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Visão além da bengala: projeto brasileiro é vencedor de prêmio mundial de inovação

Adaptado de annuitwalk.com

O projeto brasileiro premiado, Annuitwalk, feito por desenvolvedores do Pernambuco, coordenados pelo cientista da computação Marcos Penha, é um óculos para pessoas cegas, que funciona em auxílio à tão conhecida bengala. O dispositivo, cujo protótipo custou cerca de R$ 45, identifica obstáculos acima da linha da cintura da pessoa, região que normalmente não é alcançada pela bengala.

fonte: http://annuitwalk.com/wordpress/pages/about/

O dispositivo detecta um obstáculo próximo à pessoa cega, emitindo um sinal que aumenta quando o objeto se aproxima. O sinal é sentido por meio de vibrações de uma pulseira ou colar, como a chamada de um telefone em modo silencioso. A intensidade da vibração pode ser regulada de acordo com a sensibilidade de quem usa o aparelho.

Desta forma, estes óculos fez com que essa equipe brasileira ficasse entre os 18 vencedores do prêmio The World Summit Youth Award, competição global entre jovens desenvolvedores e empreendedores digitais com menos de 30 anos que elaboram projetos na internet e tecnologia móvel baseados nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Organizações das Nações Unidas (ONU).

Para alcançar tal resultado a equipe de pesquisadores precisou realizar testes com 276 cegos, em sua maioria da Associação Pernambucana de Cegos, constatando que a bengala não conseguia identificar obstáculos acima da linha da cintura. “Com a bengala, eles reconhecem um pneu, mas acham que é um carro. O carro tem uma certa altura e, se for um caminhão, eles vão em frente e batem. Isso ocorre também com os orelhões”, explicou o coordenador Marco Penha, coordenador do projeto, em entrevista ao Portal inovacaotecnologica.

Também em entrevista ao portal inovacaotecnologica.com.br, Emily Shuler, um dos componentes da equipe premiada, contou que:

“Inicialmente, queríamos desenvolver óculos que substituísse a bengala-guia. Quando fomos a campo, mudamos o projeto. Os cegos não queriam deixar a bengala. É o senso tátil deles. Por isso, tem um peso psicológico muito grande.”

Ao ficar sabendo da premiação da equipe brasileira fiquei muito curioso a respeito do “por que” manter a bengala, assim que vi essa frase entendi, e ao mesmo tempo lembrei o quão importante é a vivência em campo e também o fato de projetarmos centrados no usuários para alcançar resultados positivos, principalmente quando projetamos para pessoas com deficiência.

Outro ponto muito importante que a equipe levou em consideração foi a acessibilidade do preço do dispositivo desenvolvido, pois, os desenvolvedores perceberam que precisavam de um dispositivo barato, já que aparelhos similares, como a bengala eletrônica, que também funciona com sensores, tinha custo muito elevado e tinha de ser importada.

“Para um cego importar, é um processo complicado. Quando avaliamos, os valores chegavam a R$ 3 mil ou R$ 4 mil. E um cão-guia pode custar R$ 25 mil”, enfatizou o coordenador em entrevista ao Portal inovacaotecnologica.

O prêmio recebido pelos brasileiros reconhece projetos com potencial de impacto nas metas da ONU em seis diferentes categorias: luta contra a pobreza, fome e doença, educação para todos, empoderamento das mulheres, valorização da cultura local, meio ambiente e sustentabilidade e busca da verdade.

Hoje, os pesquisadores buscam investidores para conseguir produzir os óculos em escala industrial. “Nosso projeto não é relacionado a uma universidade. Foi algo independente. Cada um com seu conhecimento, com algo a trazer, a contribuir. Foi um projeto bem colaborativo. Já estamos com o sexto protótipo pronto”, informou Marcos Penha ao Portal inovacaotecnologica.

Particularmente, não conhecia esse prêmio, e essa é outra contribuição importante que esses brasileiros estão fazendo. Afinal, através deles pude saber e tenho certeza que buscarei participar das próximas edições e incentivar outros a participarem, pois, quantos de nós não temos aqueles projetos engavetados desenvolvidos em disciplinas da universidade? Sem falar de quantos de nós possuem a capacidade para desenvolver novas soluções para problemas diários que as pessoas com deficiência enfrentam.

Sou um grande entusiasta de projetos voltados para pessoas com deficiência por isso posso ser suspeito em dizer, mas ao meu ver, esse projeto é importantíssimo para os cegos e também para que estimule outros designers à projetar para pessoas com deficiência. Sendo assim, gostaria de parabenizar essa equipe não só pelo dispositivo criado, mas também pelo modo com que guiaram o processo projetual.

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