que manifesta dentro do racional. O sentimento é também, para grande maioria, a última ferramenta de uma criação, é nele que consiste o ponto final de um suspiro, um silêncio ou de reticências jamais “ditas”. Ele é também a resposta do telespectador a própria arte, é o diferente, o igual, a dúvida de uma conclusão do que foi apresentada. A Arte é singular às vezes para o artista, mas é sempre plural para quem a avista. 

Pode-se algo sem saber o que é sentir pontuar uma Arte? A verdade é que sim, porque o algo foi criado por alguém, um ser racional, por mais desumana que seja a obra em certos pontos, o ser humano é capaz de criar o desumano. E assim apresento e respondo como um quadro nessa essa introdução, para falar da criação da nossa espécie: A inteligência artificial.

Muito se fala das IA’s, e dentro de incontáveis perguntas de como será seu comportamento futuro, uma delas é sobre a ética que estará nessas tecnologias. 

Os Artistas temem seus futuros, fomos capazes de criar o sentimento de uma criação? Sua própria concepção das coisas? Sabemos que as IAs são ensinadas a criar, cada obra e manifesto feito por ela é criação de alguém, de um criador. Cada imagem gerada existe um conjunto de obras por trás, seja textos, imagens, vídeos, várias informações mescladas em uma só programa, e BOOM, surge então o ponto final de resposta de uma IA: uma arte pincelada por vários artistas. Que, por grande maioria, não são reconhecidos.

É incrível a ideia, por um lado de admiração. A inteligência artificial já faz parte do nosso dia a dia e não é de hoje, ela vive entre nós nos detalhes e por vezes nem notamos. Porém, atualmente ela vem sendo vista com um olhar mais profundo, de medo, de dúvida, e de admiração. Por outro lado, o motivo maior, além do olhar inovador e descobridor dos usuários, os criadores sentiram um peso maior com esse avanço drástico, porque sabemos que quando existe um hype na internet a sua proporção de divulgação é como uma onda tão rápida que vai englobando o mundo todo, e por isso os devidos direitos dos artistas parecem ter sido sugados por esse viral tecnológico, da mesma forma que a internet proporcionou também um espaço vasto de oportunidades para tantos profissionais, também tiraram com a mesma força seus direitos com suas criações. Estamos presenciando um roubo de autenticidade de inúmeros artistas, e daí pensamos até que ponto vai à ética dessa tecnologia? A inteligência artificial é uma ameaça até que ponto? 

E é disso que quero falar: limites, pontos. Quantas pessoas perderam ou estão na linha de um precipício por conta dos limites de ética ultrapassados por essa tecnologia? E falo de pequenos artistas, aqueles que poderão ser invisibilizados. Quantos portfólios passaram a ser uma mera comparação com uma IA que em um clique te proporciona uma caminhada de um profissional?

Em uma entrevista feita por mim ao desenhista e ilustrador Silvis Chalegre (Instagram), de Pernambuco, a profissional fala sobre seu primeiro impacto que teve com o hype dessas tecnologias, e em meio a entrevista relata: 

… o meu primeiro pensamento foi que ninguém vai querer comprar dos artistas agora. Principalmente dos pequenos e pouco conhecidos.”

E também relatou que a procura pelo trabalho caiu drasticamente, principalmente no começo do lançamento dos App’s com inteligência artificial. 

 E não falo que a inteligência artificial é esse ladrão e psicopata tecnológico, até porque se existissem direitos justos para todos os criadores, a inteligência artificial não seria vista como uma ameaça em um campo profissional dessas pessoas que vivem de arte, digo que quem deu poder a isso é, sem a ética e a discrepância proporcional que essa criação gerou atualmente.

A inteligência artificial não é um monstro, sempre pontuarei isso, ela precisa de ética e limites se parecem querer agir como um humano com um QI de um X-men para esses milionários. São além de artistas como desenhistas, atores, autores que nesse ano de 2023 em seu maior pico de popularidade estão entrando em greve (entenda em CNN Brasil), sabe por quê? Ética e ganância. Em outros artigos como o último postado sobre IA falo sobre os requerimentos apresentados pelos artistas roteiristas que simplesmente pedem um limite em pontos citados nas linhas do artigo. 

Silvis Chalegre também citou sobre ética, quando perguntado se existisse uma ética nessas tecnologias a IA não seria uma ameaça, sua resposta foi direta:

“Creio que sim. Parte do problema é justamente a IA gerar uma imagem baseada em artes já existentes só por estarem na internet. Mas foram artistas que criaram e que não recebem os devidos créditos, nem recebem um centavo por isso.”

Disse também que até existem apps’s que pagam pela arte de um artista para ser inserida, e pontuou essa sugestão que se fosse aplicada em todas as tecnologias seria muito mais justo.

Nessa mesma entrevista, Silvis Chalegre, ilustrador e desenhista de Pernambuco (@parviawolf), foi perguntado qual era o impacto que a Inteligência Artificial vem causando dentro do seu trabalho, e sua resposta foi: 

“O primeiro impacto realmente foi imediatismo, já que as IA’s fazem as coisas em questão de minutos. Então a procura pelas imagens geradas por IA’s praticamente zerou a procura por artes que levariam mais tempo para serem feitas.”  

Atualmente vemos que a internet requer muita agilização, vemos em grandes projetos de cinema, da área musical entre várias outras, a entrega enorme de produtos a todo tempo são expostos em publicidade e marketing, e esse desejo pela entrega em pouco tempo e prazo curtíssimos, faz acreditar que tudo precisa ser assim. Reforçando assim que o comportamento da tecnologia é positivo. Vemos agora artistas entrando em greve na maior rede cinematográfica do mundo que é Nova York, grandes nomes como Jemie Lee Curtis, Jeremy Renner, Margot Robie etc, pedindo por dignidade para serem valorizados, e as IAs tem uma parcela enorme por essa paralisação. 

Imaginem se pessoas renomadas estão na rua pedindo justiça, pela ética, pelo justo, dá para imaginar os pequenos artistas? O que a tecnologia nesse PONTO não já fez tantas pessoas desacreditarem dos seus projetos.

Silvis comenta na entrevista que leva tempo para criar, que toda arte precisa de um processo e planejamento. E acrescenta:

“… rascunho inicial. Definição e finalização. E isso não dá para entregar com 24 h dependendo do tipo de quantidade de detalhes da arte.” 

Além de como os atores e roteiristas estão em greve por pedir um salário justo, por essas grandes empresas pagarem pouco, a artista também relata que as pessoas buscam as IA’s justamente por conta de um serviço mais barato.

Em matéria feita pelo portal de notícias G1, alguns artistas mostram um pouco essa injustiça que vem ocorrendo. É citado no trecho a seguinte informação:

Sarah Andersen, Kelly McKernan e Karla Ortiz, artistas que entraram na justiça, alegam que Stability IA, Midjourney e DeviantArt copiaram cinco bilhões de imagens “sem o consentimento dos artistas originais”.
“Ouvimos pessoas de todo o mundo: escritores, artistas e programadores, que estão preocupados com essas AIs, que são treinadas com grandes quantidades de trabalhos protegidos por direitos autorais sem consentimento”, disse o advogado Matthew Butterick, que representa Sarah, Kelly e Karla.

G1.GLOBO.COM

Se todos os criadores não pensassem apenas neles e no valor (em dinheiro) que irão receber por essas incontáveis IA’s, se existisse um direito que possa fazer esse grupo de pessoas que estão sendo afetadas, trabalhar com dignidade sem sentir que seu futuro esteja ameaçado, seria um caminho justo a ser começado a seguir. O reconhecimento geral dos artistas, sem se sentirem roubados por seus talentos, seria um avanço em meio a angústia de quem é prejudicado. 

Todos deveriam parar um pouco nessa multidão de informações e nesse aglomerado mundo de competições que visam lucrar mais e mais dinheiro, é preciso pensar que a tecnologia é uma amiga, uma ferramenta, uma auxiliar e que ela não possa ser usada para tirar completamente o lugar de alguém. E que se existem IA’s que venham e possa fazer algo incrível, mas que possa entregar o valor ao artista por trás. A grande admiração pelas IA’s é imensamente fantástica, todavia que dessa mesma maneira poderíamos exaltar pessoas que se dedicam também para criação de algo. E lembrar que todo artista se dobra por inteiro para entregar seu melhor quando ele trabalha com o amor, o sentimento. Como Silvis Chalegre citou na entrevista: 

“Toda arte surge de um sentimento ou conexão. Alegria, amor, tristeza, saudade, ansiedade. Tudo vira arte! E o que passamos pro papel\tela é justamente nossos sentimentos ou de quem está encomendando uma arte pra registrar um momento, ou sentimento. […] É você se transportar pra um lugar que considera querido ou nostálgico.” 

Silvis Chalegre

Que a ética possa vencer a ganância, e o reconhecimento por todos os artistas sejam concebidos a todos, não só dessas grandes empresas, mas de todas as pessoas que consomem a arte ao todo.

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