Design

Inovadores & Estudantes de problemas

Créditos: Visual Hunt

Quantas vezes escutamos ou até mesmo dissemos que “solucionamos problemas”?

De acordo com Charles Bezerra, autor do livro O designer humilde: lógica e ética para inovação – aquele mesmo que define os criadores Super-Homens e criadores Batmans – somos todos estudantes de problemas.

“Nós não somos estudantes de disciplinas, mas sim de problemas.” (Karl Popper)

Afinal, muitos de nós sabemos que ao criarmos uma solução para determinado “problema”, terminamos criando também um novo problema.

No capítulo do livro que serve de inspiração para esse artigo, o autor levanta essa perspectiva à respeito de sermos estudantes de problemas, juntamente com reflexões sobre a capacidade de inovação dos criadores para solucioná-los.

Para Charles, uma premissa para ser inovador é ver as coisas sob várias perspectivas, vários ângulos e aspectos. Uma vez que acredita ser muito importante e até mesmo fundamental para o inovador navegar em várias dimensões do conhecimento e entender que as soluções inovadoras se encontram nas encruzilhadas intelectuais e nas conexões do conhecimento.

De acordo com Charles, pessoas inovadoras geralmente conectam conceitos de várias disciplinas para produzir ideias, como no caso de um médico que cria um novo procedimento para cirurgia cardíaca usando conhecimento de engenharia mecânica na medicina, pois, para inovar com frequência é preciso saber muito sobre muita coisa, é preciso ser ao mesmo tempo especialista e generalista.

“Fazemos uso das atividades de design quando encontramos problemas, quando não estamos satisfeitos com a atual situação, quando achamos que algo pode ser diferente e, principalmente, quando precisamos pensar antes ou quando não queremos que acidentes aconteçam. Para isso, não podemos ficar presos a conhecimentos de uma ou outra disciplina, mas temos que estar voltados para o mundo.” (Charles Bezerra)

Particularmente, vi nessa citação algo que já buscava “definir” e não conseguia expressar de maneira tão clara, pois, hoje faço parte do programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Inovação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e ao falar com alguns amigos e colegas sobre minha vontade de “sair do Design” para conhecer outras perspectivas sobre inovação me deparei com algumas “caras e bocas” que muitas vezes não conseguiam compreender a razão para tal vontade.

Diante do que estou vivendo, posso afirmar que a frase do Charles Bezerra nunca fez tanto sentido. Afinal, estou imerso em um universo em que consigo aplicar conceitos do Design aliados com diversos conceitos de diversas outras áreas.

Ao término do capítulo que trata sobre sermos estudantes de problemas, Charles nos esclarece que a noção de Design não pode ser resumida em uma disciplina. Afinal, deve ser de conhecimento de todos nós a importância de atuarmos abertos à colaboração.

Por fim, Charles finaliza o capítulo com uma leve provocação sobre a capacidade do Design de guiar o processo de geração de soluções inovadoras. Uma vez que somos estudantes de problemas, e estes não possuem fronteiras. Como disse certa vez o designer americano Charles Eames:

“Quais são as fronteiras do Design? Quais são as fronteiras dos problemas?”

Aproveitando essa citação, convido todos vocês a repensarem tudo aquilo que acreditam saber sobre ser inovador na criação de projetos e também a estarem abertos para projetos em colaboração com diversos profissionais e pessoas que vivenciam diversos “problemas” que podemos solucionar.

 

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