Design

Da Arquitectura ao Design

Analogias sobre a arquitectura e o design são antigas, por isso também que as confusões entre as duas também o são. As incompreensões e fusões arquitectura – design – arte é própria de uma história repleta de similaridades e consciências. A arquitectura constrói, o design também, as duas resolvem, não apenas problemas de funcionalidade mas também de estética, procuram o ideal estético entre as formas, por isso que, reflexões em torno destas duas áreas precisam ser continuas.

A história do design é sempre atrelada a arquitectura, conforme avança BURDEK: 2006,

“A história, teoria e prática do design são fortemente relacionadas com a arquitetura. Dos ensinamentos de Vitruvius até o presente se exerce a teoria da arquitetura que se baseia não apenas na categoria funcional, mas também no estético configurativo.”

Provavelmente, os conceitos a nível de composição em arquitectura sejam os mesmos em design, a forma como os problemas são colocados e resolvidos desafiam arquitectos e designers a pensarem de forma criativo em como propor soluções viáveis. Da mesma forma que a tecnologia veio para auxiliar o design, da mesma veio para auxiliar arquitectos no seu trabalha do dia-a-dia.

É fácil notar que os problemas de composição que ocorrem na arquitectura, igualmente acontecem no design, vemos isso todos dias, o desequilíbrio das formas é um dos mais recorrentes, exigindo dos dois profissionais a compreensão de técnicas para compor formas equilibradas, inovadoras e criativas.

Na Escola Alemã Bauhaus é possível notar a proximidade que se dá a estas duas áreas, aliás o design, como disciplina e actividade profissional formal teve sua origem nesta escola. A necessidade de procurar equilibrar formas em ambas áreas já era uma necessidade na Bauhaus, conforme confirma BOMENY: 2006,

“Walter Groupius acreditava que a tipografia era um dos mais importantes sectores da Arte Aplicada e da Indústria, difundindo o conceito de “Arquitectura Gráfica”, enfatizando a analogia existente entre a arquitectura e a tipografia, pois ambas tinham pontos em comum, como o equilíbrio de vazios e massas, e, muitas vezes utilizavam um vocabulário semelhante. Para ele a estética da composição gráfica era similar ao conceito arquitectónico.” (2009, p. 31) Um dos principais objectivos da Bauhaus “ (…) era de reunir artes, artesanato e tecnologia.” (2006, p. 55)

A arquitetura, é considerada a mais antiga e por isto muitas vezes declarada a mãe de todas as artes, obteve um papel importante no início do século 20, e, conforme se sabe, o design teve origem nas artes, portanto as relações arquitectura – design são muito mais profundas do que podemos pensar. “Tal como Peter Behrens, Walter Gropius, Mart Stam, Le Corbusier, Mies van der Rohe, muitos dos designers da época eram arquitetos. Walter Gropius descrevia, no Manifesto da Bauhaus de 1919, a construção como objetivo de todas as atividades formativas, todos os cursos e oficinas eram orientados para isto. Os resultados da arquitetura e do planejamento urbano, que depois originaram a crítica ao funcionalismo, já eram previstos.”

A maior parte dos primeiros fazedores do design, eram na maioria arquitectos, o design italiano, no princípio foi exercido por arquitectos como Mario Bellini, Rodolfo Benito, Afile e Píer Castiglioni, Paolo Deganello, Alessandro Mendini, Ettore Sottsass ou Marco Zanuso que fundaram o Bel Design italiano e o marcaram por décadas.

Também, como é verdade que existe uma arquitectura gótica, uma arquitectura islâmica, grega, romana, moderna, pós-moderna, entre outros, é verdade também que podemos ter um cartaz japonês, moderno, pós-moderno, islâmico, por ai adiante, porque o design e a arquitectura tem a profundidade necessária para transmitir características de diferentes épocas e lugares, percebe-se o enquadramento histórico e carregam determinado ideal social e ou cultural.

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